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Marcos Vicentti

Investimento para o homem do campo

Governo do Estado anuncia aplicação de mais de R$ 100 milhões para o setor produtivo do Acre


Val Sales

Em um encontro inédito que reuniu os trabalhadores rurais dos vinte e dois municípios do Estado, além dos prefeitos e outros representantes de movimentos sociais, o governador Binho Marques anunciou ontem a concretização do Pacto Agrário, um compromisso de campanha assumido com a categoria em setembro do ano passado.

Em linhas gerais, o pacto pretende estabelecer novos investimentos no capital comunitário do Acre, nas áreas da política agrária, infra-estrutura, assistência técnica, crédito, saúde, educação e fóruns deliberativos para incentivar os conselhos de desenvolvimento sócio-econômico e sócio-ambiental em escala municipal e estadual para deliberar sobre o setor.

O evento foi realizado em um galpão no Parque de Exposições Marechal Castelo Branco, que ficou pequeno para acolher o grande número de produtores que vieram de todas as partes do Estado. Também se fizeram presentes os parlamentares da bancada federal - autores das emendas que garantiram parte do recurso que serão investidos nos próximos quatro anos -, além dos deputados estaduais, prefeitos e vereadores dos 22 municípios do Acre

Em seu discurso, o governador Binho Marques lembrou que a realidade do setor produtivo começou a mudar em janeiro de 1999, quando Jorge Viana assumiu a administração do Estado. “Nesse terceiro mandato fizemos um pacto agrário e hoje estamos prestando contas do que foi feito até agora e o que faremos até o ano que vem, e com certeza será o dobro do que nós pactuamos”, assegurou.

Em setembro do ano passado, Binho Marques e a bancada federal firmaram o compromisso com os produtores acreanos de investir R$ 100 milhões para o desenvolvimento do setor agrário. Na manhã de ontem, o gestor esteve novamente frente a frente com os trabalhadores do campo reafirmando o compromisso e anunciando que o investimento será concluído em menos de dois anos.

“Em agosto de 2008 nós já teremos investido R$ 100 milhões e isso é bom para os trabalhadores, que têm dificuldades, e para nós, que dependemos deles para construir uma sociedade justa. Também para que tenhamos uma vida com mais tranqüilidade e com mais alimento na mesa”, ressaltou Binho Marques.

Na oportunidade, ele garantiu ainda que a cada ano as comunidades da zona rural poderão contar com mais ramais, mais pontes e bueiros definitivos e mais mecanização. “Estamos anunciando aqui mais mecanização, mais compra de calcário, habitação rural, saúde e educação. Nós teremos um Estado organizado em todas as áreas de desenvolvimento, e a produção está, sem dúvida, entre as prioridades.”

Parceria com os prefeitos

O encontro para a consolidação do pacto entre o governo do Estado e os produtores rurais contou com a participação maciça dos prefeitos do Acre, ocasião em que todos reafirmaram o compromisso de investir na melhoria da qualidade de vida das comunidades. O prefeito de Rio Branco, Raimundo Angelim, explicou que a equipe tem observado bons resultados no investimento feito na zona rural nos dois anos e oito meses de sua administração.

“É claro que o município sozinho não consegue fazer muito e eu tenho contado com a ajuda do governo do Estado. Agora, com o lançamento desse pacto, que não é mais um discurso, mas uma realidade, o governador Binho e o presidente Lula, junto com os prefeitos, irão poder fazer um trabalho muito melhor para os produtores”, completou. Segundo ele, o produtor rural não pede muito, apenas condições de trabalho, escoamento da produção, trafegabilidade e uma extensão mais efetiva no campo.

Já o prefeito de Rodrigues Alves, Francisco Dêda, afirmou que, depois do encontro com o governador, os produtores e gestores poderão levar uma melhor perspectiva e incentivo para o povo da região do Vale do Juruá. “Os trabalhadores pedem especialmente a abertura de ramais e implementos agrícolas, para que tenha condições de ver o fruto de seu trabalho” acrescentou.

Luiz Helosnman, prefeito de Mâncio Lima, lembrou que na localidade já foi dado o pontapé inicial no trabalho de incentivo à produção rural e que agora, com a ajuda do governo federal e estadual, os grandes objetivos serão alcançados. “Já estamos auxiliando os produtores e agora os benefícios serão estendidos a toda a população com o barateamento dos produtos”, declarou.

Para o prefeito de Sena Madureira, Nilson Areal, o encontro foi uma consolidação dos avanços do pacto. “É fundamental quando se juntam os movimentos sociais, as autoridades, que decidem, e a bancada federal, que dá todo o suporte para que a gente possa implementar”, enfatizou.

A prefeita de Brasiléia, Leila Galvão, lembrou ainda que o pacto com o setor produtivo do Estado foi firmado em um momento eleitoral, sendo que, um ano depois, o governo chama as mesmas comunidades, os mesmos municípios, prefeitos e parlamentares para reassumir o compromisso de forma mais concreta. “Há uma grande expectativa por parte dos produtores que formam a maior parte da população. Precisamos de investimentos para que a gente possa dizer que a qualidade de vida está chegando a nosso Estado.”

O que dizem os produtores

“É a primeira vez na história do Acre que um governo senta com os produtores rurais para saber o que eles pensam e querem. O que nos falta são ramais para a passagem da produção. Na minha área, por exemplo, além das más condições do ramal, a estrada principal também precisa de reparo urgente por parte das autoridades do transporte.”

Maria das Dores Neves, agricultora da estrada do Barro Vermelho, quilômetro 20

“Esse encontro vem alimentar a nossa esperança, já que governos passados não davam atenção ao povo do campo, com exceção de Jorge Viana, que deu inicio à mudança agora implementada pelo governador Binho Marques. A nossa principal reclamação é quanto à abertura de ramais. Apesar do que a prefeitura tem feito, nossa situação ainda é caótica.”

Antônio José Passamani, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Plácido de Castro

“O governo precisa ter uma consciência cristalina de que produtor está precisando de estímulo para escoar seus produtos. Precisamos de incentivo real para escoar nossa produção. Na minha área, por exemplo, há mais necessidades, como a escola Sebastião Pedrosa, que está escorada com um tronco de madeira e pode cair a qualquer momento.”

Edson Rodrigues da Silva - Associação do Ramal do Limoeiro, km 14, da estrada de Porto Acre

“Somos devedores do Pronaf e temos que ter suporte para transportar nossos produtos para a venda, do contrário, não há como quitar nossas dívidas no banco. As autoridades têm que aproveitar o período da estiagem para melhorar os ramais, senão a situação vai se agravar. Não temos escassez de alimento no campo, temos, sim, dificuldade de transporte.”

Manoel da Costa - Associação Nossa Senhora Aparecida, Ramal Progresso, km 75 da estrada de Boca do Acre.

 

 

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Rio Branco-AC, 25 de agosto de 2007
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Com Leonildo Rosas
 
 
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