COTIDIANO

Esporte sem exclusão

Começa curso dos agentes de esporte, lazer e cultura

Cedida
Elisabete Barbeita é assessora técnica do Ministério do Esporte


Flaviano Schneider

Começou ontem o curso de capacitação dos 51 monitores que vão tocar o projeto Esporte e Lazer na Cidade, do Ministério do Esporte (ME) em convênio com a Secretaria de Esporte do governo do Estado. Os monitores, que no projeto são chamados de agentes de esporte, lazer e cultura, são provenientes de entidades ligadas ao atletismo, kung fu, capoeira, taekwondo, jiu-jitsu, vôlei e ainda pessoas ligadas às Casas de Leitura, Associação dos Meninos e Meninas de rua e da Liga de Quadrilhas. Elas deverão ser multiplicadoras de uma nova política para o esporte, como um fenômeno cultural, como um importante item no lazer comunitário.

Pelo segundo ano consecutivo o programa está sendo viabilizado no estado através de emenda parlamentar do senador Tião Viana. No ano passado, Tião Viana destinou emenda de R$ 110 mil. Para 2007, devido ao sucesso alcançado pelo programa no ano passado, o senador decidiu subir a e emenda para R$ 250 mil, com o que será possível atender 3.200 pessoas já inscritas, em oito municípios.

A abertura do curso contou com a presença do consultor do ME, Robson Bastos, e da assessora técnica do ME, Elisabete Barbeita, que dirigirão a capacitação. O secretário de Turismo, Cassiano Marques, representou o governo do estado. Dirigindo-se aos agentes ele disse que esporte e lazer são a base da qualidade de vida e para difundir o turismo no Acre é preciso qualidade de vida, que as pessoas se sintam felizes. Para ele, o objetivo é tornar o Acre o melhor lugar para se viver na Amazônia.

Robson Bastos deixou claro que a política pública atual para o esporte é diferente do que vinha sendo praticada, sempre voltada para o esporte de alto rendimento, o esporte que exclui, que tem a perspectiva da segregação. Vamos discutir com os agentes uma nova maneira de estar conduzindo os conteúdos das práticas desportivas dentro das comunidades. O entendimento é de um esporte social, que o esporte é um fenômeno cultural. Os agentes serão multiplicadores de uma concepção diferenciada que faz parte da lógica de um governo democrático e popular, em suma discutir uma nova perspectiva para o desenvolvimento do esporte e do lazer no Acre.

A assessora Elisabete disse que serão planejados grandes eventos esportivos comunitários, funcionarão núcleos permanentes de esporte e lazer nas comunidades. Segundo ela, a proposta acreana é a melhor do país, pois obtém recursos para o lazer e recursos para compra de equipamentos. Ela destacou ainda o fato de a comunidade ter pedido a inclusão das artes marciais no programa.

Agentes estão animados com programa

Lucineide Martins – professora de kung fu no Bujari: “Fiz o primeiro curso de capacitação e vou fazer também o segundo. É uma grande oportunidade de esclarecimento sobre o que pensa o Ministério do Esporte e ter novas noções de praticar esporte e lazer na minha comunidade”.

Cleyber Roberto do Nascimento - Tesoureiro da Liga das Quadrilhas. “Temos 18 quadrilhas associadas em Rio Branco e em 12 municípios. O esporte o lazer e a cultura sempre funcionavam de maneira fechada. Creio que está se abrindo um novo horizonte para nossas atividades nas comunidades”.

Mestre Falcão e Mestre Saci: “Este programa nos capacita para levarmos às comunidades, através do programa Esporte e Lazer na Cidade, a proposta de inclusão social pela prática desportiva. No nosso caso, nos interessa desenvolver e popularizar ainda mais a capoeira”.

Elisângela Souza de Lima – Servidora na Casa de Leitura de Sena Madureira. Ela e uma colega estão participando da capacitação. Elisângela passa o dia entre crianças e jovens, incentivando o gosto pela leitura, pela cultura e agora ainda vai acrescentar o esporte, organizando o lazer em sua comunidade.

“Estou gostando – disse - de estar incluída entre os agentes e pretendo aprender aqui o que vou praticar na minha cidade. Eu já trabalhei no Centro de Juventude com difusão de esporte e lazer. Portanto vou continuar fazendo a mesma coisa, mais qualificada”.

Ronildo Nascimento da Silva - Boxe - “Esse trabalho que nós vamos realizar nas comunidades carentes depende de qualificação para que possamos lidar cada vez melhor. É uma iniciativa muito boa a do senador em investir no esporte e estou aí para ajudar, criar oportunidades para as pessoas que não têm. Sou ligado à Federação Acreana de Boxe e da Confederação Brasileira de Boxe e pretendo realizar um trabalho dentro do meu esporte para que possamos identificar aqueles que realmente tem um potencial e possibilitarmos a ele o acesso a equipamentos”.

Vanuslei Farias Coelho - “Trabalho com jiu jitsu sem pano. É uma modalidade nova corpo a corpo, sem equipamento algum. Vou trabalhar com o povo excluído, para toda a área do esporte. Quero aconselhar aqueles que estão pendendo para o lado errado, o lado da droga, da prostituição para que se tornem pessoas de bem, que vivam uma vida normal e dar lhes os meios para que possam participar de igual para igual no esporte”.

 

 
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