
Vou iniciar a quarta parte da entrevista-depoimento do Meirelles, dizendo que os papos do “velho do rio” estão sendo amplamente divulgados, tanto nos sites da Biblioteca da Floresta Marina Silva e do Página 20, quanto no famoso blog do jornalista Altino Machado, um dos mais respeitados e lidos no estado. Também tenho encaminhado por e-mails para amigos, pedindo que os divulguem em suas listas pessoais.
Por conta disso, recebi muitas mensagens comentando as conversas do nosso sertanista do Envira. A primeira delas é da antropóloga Edilene Cofacci, professora da Universidade Federal do Paraná (UFPR), que escreveu sua dissertação de mestrado e tese de doutorado sobre os Katukina do Campinas. Pelo visto, a colega continua sempre ligada ao que ocorre entre os Katukina, sobretudo agora em que um aluno seu, o Paulo Góes, está elaborando dissertação de mestrado sobre este povo, sob sua orientação. Os Katukina são famosos aqui no Acre por terem suas terras cortadas pela BR-364, nas proximidades de Cruzeiro do Sul, a segunda maior cidade do estado. Diz telegraficamente a professora da UFPR: “Oi Terri, grata por me abastecer desses Papos sempre tão bons. Queria lhe pedir para adicionar aí na sua lista o e-mail do Paulo Homem de Góes, um aluno na Universidade Federal do Paraná (UFPR), em Curitiba, que agora faz sua dissertação de mestrado também entre nossos amigos Katukina. Um grande abraço, Edilene”.
A outra mensagem é do Felipe Milanês, jornalista que trabalhou vários anos na Funai, na administração do antropólogo Mércio Gomes, amigo de Meirelles. Felipe já publicou matérias sobre o trabalho do Meirelles para garantir a proteção de três terras indígenas destinadas aos últimos povos isolados de nossa extensa fronteira com o Peru. Atualmente morando em São Paulo, Felipe está ansioso para visitar novamente o sertanista lá na Frente de Proteção Etnoambiental do Rio Envira, especialmente agora por ocasião da demarcação física dos limites da Terra Indígena Riozinho do Alto Envira. Vamos ver se o Felipe vai ter o merecimento de ganhar esse presente da Rainha da Floresta. Disse ele: “Grande Txai, a Funai sim, já saiu do meu espírito, desencarnou. Agora o indigenismo e o prazer no jornalismo indigenista, de jeito nenhum! A entidade ficou pra traz, mas só quero é continuar a escrever sobre a Amazônia e índios. Tenho feito algumas coisas por ai, publicadas na Rolling Stone, National Geographic e Carta Capital. Estou tentando ir ai pro Acre visitar o Meirelles de novo. Se tudo der certo, te aviso com antecedência pra gente se encontrar e bater um papo. Li com muito prazer os três papos anteriores do Meirelles. Um abraço fraterno, Felipe Milanês”.
O parceiro de papo, o antropólogo Marcelo Piedrafita, à distância também vem acompanhando de perto as conversas do sertanista Meirelles. Espero que agora, depois de defender sua tese de doutorado, “Os Kaxinawá de Felizardo”, e ser aprovado com louvor no Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social do Museu Nacional, na Universidade Federal do Rio de Janeiro, ele possa escrever novamente um belo papo. Tomara que essa viagem que fizemos juntos ao rio Amônia, para participar de uma reunião na APIWTXA com lideranças Ashaninka do Brasil e do Peru, e outras lideranças indígenas do Alto Juruá, possa lhe inspirar a escrever um próximo papo. O toque do “papo na internet” já foi corrigido pelo pessoal do jornal. Assim falou o Piedrafita a respeito da primeira parte da entrevista do nosso amigo sertanista: “Parabéns aos três (Meirelles, Elson e Txai) pela bonita conversa e pela edição do Papo. Ficou gosto de quero mais. Ainda bem que tem! Compadre vê se você consegue que o pessoal do Página 20 coloque o papo na internet também. Por ora, com a edição já disponibilizada, ainda consta o papo anterior, do Renato, mas com o link já do dia 5 de maio. Quarta feira vou estar por aí pra gente viajar juntos ao rio Amônia para participar da reunião da APIWTXA. Abraços. Marcelo”.
Tem ainda um comentário da minha querida amiga e comadre, Ingrid Weber, falando da magia da fronteira no Alto Solimões, especialmente em Tabatinga e Letícia, na Colômbia. Ingrid até recentemente morou em Rio Branco, na época em que trabalhou na Comissão Pró-Índio com formação de professores indígenas, especialmente entre os Kaxinawá do rio Humaitá, onde escreveu sua dissertação de mestrado no Museu Nacional/UFRJ. “Querido txai, estou em Tabatinga, na verdade, em Letícia, na Colômbia. Aqui é o máximo! É incrível a coisa da fronteira. No domingo fizemos um passeio e descemos um rio lindo, no meio da mata, com bóia de pneu. Parecia miraçao de cipó. O lugar era completamente mágico. Adorei ler as três primeiras partes da entrevista do “velho do rio”. Vou encaminhar os papos do Meirelles para Elena Ladeira. Beijos, saudades muitas, Ingrid”.
Por fim, a querida amiga Julieta Matos Fresch, atualmente trabalhando na Secretaria de Meio Ambiente do Rio de Janeiro, até pouco tempo sob orientação do Carlos Minc, novo ministro do Meio Ambiente, escreveu uma prosa cheia de graça sobre os papos do Meirelles. Julieta, que também é bióloga, já trabalhou na CPI-Acre na formação de agentes agroflorestais indígenas e no projeto de etnomapeamento em oito terras indígenas no estado. Assim ela comentou: “Puxa Terri, que delícia a entrevista com Meirelles. Já estou na expectativa da continuação. E que boa coincidência.
Estou lendo Diários Índios, do Darcy Ribeiro, ele novinho escrevendo pra sua mulher Berta, desde as terras maranhenses, procurando os brabos, vendo tanta malária. Interessante ler agora o depoimento do Meirelles, que faz conexões com a mesma terra, os mesmos índios, o mesmo autor e o mesmo personagem João Carvalho, chefe do Posto Indígena Pindaré, que introduziu Darcy, “seu compadre”, como disse o Meirelles, no mundo da cultura Tupi dos índios Urubu Kaapor. Saudades de tudo, saudades do txai. Beijo, Juju”.
Vamos, então, dar continuidade a longa entrevista do velho do rio. Nesta quarta parte de sua entrevista, o sertanista nos fala brevemente sobre a sua demissão do órgão indigenista oficial em 1980, o retorno ao Maranhão em 1984, para resgatar dois pequenos grupos Guajá isolados num igapó nas proximidades da Estrada de Ferro Carajás, da Vale do Rio Doce, além de se referir à “máfia Guajajara” que autorizava as invasões de brancos nas matas da terra Awa Guajá. Manda ver aí, Meirelles! (Txai Terri).
Demissão da Funai e retorno aos Awa Guajá isolados no Maranhão
Elson: Você já foi demitido da Funai junto com mais de 40 indigenistas e antropólogos do órgão. Fale um pouco desse episódio.
Meirelles: Isso foi em 1980, quando um bocado de chefes de postos i ndígenas foram à Brasília, com objetivo de criar a Sociedade Brasileira de Indigenismo, conhecida pela sigla SBI. Então, houve uma plenária de indigenistas e antropólogos que trabalhavam no órgão indigenista para se criar essa entidade. Quem era contra os militares na direção da Funai, ditando a política indigenista do país, foi todo mundo. Já o pessoal que era a favor dos coronéis não foi nenhum. Naquele tempo, a turma do contra era ainda muito nova e ingênua. Escreveram um manifesto e um abaixo-assinado ao ministro do Interior, ao qual a Funai estava subordinada, exigindo a demissão dos coronéis que mandavam no órgão indigenista oficial. O ministro era justamente outro coronel, o Mário Andreazza.
Resultado, o governo militar não engoliu a insubordinação, mandando demitir todo mundo que assinou o documento. Fui demitido, junto com o Txai Terri aqui e mais de 40 outros companheiros indigenistas e antropólogos.
Elson: A partir de que ano você retornou à Funai?
Meirelles: Passei quase dois anos dirigindo a CPI/Acre. Em fins de 1982, se não me engano, fui contratado de novo, no tempo que o Dr. Osvaldo Cid chefiou a AJACRE. Novamente fui trabalhar como chefe do PI Mamoadate.
Também chefiei por breve período a AJACRE, mais por decisão coletiva dos índios do Acre, em sua assembléia regional, do que por vontade própria. Ainda passei um bom tempo na Extrema, última aldeia do alto Iaco, onde estava a sede do PI Mamoadate, que havia implantado, em 1976, junto com os Manchineri e Jaminawa. Fiquei lá até 1984, quando o antropólogo Mércio Gomes me convidou para trabalhar novamente no Maranhão. À época, o Mércio coordenava o Programa Awa Guajá da Vale do Rio Doce. Tudo porque um belo dia um tratorista da Vale, na beira do rio Pindaré, levou uma flechada de um Awa Guajá brabo. Pegaram a flecha e levaram para o escritório da Vale do Rio Doce. O Mércio, que dirigia esse programa, tentava minorar os impactos negativos sobre os Awa Guajá e suas terras decorrentes tanto da construção da Estrada de Ferro Carajás, quanto de projeto de assentamento do GETAT, com uma 30 mil pessoas cercadas de pastos de capim. Justamente, entre aquela estrada de ferro e o rio Pindaré havia um igapó grande, com mais de três quilômetros de comprimento. Terminando o igapó, tinha um loteamento de brancos. Então tinha sobrado o quê? Talvez mil hectares de igapó. Aí o Mércio me liga, convidando para passar uns dias lá no Pindaré pra ver essa história direito da flechada que o motorista da Vale do Rio Doce tinha levado. Ele me disse: “Meirelles, você não quer vir ajudar a gente aqui pra ver se ainda existe Awa Guajá isolados, cercados nesse bojo de mato de fazenda? Você não quer passar um tempo por aqui investigando essa história?”. Respondi: “Bem Mércio, como você está me convidando, eu vou”. Aí fui com a família toda para o Maranhão. Aí fui investigar aquela história. A história era que tinha duas famílias Awa Guajá ainda isoladas e ilhadas naquele igapó. Começaram a derrubar as matas do entorno e muitos Guajá fugiram, um bocado morreu e esses daí quando foram fugir encontraram as matas derrubadas para o capim e voltaram para trás. Guajá não anda em campo aberto. Chegou no campo, viu capim, dali eles voltam para trás. Têm o maior medo do mundo de andar no descampado. Não andam. E aí eles ficaram presos nas poucas matas daquele igapó. Só duas famílias de Awa Guajá brabos. Então, retornei ao Maranhão para resolver esse problema para a Vale do Rio Doce. Primeira coisa que fiz por lá, foi visitar o grupo Awa Guajá que eu tinha feito contato, em 1973, no alto rio Turiaçú. Por lá, convidei dois índios, que já conhecia, para andar comigo nas poucas matas do tal igapó. Falei para eles assim: “Tem uns parentes de vocês lá naquele igapó flechando pessoal da Vale.
Vamos lá dar uma olhada junto comigo?”. Eles responderam apenas: “Vambora!” Fui para lá com esses dois índios Guajá. Com dois dias, nós achamos os parentes brabos. Entramos no igapó e logo achamos os rastros dos Guajá brabos. No outro dia seguimos os rastros de novo por dentro do igapó. Havia até uns capelões perdidos nas poucas matas daquele igapó. Matei dois e foi até bom isso ter acontecido. Continuamos andando, quando meus companheiros Awa Guajá escutaram conversas de seus parentes brabos. O pessoal do acampamento nas proximidades daquela área do igapó já havia notado que todas as vezes que criavam porcos soltos, os animais sumiam quando iam fuçar na beira do igapó. Os Guajá brabos, que não tinham o que comer, matavam os porcos dos caras do acampamento da Vale do Rio Doce. Os porcos simplesmente sumiam.
Txai: Como foi feito esse resgate de grupos Awa Guajá brabos?
Meirelles: Quando meus dois companheiros Awa Guajá escutaram as conversas de seus parentes brabos, eles logo tiraram os calções e subiram numa árvore alta. Guajá é pior do que macaco para subir em árvore. Quando matam macacos e alguns deles se engancham nos galhos, eles sobem nos paus na maior facilidade para tirá-los de lá. Têm tanta facilidade para subir em árvore, que você não acredita. Um desses índios Guajá que me acompanhava subiu numa árvore e lá de cima começou a balançar e a gritar, imitando os sons de macacos pretos. Até que os parentes brabos responderam. Eles reconheceram que era parente que tinha fugido. Aí fizemos o contato com essas duas famílias e levamos todos eles para uma aldeia Guajá já contatada. Aí é que vem a história do tempo, não é Élson? Naquela época já estava havendo muitas invasões na área Guajá, desmatamentos, devastação, madeireiros e o diabo a sete. Meu segundo trabalho por lá foi fazer levantamento dessas invasões na área Guajá. O que está acontecendo com a terra Awa Guajá? Naquele tempo a Terra Indígena Awa Guajá já estava em processo de demarcação. Aí eu perguntei ao Mércio e o pessoal de lá: “Faz tempo que vocês não andam nos limites da área indígena para ver que diabo está acontecendo naquelas matas?” Me responderam: “Rapaz, já faz muito tempo!”. “Então vamos ver primeiro isso”, retruquei. Fizemos vários grupos de fiscalização pra ver o que estava realmente acontecendo nos limites e no entorno da área Awa Guajá. Fiquei com a parte mais complicada do caminho, para variar. Me deixaram lá na beira do rio Gurupi e eu varei do Gurupi e fui sair lá no rio Turiaçú. Viagem longa e dificultosa. Atravessei a Serra da Desordem e tal. Descobri uma estrada que ia dar na beira do rio Carú, toda ela circundada por fazendas. Não dava nem pra conversar muito, porque aqueles fazendeiros grileiros eram fechados e desconfiados pra danar. Fui anotando as invasões na terra Awa Guajá, varando a mata, que já estava toda cheia de picadas feitas pela grilagem. Voltei e escrevi um relatório de como estava a região. Percebi logo que o fundo da área Guajá já havia dançado. Já era! Soube agora que essa área dos fundos da terra Guajá está praticamente perdida, justamente por essas invasões que constatei em 1984. Outras invasões eram protagonizadas pelas famílias das quebradeiras de coco babaçu. Porque ali é o seguinte, destruíram quase todas as florestas no Maranhão. Ficaram só aquelas existentes nas terras indígenas e unidades de conservação. E a população regional que vivia do extrativismo do coco babaçu, conhecidos como “quebradores de coco”, ficaram sem as palmeiras de babaçu, porque derrubaram as matas para implantarem fazendas de gado. Acabou a mata, acabou o coco. Só ficaram as fazendas. Aí, meu irmão, ficou um monte de gente olhando para o outro lado do rio, para a terra Awa Guajá, com dois olhos deste tamanho! E tudo gente pobre, desempregada, lascada, com fome, sem lugar para tirar uma palha pra cobrir uma casa. Enfim, a área Awa Guajá ficou todinha invadida por esses quebradores de coco.
Txai: Quer dizer que grande parte das invasões na terra Guajá é protagonizada por “quebradeiras de coco babaçu”?
Meirelles: A invasão da área Guajá é feita por mulheres, homens e crianças de ambos os sexos. É a família todinha. A mulher vai quebrar o coco com os meninos e meninas. O marido vai arrumar rancho. Pega a espingarda e vai caçar nas matas pra ver se mata ao menos uma cotia, um macaco, uma cotiara. Chega à tardinha, a mulher e as crianças mais velhas levam as amêndoas quebradas de coco babaçu pra vender. Assim podem comprar a mistura. Os homens, os maridos, levam a carne. E onde eles caçam e extraem os cocos? Tudo na terra dos índios. Bom, aí comecei a andar no mato, porque vocês sabem que cobra que não anda, não engole sapo. Mas se andar muito pega pau, não é mesmo? Procurei conversar com os chefes dessas famílias de quebradeiras de coco, perguntando-lhes: “Vocês têm permissão para invadir as matas da terra Awa Guajá?” Respondiam que as matas do entorno da terra indígena já tinham sido destruídas. Não havia mais babaçuais. Só havia matas na terra dos Awa Guajá. E me mostravam autorizações da Funai para extrair coco de babaçu nas matas da área Guajá. Fiquei surpreso! “Autorização como? De quem? Se aqui é uma terra indígena?”, perguntava. Aí me mostravam uns cartãozinhos, dizendo: “Tá aqui a autorização!”. “Quem está dando autorização?”, perguntava. “É o pessoal do Posto Indígena Pindaré dos Guajajara quem dá autorização”. Como a terra Awa Guajá fica ao lado da área Guajajara, aí entra outra história, a relação dos Guajajara com os Guajá. Um casamento não muito feliz. O que estava acontecendo naquele tempo? Os Guajajara estavam sendo beneficiados pela grana do projeto financiado pela Vale do Rio Doce. Aquele grande projeto, né? Muito dinheiro circulando e os Guajajara ficaram ricos de um dia para noite. Então, a situação se inverteu. Antigamente os brancos roubavam as índias para casar. Quando cheguei lá no PI Guajajara do rio Carú, os brancos que moravam nas redondezas da terra indígena, levavam as filhas para se casarem com homens Guajajara. Assim negociavam suas permanências nas matas da terra indígena, moravam por lá, colocavam roçados e coletavam e quebravam cocos de babaçu. Por conta do dinheiro todo do projeto da Vale do Rio Doce, vizinhos brancos vinham trazer suas filhas e filhos para se casarem com Guajajara. Olha a loucura que o dinheiro faz. Nesse processo todo, havia mais brancos do que índios na terra Guajajara. Lá no Carú, hoje, tem muito mais brancos do que índios na terra indígena. Justamente por causa desses casamentos interétnicos ocorridos no tempo do projeto da Vale do Rio Doce para os Guajajara. Como as matas da terra Guajajara já estavam muito devastadas, eles estavam dando autorização para os brancos que moram dentro de suas terras irem quebrar coco na terra Awa Guajá. E eu, inocentemente ou não, fui mexer nesse vespeiro. Fui até o Posto Indígena Pindaré e fiz uma investigação da máfia que estava dando aquelas autorizações para os brancos invadirem a área Guajá. Essa máfia do PI Pindaré era controlada pelo famoso João Madrugada. Justamente, era ele e seus comparsas que davam essas autorizações. Foi o suficiente para eu arrumar nove mil inimigos no Maranhão. Fui mexer com a máfia Guajajara. Ficou uma situação que não pude mais controlar. Eu falei: “Ou a gente resolve esse problema, ou os Guajá vão se ferrar! Porque com esse monte de invasão que está aí e com essa história dos Guajajara ir convidar os Guajá para visitar o Posto do Carú, fazer forró nos fins de semana, dando cachaça pra eles que tinham pouco tempo de contato. Isso vai virar uma zona, uma loucura”. Arrumei uma porção de inimigos realmente. Aí desisti: “Assim não dá. Não tenho mais condições de trabalhar por aqui porque essa máfia Guajajara pode até me matar”. Em 1986, retornei ao Acre com toda minha família. Voltei a trabalhar no PI Mamoadate, mais por pouco tempo. A partir de 1987, passei a atuar como sertanista na proteção aos povos isolados nas cabeceiras do rio Envira, no município de Feijó.
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