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POLÍTICA

Profissionais de Saúde alertam população sobre a hanseníase

Marcos Vicentti
MS define que para alcançar eliminação
da doença é necessária a incidência
de 1 caso para cada 10 mil


Atividades educativas e sensibilização da população marcam a solenidade de abertura do Dia Mundial de Combate à Hanseníase no Acre prevista para acontecer nesta sexta-feira. A mobilização será no Senadinho, em frente ao Palácio das Secretarias, a partir das 8 horas. O Dia Mundial de Combate à Hanseníase é comemorado sempre no último domingo do mês de janeiro. A hanseníase, antigamente conhecida como “lepra” ou “mal de Lázaro”, é uma das mais antigas doenças da humanidade, causada por uma bactéria (bacilo de Hansen) que compromete principalmente a pele e os nervos, deixando seqüelas graves se não for tratada precocemente.

A transmissão acontece por vias respiratórias (nariz e boca), sendo necessário um contato íntimo e prolongado com um doente sem tratamento para adquirir a doença. São poucas as pessoas que adoecem porque 90% das pessoas têm resistência natural e não ficam doentes mesmo tendo contato com pessoas acometidas.

De acordo com a coordenadora do setor de Dermatologia Sanitária do Hospital de Base, Franciele Gonçalvez, diversos profissionais da área de saúde vão orientar a população para que reconheçam os sinais e sintomas, facilitando o diagnóstico precoce. Exposição de cartazes, distribuição de panfletos e exibição de vídeos educativos farão parte da programação.

O Ministério da Saúde define que para alcançar a meta de eliminação da doença é necessária a incidência de 1 caso para cada 10 mil habitantes. O Acre apresentou uma proporção de 4 para cada 10 mil. Mesmo assim, está entre os estados da região Norte que apresenta menor índice de casos de hanseníase. “Na década de 80, a média era de 110 casos para cada grupo de 10 mil habitantes”, lembra a coordenadora.

Atualmente o Governo Federal distribui gratuitamente os medicamentos aos 499 pacientes em tratamento no estado. A diminuição de incidência da doença na região se deve a intensificação do trabalho da Secretaria Estadual e Municipal de Saúde, que desenvolvem campanhas de prevenção e qualificação de pessoal.

Intensificação das campanhas preventivas: Um grupo de 212 professores percorreu as cidades de Sena Madureira, Manuel Urbano, Santa Rosa, e também as comunidades de cinco aldeias e dos Rios do Rola, Caeté, Iacá e Purus para orientar a população. No ano passado, foram realizadas três etapas da campanha Força Tarefa, uma parceria do governo do Estado, Ministério da Saúde e Sociedade de Dermatologia do Rio de Janeiro que possibilitou que médicos dermatologistas visitassem todos os municípios do Acre consultando os pacientes que apresente qualquer dos sintomas da hanseníase. Em Rio Branco os acadêmicos de medicina e alunos da rede pública e privada também são alvos das campanhas que visam difundir a prevenção da hanseníase.

A coordenadora esclarece que o diagnóstico precoce é a forma mais eficiente para se combater a hanseníase. Manchas brancas e avermelhadas que apresentem sinais de dormência devem receber atenção especial. Ao menor sintoma da doença a recomendação é procurar o Posto Médico mais próximo, ou se dirigir ao setor de dermatologia do Hospital de Base de Rio Branco. Em todos os 22 municípios do Estado, existe pelo uma pessoa capacitada a realizar o diagnóstico e acompanhar o tratamento. Ao tomar a primeira dose da medicação, o paciente não oferece mais o risco de contágio. As secretarias de saúde possuem um rigoroso sistema de monitoração e acompanhamento que permite o diagnóstico precoce.

Principais sintomas da doença por ordem de ocorrência

Pele: manchas avermelhadas ou esbranquiçadas e regiões “anestesiadas”; perda de pêlos nas regiões afetadas, caroços ou nódulos, dores, cãibras e formigamento de mãos e pés.

Nervos: perda de movimento de pés e mãos, diminuição da força muscular, ressecamento dos olhos, atrofia dos dedos.

Colônia Souza Araújo

O tratamento para a hanseníase só foi descoberto na década de 80, antes disso, as pessoas que adquiriam a doença eram obrigadas a se isolar como forma de evitar o contágio de outras pessoas, mas principalmente por causa do preconceito da sociedade.

Em Rio Branco, em 1928 foi fundada a Colônia Souza Araújo, com a finalidade de oferecer uma vida mais digna aos portadores da hanseníase. O local hoje possui 41 moradores, e é administrado pela Diocese de Rio Branco, em parceria com o governo do Estado.

 
 
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Rio Branco-AC, 26 de janeiro de 2007
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Da Redação
 
 
P E S Q U I S A