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Um sonho que deve crescer Maria Reinalda dedica seu tempo cuidando de crianças carentes do bairro Jorge Lavocat |
![]() Maria Reinalda trabalha com dedicação e amor em prol das crianças do bairro |
Oprimeiro passo ela deu com ousadia, sem medo de não conseguir. Agora Maria Reinalda Duarte, 68, enfrenta desafio de manter funcionando a creche que fundou há cinco anos para abrigar crianças do bairro Jorge Lavocat. Hoje, são mais de trinta delas, que chegam todas as manhãs e saem somente no fim da tarde. A persistência ajuda Maria a continuar, mas são as dificuldades que a impedem de fazer mais. Depois do chão de terra batida, uma grande varanda que serve de sala de aula e área para lazer, daí só uma cozinha e uma sala integram o restante da creche. É na sala, que um fruto dessa solidariedade se faz presente, através das máquinas de costuras doadas para contribuir o trabalho de Maria. A oferta foi muito bem vinda, mas sem um curso e tecido, ela não pode fazer muita coisa a não ser esperar que outros ajudem. A idéia, é que mães das próprias crianças, que estão desempregadas, confeccionem roupas para vender em baixo custo à população carente e para seus filhos, que a cada temporada de frio são os que mais sofrem. Na última friagem que a cidade de Rio Branco enfrentou, esse mês, a cena que deixa evidente a situação de pobreza, se repetiu. Algumas crianças usaram somente um casaco, o único que tinham, para encarar todos os dias da friagem. Mesmo sujos, eles não podiam ser lavados, porque não havia outros para substituí-los. Nas raras vezes em que uma das crianças possui mais de um, o ato solidário de Maria é repassado por eles, que ajudam o colega. Outras vezes, são as roupas do filho adotivo de Maria, de seis anos, que ajudam. Quando o calor chega, a falta de brinquedo é vencida pela criatividade, e as crianças arrumam blusas e camisas, umas nas outras, para brincar de pula-corda. Felizmente, a única coisa que tem sido mantida através de parceiros, é a alimentação, que para muitas delas, é a único meio de se alimentar bem. É com essa simplicidade e esperança que a iniciativa de Maria Reinalda tem sido mantida. Nasce uma grande atitude Foi vendo a situação da ex-cunhada, que tem oito filhos, que Maria Reinalda decidiu fundar uma creche. No primeiro dia ela funcionou com as oito crianças, depois de um mês elas somavam mais de trinta, e teve um período em teve sessenta. Tailane Silva, é uma das veteranas, que chegou ao lugar com três anos e hoje, com oito, ainda continua indo para a creche. O pai passa muito tempo trabalhando na colônia, e a mãe, ela responde que trabalha como carteira assinada, entendendo isso como profissão, mas, na verdade, ela é empregada doméstica e seus patrões assinam a sua carteira de trabalho. Quando fala de Maria, Tailane diz que ela é sua tia, e a considera também como uma segunda mãe. “Ia ser muito ruim parar de vir aqui, Tia Maria é nossa mãe e cuida muito da gente.” Parceria que faz diferença Muitos sorrisos encontrados na creche, são de crianças com história de vida de sofrimento e carência. Três crianças que são irmãos, por exemplo, estão com a mãe internada no hospital há cinco meses. Ela tem sete filhos, está desempregada e não tem onde morar, por isso, vive com os filhos na casa do pai, que é deficiente físico. A creche é uma das poucas seguranças que ela tem. O Juizado da Infância e Juventude, Casa da Amizade, funcionário do Instituto de Meio Ambiente do Acre (Imac), Banco do Brasil, Projeto Mesa Brasil (do Sesc) e igrejas são os parceiros permanentes da creche. Mas a ajuda não é suficiente quando a causa é ainda maior, e necessitada de maiores perspectivas, por isso, a importância de mais parceiros. Dedicação e determinação Alguns pais que trabalham, para ajudar, pagam uma taxa de R$ 50 à Maria, mas o número é insignificante, apenas seis conseguem fazer isso. As quatro ajudantes que ela tem, três são mães de crianças que freqüentam o lugar, e tentam colaborar da maneira que podem. “Minha vida inteira é aqui, se cada um fizer um pouco, ajuda. Essas crianças não podem voltar a ficar o dia todo em casa ou na rua. Algumas sofrem violência dentro do lar e esse é o espaço em que se sentem seguras”, diz Maria. É com esperança de fazer mais que Maria vai dando continuidade ao seu trabalho, dia após dia, enfrentando as dificuldades, vencendo os obstáculos Para ajudar: |
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