PÁGINA DO EMPREENDEDOR

Um negócio picante

Agricultor descobriu nos molhos de pimenta um meio de beneficiar sua produção e melhorar a renda

Juracy Xangai
Cerca de 100 garrafas de molho são vendidas na feira do mercado toda semana

Juracy Xangai

Quando chegou ao Acre em 23 de outubro de 1980, o goiano Nelsorim Alves Guimarães, 59 estava cheio de esperança de conseguir um pedaço de chão e ali fincar para sempre suas raízes, produzir e poder dar à família uma vida mais digna.

O desejo realizou-se imediatamente e mal continha sua alegria ao ser assentado pelo Incra num dos lotes do ramal Santa Maria, ao qual se entra à esquerda no quilômetro 70 da BR-364 no sentido Rio Branco-Porto Velho. Mas a malária, a falta de estradas, de assistência técnica e de crédito para melhorar a produção o levaram a vender a colônia e vir morar em Rio Branco, a exemplo do que tem ocorrido com muitos parceleiros.

“Derrubei a mata, plantei milho, arroz, feijão e mandioca, criei gado, trabalhei muito, sofri porque nós fizemos nossa parte, mas o governo não fez a dele. Lamentei vender a colônia, mas fiz para poder oferecer uma oportunidade melhor aos meus filhos. Quem continuou morando lá dentro ainda sofre com os mesmos problemas”, desabafa.

Mas o sonho de ter seu pedacinho de chão nunca deixou sua memória. Ele persistiu até que conseguiu ser um dos assentados do Pólo Hortigranjeiro Hélio Pimenta, onde mora há 13 anos. “O lote é pequeno e a terra já estava maltratada pelo pasto de braquiarão, mas o que a gente sabe fazer é trabalhar, então produzo verduras e frutas, mas o produto principal são as pimentas, com as quais preparo estes molhos que vendo todo final de semana aqui ira do Mercado Novo e entrego também para outras bancas”, garante.

Fazendo uma média de cem garrafas de molho por semana, ele as tempera com pimentas malaguetas, chinesas, murupi e olho-de-bode. “A murupi é a mais forte e malagueta a preferida verde ou madura sempre misturadas no tucupi”, diz.

Quanto à fórmula de seus molhos tidos como os melhores e mais saborosos do mercado, ele não conta a ninguém, mas explica. “A gente vai experimentando as misturas até achar o ponto certo, isso só se consegue com muita experiência no preparo”.

Ele então aproveita para dar sua palavra em favor dos trabalhadores do campo. “Nossos políticos se preocupam muito com o poder e se esquecem que a gente elege eles para trabalhar em nosso favor. É preciso dar ao povo da roça o mesmo apoio que dão para as cidades onde é feita a maior parte dos investimentos. Esquecem que só comem porque a gente planta. Nós não queremos muito, só ramal, orientação, assistência técnica e crédito. O governo atual tem prometido isso e a gente continua cheio de esperança de que um dia isso se realize para que outros não tenham de vender suas colônias, como eu mesmo tive que fazer.”

Moda reciclada

Doações internacionais alimentam brechós que beneficiam carentes e consumidores conscientes

Juracy Xangai

Lojas que vendem roupas e acessórios como bolsas, colares, pulseiras, sapatos e tênis usados são comuns e muito freqüentadas em países desenvolvidos como Estados Unidos e Europa, só que no Brasil muita gente torce o nariz considerando que são o último recurso para quem não tem como comprar uma roupa nova.

Mas essa mentalidade está mudando e os brechós (loja de usados) multiplicam-se em todo o país e particularmente no Acre, acompanhados de um fenômeno mundial que é o surgimento de uma nova classe: a dos consumidores conscientes. Devotados às causas ambientais, estes vêem na compra de roupas usadas uma maneira de contribuir para preservação dando um melhor aproveitamento para roupas que depois de lavadas e devidamente passadas são tão boas quanto as novinhas e ainda com a vantagem de estarem mais amaciadas.

Juracy Xangai
Gleison abriu seu primeiro brechó há 15 anos

“Há 15 anos quando abrimos o primeiro brechó do Acre, ali no Segundo Distrito. A maioria das pessoas que nos compravam era de colonos e gente que não podia comprar roupas novas. Hoje eles continuam comprando, mas também aqueles que vivem bem, mas descobriram que nas nossas lojas têm muita roupa de grife como as calças Lee americanas e camisas da Dijon, por exemplo, que só foram usadas umas poucas vezes e que estão como novas”, explica Gleison Marcos da Silva Araújo, 23, filho do dono da Loja de Roupas Usadas, na rua Benjamim Constant, 383, próximo ao Mercado Novo.

Ele lembra que seu pai trabalhava como vigilante em Porto Velho (RO), onde havia uma dessas lojas e que tinha grande freguesia. Vindo numa visita a Rio Branco descobriu que não havia nenhuma dessas lojas na cidade, viu nisso a oportunidade de criar seu próprio negócio e deixar de ser empregado. A idéia vingou, chegaram a ter duas lojas no Segundo Distrito, daí optaram por ter apenas uma, em ponto estratégico próximo ao Terminal Urbano por onde circulam pessoas de toda a capital.

“Fazemos nossas encomendas de São Paulo, onde há lojas especializadas para distribuição de roupas usadas que vem para o Brasil como doação internacional para entidades beneficentes. Elas vendem parte do que recebem para que com o dinheiro possam comprar outros produtos de que necessitam, assim todo mundo sai beneficiado”, esclarece.

Hoje haveria mais de 15 brechós espalhados pela capital e pelo menos um em cada município. “É um bom negócio, mas exige alguns cuidados para garantir o estoque. Os produtos mais vendidos são calças jeans e camisas para homens, mas a verdade é que tudo vende bem.”

 

 

E x p e d i e n t e :
Textos publicados nesta página são de responsabilidade da Unidade de Comunicação e Marketing do Sebrae no Acre - Jornalista Responsável: Lula Melo - fotos: Evandro Souza e Claudwilson Diogenes. Colaboradores: Juracy Xangai, Vanessa França vanessa@ac.sebrae.com.br e Sandra Assunção. Sugestões, comentários e-mail para ascom@ac.sebrae.com.br

 

 
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Rio Branco-AC, 25 de novembro de 2007
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