OPINIÃO
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Beneilton Damasceno *

 


Apitaram no ouvido errado

Qualquer ser que vive entre o céu e a terra sempre vai se considerar melhor do que o outro se estiver com uma arma de fogo ao seu alcance. Multiplique por dez essa convicção se o portador do instrumento for humano, more numa nação de Terceiro Mundo, seja pago pelo Estado para se julgar autoridade e, ainda por cima, receba carta branca de um superior para agir no momento que acreditar ser necessário. Multiplique outra vez se ele fizer parte de uma confraria.

Quem não tem medo de um revólver, mesmo estando ele amarrado na perna de um servidor público cujo propósito é impor respeito na marra, quase sempre acompanhado da intimidação? Afinal, é pretensão demais querer comparar o país do Pan 2007 com a Inglaterra ou o Canadá, por exemplo, onde os seres humanos de farda e coturno são excluídos sumariamente do emprego se, mesmo por um instante, imaginarem-se subestimando cidadãos aparentemente inofensivos.

Aqui é tudo diferente. Uma simples abordagem num posto aduaneiro, no trânsito ou área de fronteira pode se transformar num doloroso interrogatório. Homens despreparados e prepotentes fazem chacota, gritam e riem do zé-ninguém indefeso e resignado. E recorrem ao cassetete se houver “resistência” (leia-se reivindicar os direitos assegurados pela lei). Mulheres, idosos, deficientes, bêbados...

No Trevo de Plácido de Castro, ano passado, um soldado raso ficou uma fera porque eu me recusei a lhe informar para onde estava indo. Ninguém tem o dever de dar satisfação sobre seu destino só porque o sujeito está com um “berro” no coldre. Não tenho temor dessa gente, não devo nada a eles, a não ser o respeito - que, naturalmente, tem de ser mútuo.

Nesse bizarro episódio de segunda-feira envolvendo militares e um juiz federal durante uma blitz, no mínimo aconteceram cenas rotineiras em operações similares: xingamento, abuso de autoridade, piadinhas de mau gosto... Quem viu disse que houve até apitaço nos tímpanos do magistrado. Foi o grande pecado: mexeram com quem não deviam. O resultado todo mundo tomou conhecimento pela imprensa escrita, falada e “televisionada”. Não deu nem para abafar.

Há coisa de dois meses, um grupo de homossexuais que fazem ponto na rua Minas Gerais procurou este Página 20 para denunciar integrantes do Comando de Operações Especiais (COE), da Polícia Militar, de intimidá-los lançando bombas “mil” contra eles. A matéria foi publicada, a corporação tomou conhecimento, mas optou pelo silêncio. Sequer um singelo direito de resposta a população mereceu. A indiferença da instituição com os reclamantes, e também com os leitores, revelou seu grau de preocupação com a sociedade que paga impostos para garantir a própria segurança. Ficou por isso.

Coincidência ou não, o militar que destratou o juiz Jair Facundes é o mesmo que, há poucos meses, protagonizou uma confusão homérica na frente do prédio deste jornal, quando se negou a retirar o veículo que dirigia, impedindo o acesso e a saída de outros carros. Desafiou funcionários e depois acionou meia dúzia de companheiros fardados, que de imediato chegaram rindo e fazendo gracejos como se estivessem saindo de uma festa ou no restaurante da corporação. Coisa feia. Na presença de um monte de gente.

Tanto a Secretaria de Segurança quanto o comando-geral da PM deveriam saber que alguns policiais - a minoria, para o bem geral do povo acreano! - apresentam comportamento não condizente com a função que ocupam e por isso mesmo precisariam ser afastados do contato com pessoas de bem. Infelizmente, “pés-rapados” como eu e boa parte dos leitores não encontram prerrogativas para dar voz de prisão a esse tipo de profissionais que têm na arrogância, no deboche, no apito e na complacência dos chefões os principais mecanismos para preservar a ordem e o respeito. Pois!

* Jornalista (benedamasceno@hotmail.com)

 

 
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Rio Branco-AC, 25 de julho de 2007
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
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Com Roberta Lima
   PORONGA
Da Redação
 
 
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