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Safra do açaí chega depois de recuperação da floresta Frutos começam a abastecer grandes supermercados da capital |
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Fruto amazônico que hoje faz fama no mundo, o açaí vem sendo a principal fonte econômica de José Maria Cabral, 46, pai de três filhos há mais de 18 anos proprietário da empresa Frutos da Amazônia 100% Natural que hoje abastece as gôndolas dos sete maiores supermercados da Capital. Ele lembra que naquele tempo comprava a maior parte dos frutos vindos de áreas próximas à Rio Branco como as terras do Jacaré, Belo Jardim e Catuaba no Segundo Distrito, Boa Água e Quixadá se destacavam por ser área em que os frutos amadureciam primeiro, depois chegavam os da transacreana, Humaitá e estrada de Boca do Acre. “Aqui tinha muito açaí, mas daí o pessoal foi desmatando, desmatando e os frutos se alongando cada vez mais. Passamos a receber mais da estrada de Plácido de Castro e hoje, onde tem açaí mesmo é na Bolívi, lá pelos lados do igarapé Rapinrrã, dá gosto de ver”, garante. A fábrica de polpa de açaí foi iniciada com uma máquina alugada, hoje são seis delas gerando emprego para mais de dez pessoas durante toda a safra. Até porque, alguns colhedores como Vaileudo de Souza Freire, 23 anos, pai de um filho tira turnos como colhedor e batedor de açaí. “Nasci no seringal São Romão, em Manuel Urbano onde a gente colhia muito açaí para comer mesmo. Aos 12anso vim para Rio Branco e com 14 comecei a ir pra mata com o pessoal colher açaí para vender. Hoje trabalho fando a verificação e marcação de árvores em manejo florestal, mas são serviços temporários, então aproveito o tempo vago para colher açaí e com isto acabo ganhando duas vezes mais dinheiro que no trabalho do manejo florestal”. Garante. Safra forte José Maria lembra que em 2005 conseguiu colher mais de 1.200 latas na floresta da Fazenda Bonal, mas com a seca daquele ano, a produção caiu para apenas 200 latas em 2006, o que acabou causando a falta do produto e diminuiu o dinheiro no bolso dos trabalhadores. “2005 foi um ano difícil na vida dos catadores de açaí, a seca castigou muito a floresta, por isso a produção foi baixa, mas neste ano está uma beleza. Normalmente uma árvore dá dois três cachos de uma vez, mas nas ´´areas onde andei colhendo achei muitas delas com até seis cachos e isso é muito bom”, garante o empresário. Apesar da boa produção, a maior parte dos frutos ainda estão verdes por isso ainda não há tanto açaí na cidade. “A gente só colhe os cachos bem maduros, senão não dá um vinho que preste. Se tivesse açaí suficiente poderia produzir pelo menos mil litros por dia que não faltaria comprador, mas neste momento, só estou vendendo uma média de 250 litros por dia”. Ele lembra que me 2002 fez sua primeira venda de açaí para a rede de supermercados Araújo hoje composto por cinco lojas, mas agora também fornece para os superemercados Gonçalves e Pague Pouco. “Os consultores do Sebrae vieram estudar nosso negócio, verificaram as vantagens e problemas, fizeram um relatório e eu estou esperando para conhecer o resultado e saber no que é que vai dar. Nossa esperança é a de que com isso o governo ou sei-lá quem, possa organizar uma política de apoio para o aproveitamento destes produtos, como também o plantio do açaí antes que ele se acabe”, afirma com ar de preocupação. José explica que se tivesse o apoio necessário, ele gostaria de fazer seu próprio plantio de açaí de touceiura. “Os de touceira começam a produzir com três anos, enquanto nos nossos só fazem isso com mais de dez. O problema é que pelo menos oitoem cada dez pessoas prefere comer o açaí nativo porque é mesmo mais gostoso, já o de touceira produz mais e mais rápido só que o pessoal não gosta tanto”. Tecnologia na floresta A peconha, arco de cordas que os catadores põem nos pés para subir nos açaizeiros em busca do cachos de fruta, é ferramenta tradicional que para as autoridades trabalhistas estaria com os dias contados porque não daria segurança suficiente para os colhedores. “A gente entende os esforço dos fiscais, mas estamos acostumados com o uso da peçonha e até ficamos todo atrapalhados para usar aquelas coisas que eles querem que a gente use. O que nós estamos precisando mesmo, é aprender como é que um americano está levando açaí da Amazônia para ser beneficiado nos Estados Unidos. Isto porque ele sabe como conservar os frutos por mais tempo, sem perder suas qualidades. Se a gente conhecesse esse segredo, não parava de produzir açaí o ano inteiro”. |
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