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Erick
Venâncio Lima do Nascimento OAB/DF nº 19.959 |
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| Alea jacta est! A sorte está lançada! Hilário de Castro Melo Júnior * A célebre frase de Gaius Julius Caesar (Caio Júlio César), líder militar e político da República de Roma, diante do atual cenário político brasileiro merece ser revivida. Dita frase, segundo os jus historiadores, foi enunciada por Julius Caesar durante pronunciamento incitante dirigido ao seu impávido exército, às margens do rio Rubicão, Norte da Itália, momentos antes da iminente guerra civil (iniciada por volta de 10 de janeiro de 49 a.C) a ser travada pelo comando da “cidade eterna” (Roma), contra a então facção conservadora do Senado Romano, cujo líder era Pompeu. Foi, portanto, o primeiro ato da guerra civil que haveria de pôr fim ao normal funcionamento das instituições políticas da solidificada República de Roma. O intento beligerante de Julius Caesar era o de instituir e comandar uma nova forma de organização política deveras mais complexa que as Cidades-Estado antigas e capaz de assegurar a paz em grandes extensões territoriais de escala supra-continental, ou seja, vislumbrava ele a formação do Imperium (Império) Romano. Preparando-se para o seu ansiado intento, iniciou uma série de reformas administrativas e econômicas em sua Roma Republicana. Perseguindo incansavelmente o seu rival Pompeu pela Itália e Hispânia foi somente no Egito que Julius Caesar teve uma ingrata surpresa e uma de suas maiores decepções: o de não ter tido a oportunidade de conceder o seu perdão a Pompeu, recentemente assassinado em luta com os próprios egípcios no ano de 48 a.C. A República Romana, de fato, aí sucumbiu. O Imperium estava por fim instaurado. Entretanto, o seu assassinato nos Idos de Março (15 de março) de 44 a.C. durante reunião do Senado, por um grupo de senadores que diziam agir em defesa da República, travou o seu trabalho e abriu caminho a uma nova instabilidade política. Vergando-se e caindo curiosamente aos pés de uma estátua de Pompeu, Julius Caesar, percebendo a presença no cenário de sua morte de dois de seus protegidos, Marcus Junius Brutus e Gaius Longinus Cassius, antes de tombar inerte no solo, ainda teve tempo de proferir suas últimas palavras: até tú Brutus? Pois bem amigos leitores, analisando ainda que superficialmente o vergonhoso cenário político que atualmente assola o nosso país, estou convencido, guardadas, claro, às devidas proporções, que o fascinante contexto histórico juliano ou “cesarino” encontra hoje múltiplas versões neoclássicas dispostas gratuitamente nos cotidianos shows midiáticos transmitidos principalmente por nossas depuradas emissoras de TVs. A mais atual: o “severinismo”. Ora, amigos, é detestável mergulharmos obrigatória e cotidianamente no mundo dessas ilações, do denuncismo, das delações premiadas, da corrupção, do “mensalão”, do “mensalinho”, do “valerioduto”, do “malufismo”, dentre outros. E o interessante é que em todas estas “novelas”, ao que se percebe, os protagonistas principais, a exemplo da relação clássica de cumplicidade em tese existente entre Julius Caesaer e Brutus, estão incumbidos de interpretar comparativamente, e em certa medida, os mesmos papéis: o de traidores e traídos. Porém, o alcance de suas interpretações são diametralmente distintos. No contexto romano da época, a cena da traição de Brutus, fiel escudeiro e protegido de Julius Caesar, foi interpretada como uma tentativa impensada de salvar o modelo republicano de governo do qual era ferrenho defensor. Ao revés, no contexto atual, a traição não é para com este ou aquele parlamentar, ou contra um mártir, ou contra o Presidente da República, ou contra determinado partido político, mas sim com o Brasil e com seu objetivo de ordem e progresso. Olvidam-se os milhares de Brutus contemporâneos que, dia após dia, os mesmos acabam com suas condutas reprováveis de locupletação da coisa pública, da res pblica, não só por sobrestarem a consolidação da nossa tão almejada democracia, mas também por desestabilizar a nossas instituições, os Poderes constituídos e suas interelações, enfim, a nossa própria República Federativa do Brasil. E isso é imperdoável. Apesar da vergonha e dos desapontamentos sofridos diuturnamente por nós brasileiros não cometeremos no revide aos malfeitores o disparate de promovermos como em Roma, durante a passagem da República para o Imperialismo, uma guerra civil ou quaisquer espécies de lutas sangrentas. Nossa maior arma será (esperamos) unicamente o voto nas eleições vindouras. O nosso batalhão será composto pelos brasileiros compromissados com a dignidade da nossa honra, do nosso povo, do nosso país. Nosso batalhão de elite será composto pelos nossos caras - pintadas, que já começam a se mobilizar. A luta contra essa írrita cólera parlamentar não se sabe ao certo onde, quando e como vai acabar e quantos prepotentes tombarão de seus até agora invioláveis postos e patentes. Com esse espírito, e com a devida vênia, inspirado em Julius Caesar, faço aqui, em nome dos milhões de indignados desse país, a convocação de nosso desarranjado, porém, impetuoso exército, gritando em altos brados: Alea Jacta Est! (A sorte está lançada)! *Advogado, doutorando em Direi-to Privado pela Universidad de Salamanca/Espanha, sócio da Prius Advocacia e Consultoria. |
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Erick Venâncio
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