COTIDIANO

Surdos aprendem sobre jornalismo

Alunos do CAS visitaram a redação do Página 20 ontem e conheceram seu funcionamento

Regiclay Saady
Alunos receberam orientação
sobre o funcionamento do jornal


Whilley Araújo

Interessados em conhecer como surgiu, de que forma é feito e como funciona a redação de um jornal impresso, deficientes auditivos do Centro de Apoio ao Surdo (CAS) visitaram na manhã de ontem a sede do jornal Página 20 para ver de perto a atuação das equipes de reportagem e os outros setores que compõem o diário.

A iniciativa partiu dos professores das disciplinas de Português e Matemática do CAS, como parte das atividades extraclasse que são desenvolvidas ao longo do ano letivo. “A idéia é que eles façam um boletim informativo, que será publica inclusive na internet, e ainda um telejornal. Para isso, todos visitarão uma emissora de TV”, afirmou Gleice Nascimento, professora do Centro de Apoio.

Entre os estudantes que visitaram o Página 20, Najara Alves Cabral, 19 anos, era uma das mais curiosas. Durante a conversa com a equipe do diário, ela sugeriu que as fotos relacionadas às reportagens tivessem um tamanho maior.

“Seria melhor se as imagens fossem mais nítidas e claras, sendo feito assim um maior apelo visual”, argumentou a menina, através da Linguagem Brasileira dos Sinais (Libras).

Antes de conhecer o funcionamento de um jornal impresso, Najara pensava que os diários eram todos produzidos fora do Estado. “Eu não tinha noção de como era uma redação de jornal. Agora que conheço, posso afirmar que a parte que mais me interessa é a diagramação. Tenho até vontade de atuar nessa área, caso um dia surja uma oportunidade”, assegurou.

Outra adolescente, Josiane Barroso, 19 anos, comentou que os jornalistas deveriam aprender Libras, para estreitar as relações entre os deficientes auditivos e a imprensa. “Outro dia um repórter veio me entrevistar na escola e tentei mostrar para ele que eu era surda, mas não tive muito sucesso. Por sorte tinha uma interprete perto, que mediou o diálogo”, revelou Josiane.

Segundo o professor Jeni Carlos, trabalhos extraclasse como esse que foi desenvolvido ontem, resulta em uma ótima oportunidade de aprendizado, pois a prática é bem mais interessante do que a teoria. “Essa é uma maneira de fazermos com que os trabalhos não fiquem restritos às quatro paredes de uma sala de aula. Conhecendo de perto o objeto a ser estudado, o aprendizado se torna mais eficaz”, salientou Carlos.

 

 
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