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Padaria quer abolir o uso do plástico Consciência ambiental faz comerciante abandonar sacolas para voltar ao uso dos tradicionais papéis de pão |
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A consciência ambiental do comerciante Amarildo Vale não vem de discursos políticos e sim de seu olhar crítico sobre o que presencia diariamente. Morador do bairro Cidade Nova, que anualmente acompanha o transbordamento do Rio Acre bem de perto, ele sabe do agravamento do fenômeno natural provocado pelo lixo, comumente arrastado pela correnteza do afluente. Amarildo não se cansa de olhar a quantidade de garrafas pets e de sacolas que são jogadas pela própria população dentro do rio. Ele condena a ação e diz que sua maior dor foi ver um dia um peixe morto asfixiado dentro de uma sacola de plástico. “O plástico é uma verdadeira praga para o meio ambiente. Pesquisei e vi que alguns tipos demoram até 400 anos para se decompor. Então porque a gente simplesmente não deixa de usa-lo, já que temos que fazer alguma coisa urgente para salvar a natureza?”, indaga o comerciante. Esta pergunta ele respondeu com uma iniciativa simples, mas capaz de causar grandes transformações se for tomada como exemplo. Amarildo é dono de uma padaria na rua Nossa Senhora da Conceição, no bairro 15, que leva o nome de “V. Lima”. Recentemente ele aderiu ao uso dos tradicionais papéis de pão - que na verdade possuem forma de sacos e com personalização - para reduzir o uso desnecessário de sacolas. O comerciante conta que encontrou os sacos de papel em uma página da Internet e resolveu experimentar. “O grupo que produz este material é de Minas Gerais e eu encomendei inicialmente cerca de oito milheiros deles, entre sacos pequenos, médios e grandes”, completou. Cada milheiro comprado por Amarildo estampa em suas embalagens textos que incentivam a preservação do meio ambiente. Alguns trazem especificações de que foram produzidos a partir de florestas plantadas e reflorestadas e que chegaram no mercado para acabar com o maior vilão do meio ambiente: os sacos plásticos. “Na disputa entre o plástico e o papel, o plástico saiu vitorioso. Seu processo de produção é mais barato. Mas com isso o ambiente saiu perdendo. Sacos de plástico levam um tempo quase infinito para desaparecer nos aterros sanitários”, é o que está escrito em algumas embalagens. Para o cliente da padaria, Ralf Adão da Silveira, tudo o que é feito em benefício da natureza é muito bem vindo. Por isso ele acredita que Amarildo está de parabéns em começar a disseminar no Estado uma prática que já deveria ser mais comum entre os grandes comerciantes. “A gente percebe a falta de consciência que alguns comerciantes têm quando além de usar o saco de papel para embalar um salgado e em seguida o colocam dentro de uma sacola de plástico. Duas embalagens são desnecessárias e acabam produzindo mais lixo”, destaca. Amarildo afirma que tem recebido muitos elogios por parte dos clientes. Alguns dizem até que não vão mais comprar nada em outras padarias. A fidelidade da clientela ele não atribui somente ao uso dos sacos de papel. “Produzimos o pão mais gostoso e mais barato da região”, orgulha-se. |
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