| OPINIÃO | ||
| CRÔNICA | ||
José Cláudio Mota Porfiro * |
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A política às avessas Prometi fazer algumas observações relativas à política, principalmente como a vemos e a temos cá entre nós, no Brasil. É que estou atendendo aos meus alunos e, também, a dois amigos: ao Manoel Severo, doutor em filosofia, meu guru, e ao Fernando Melo, nosso bom secretário de segurança durante algum tempo. É oportuno dizer aos mais jovens que a participação no processo de escolha das lideranças políticas é deveras importante. É fato que todos têm o direito de reclamar pelo que não foi feito ou pelo que foi mal feito. Mas, antes, é preciso que assumamos a responsabilidade de votar em pessoas da nossa inteira confiança, aquelas em quem já não sobra nenhuma sombra de dúvida com relação ao caráter de homem íntegro comprometido com os demais membros da sociedade. Se houver uma pontinha de desconfiança, por menor que seja, é melhor averiguar ainda mais, isto, sem dar crédito a conversas vazias que têm por finalidade apenas denegrir imagens. Marilena Chauí (Convite à filosofia. SP : Ática, 2003) leva à reflexão ao fazer a seguinte pergunta: a política é uma atividade específica de alguns profissionais ou concerne a todos nós, porque vivemos em sociedade? Como se observa, usamos a palavra política ora para significar uma atividade específica (o governo), realizada por um certo tipo de profissional (o político), ora para significar uma ação coletiva, como o movimento estudantil nas ruas, por exemplo. Afinal a política é uma profissão entre outras ou é uma ação coletiva? No dia-a-dia, temos nos deparado com expressões como “política universitária”, “política da escola”, “política do hospital”, “política da empresa”, “política sindical”. Aí não há referência nem ao governo nem aos políticos. As pessoas que estão à frente dos destinos das universidades ou das escolas, os professores, devem estar convenientemente preparadas para a solução dos problemas relativos a esses setores da sociedade. Assim como o médico, o empresário, o sindicalista devem estar seguros para o bom desempenho das responsabilidades atinentes aos seus afazeres. E a grande parte das universidades, das empresas e dos sindicatos são bem dirigidos e cumprem o seu papel na sociedade, isto, porque há gente preparada intelectualmente para este fim. Se assim não fosse, a falência seria do povo-Nação. Enfim, para cada setor haverá dirigentes capacitados. Se não o forem, a coerência aconselha demiti-los, urgentemente, para o bem de todos... E é também assim que devemos fazer com os maus políticos, os sanguessugas, os mensaleiros, os incluidores digitais e toda essa fauna do mal que só quer para si. Na verdade, é conveniente desaconselhar a covardia. Acovardar-se é a pior saída. Se fugir o bicho pega e se ficar se come o bicho. Nas salas de aula desse Brasil de meu Deus, aqui e ali, há sempre aqueles professores ou alunos que dizem não gostar de “discutir política”. Ora, senhores, a política ampla, aquela que diz respeito à educação, deve fazer parte do dia-a-dia de todos quantos vivem a instituição escolar. O professor que escolhe outro caminho deveria largar o posto de uma vez por todas. A política educacional acima tratada não pode ser confundida com política partidária. Enquanto professores e diretores têm muito claro e estão preparados para as providências que resultem no bom aproveitamento dos alunos, os partidos políticos, na maioria dos casos, são compostos por proxenetas e subservientes que não visam o bem público, mas apenas abocanhadas salivares nos gordos nacos do erário. São estes tais que, inclusive, sequer têm condições ou nunca tomaram conhecimento da linha ideológica que suas agremiações muitas vezes só as têm nos estatutos nunca lidos e, quando lidos, sempre interpretados de modo a prejudicar os interesses do povo. Por isso, há que reafirmar: a política é uma ação coletiva, com certeza. E é este coletivo - notadamente os mais pobres, mais prejudicados - que deve tirar do emprego esses tantos que têm se afeito à mentira, à apropriação indébita, à manipulação de resultados, ao assalto ao erário, à extorsão e ao crime de uma forma geral. Outubro virá. As eleições serão comentadas pelo Brasil afora. É claro que o candidato escolhido é gente de alta confiança. Sobre ele não pesa nenhuma acusação. O homem é bom realmente... E se não o for? Aí entraremos, juntos, num prejuízo que perdurará por anos a fio, uma vez que o meu “político” gostará da “profissão” e não a quererá largar nunca por causa do bom salário. Convém observar que, se deixarmos o poder nas mãos dessas ratazanas públicas que, além de enganadoras, não têm preparo intelectual suficiente para o cargo, a tendência é a ruína social pelo roubo e pela obstinada incapacidade de fazer bem feito o que quer que seja. * Do Depto. de Filosofia e C. Sociais/Ufac |
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