| OPINIÃO | ||
| CRÔNICA DE DOMINGO | ||
Florentina Esteves |
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À magia das palavras Da mesma maneira que os costumes, as palavras podem cair em desuso. E como os perfumes, elas também têm um efeito evocador. Is to sem falar do óbvio das palavras onomatopaicas. Quem não ouve uma cachoeira jorrar ao som do repetido “chuá, chuá”? E é tão rico nosso vocabulário de palavras onomatopaicas, que o engenho de um poeta poderia fazer um belo poema só delas. Ou “musicar” um soneto, indo além das rimas, apenas usando aquelas palavras de melodioso efeito sonoro como “acalanto, batucada, chamego, carinho, lembrança, horizonte’” tantas...! Mas falávamos das palavras que podem sair da moda. “Retreta”, por exemplo. Nestes tempos de recursos estereofônicos, quem se poria a rodar em torno de um coreto para ouvir o som de uma simples bandinha? E com a mudança de hábitos, lá se vai nossa “retreta”. E “gramofone”? Este evoluiu para “vitrola”, e desta para “som”. “Disco” passou para LP e agora é CD ou DVD. “Vapor” hoje é navio. E no tempo em que nossa economia tinha como base o extrativismo, aquele que cuidava da contabilidade do seringal se chamava “guarda-livros”. Lá ou aqui na cidade, hoje se diz “contador”. Também aqui em Rio Branco, tínhamos a “bodega” - pequeno comércio de secos e molhados. E agora? Lá vem a ampliação dela e evoluímos para a “mercearia.”, e, desta, para “supermercado”. De um modo geral, as palavras em “u” não são melodiosas. Ao contrário, sugerem dureza, brutalidade, dificuldade. Veja-se “luta, bruto, murro” e uma infinidade delas. Quanto a “abrupto”, juro que ao evocá-la tenho a impressão de um esforço que tropeçou no “p”, após o obstáculo do “u”. E veja esta: “lúgubre””. Não nos vem logo a impressão de morte e escuro? Mas meus encantos vão para uma palavra que, apesar de ser com “u”, sugere a delicadeza de um suave envolvimento: “ternura”. Sinto-a envolta em diáfanas nuvens. E nada de mais expressivo encontro para expressar a manifestação de amor e de carinho. Falemos também de palavras que parecem cercadas por um halo: “felicidade”. Não lembra um amanhecer radioso? E “liberdade”? Toda uma estrada clara e sem fim se abre à nossa imaginação. E lá se vai nossa imaginação navegando, quando deparamos com a palavra “fada”. Pronto. Logo um cenário de lindos castelos se estampa à nossa frente, envolto em etérea bruma, e cercados de mimosos e floridos jardins. Saindo de um dos castelos, uma linda princesa, em fulgente carruagem, como que paira, conduzida por estrelada varinha de condão. Mas voltando aquelas palavras que caíram de moda, e hoje não mais encontram seu correspondente em nossos usos e costumes, lembramos de “espadachim”, “fidalgo”. Elas nos remetem, sim, aos tempos de reis e nobreza, e disputas pelo amor de uma princesa, ou ato heróico em defesa da honra. Ou seja, todo um cenário de romântica realeza. E às histórias de fadas, duendes, bruxas e de reis e de rainhas de nossa infância, vem-se juntar uma palavra de significado repleto de magia, que lembra enevoado cenário de floresta: “lenhador”. Quem não a associa, de pronto, a encantamento, cavaleiro andante e lindos animais de caça, riacho sussurrante? E poderíamos ir muito longe, falando da magia das palavras, mas, por ora, nos limitamos a essas, e continuaremos sonhando com muitas outras. * Professora e Escritora |
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| GIRO GERAL |
| Com Moisés Alencastro |
| NA TRIBO |
| Com Roberta Lima |
| PORONGA |
| Com Leonildo Rosas |
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