| COTIDIANO | |
De portas abertas para a cultura Cidade de Sena Madureira ganha espaço privilegiado para realização de eventos culturais |
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No último dia 20, o município de Sena Madureira deu um salto rumo ao futuro. Inaugurou um espaço cultural que há tempo a sociedade local pedia ao poder público. Diante de pelo menos duas mil pessoas, a prefeitura da cidade entregou a Concha Acústica, obra localizada na área onde, um dia, aviões desciam e subiam levando passageiros pelos céus rumo à capital do Estado. A Concha custou, segundo o prefeito Nilson Areal, R$ 740 mil, e só foi possível a sua construção devido à emenda do ex-deputado federal Junior Betão, tido na cidade como aliado importante dos interesses de Sena nos quatros anos em que ficou em Brasília. A obra não leva o seu nome, mas o de um trabalhador local que começou o trabalho e morreu antes de seu término. “João Ribeiro era um empreiteiro da cidade, e quando muitos não acreditavam que a obra ficasse pronta hoje ela está aqui concluída para a nossa comunidade. Pusemos o nome de ‘Concha João Ribeiro’ para homenagear um homem simples que sonhou com a gente essa grande realização. Infelizmente ele não está aqui”, afirmou o prefeito. Muitos compareceram ao evento grandioso em Sena na noite da última sexta-feira. Vereadores da cidade, deputados estaduais eleitos prioritariamente com os votos do município [Mazinho e Gilberto Diniz], além de parlamentares que foram prestigiar a inauguração, como foram os casos de Walter Prado e Naluh Gouveia. Também se fez presente o governador Binho Marques, que durante o dia havia inaugurado uma fábrica de gelo [para atender pescadores] e anunciado o curso de Economia na Ufac para formar os próximos economistas da cidade. Em discurso, Binho afirmou que pensava que conhecia o prefeito Nilson. “Pensei que o conhecia bem, mas hoje vi que ele é mais que um prefeito. Nilson Areal é um agitador cultural. É muito bom encerrar o dia com uma obra que vai ajudar a cultura do município. Sena entrará no circuito dos grandes eventos da capital”, garantiu o governador. E é isso que a cidade quer. Inserir-se definitivamente no calendário cultural do estado. Nenhuma cidade sobrevive e se desenvolve, em sua plenitude, sem cultura, já ensinavam os gregos na sua antiga sabedoria. O prefeito Nilson sabe que os primeiros passos estão sendo dados. “É apenas o início, mas todo processo vitorioso tem que ter um começo assim, cheio de esperança”, disse à reportagem. Considerada a mais festeira do estado, Sena abre as portas para a cultura no momento atual com muito mais fervor e entusiasmo. Dona do Festival mais famoso do Acre, o ‘Festival do Mandi’, o município se prepara para novos saltos culturais. A cidade ainda não tem um teatro [já teve o Teatro Ceci, dos áureos tempos da borracha, que a minissérie Amazônia esqueceu], mas a Concha, agora pronta, cumprirá o papel de ser o palco dos grandes espetáculos cênicos que toda Sena espera ver. Até que um teatro volte a ser realidade. “A cidade tem uma tradição cultural imensa. Estamos recuperando a capacidade de Sena voltar a brilhar com a sua arte. E também queremos ver o que está se produzindo no Acre e em outros estados. O governador Binho prometeu que estaremos no roteiro dos eventos do seu governo. Isso será muito bom”, ressaltou o prefeito Nilson. A cidade do futuro e da vida Durante a inauguração da Concha Acústica, uma personagem chamou atenção dos populares: Padre Paolino Baldassari. Ele é tão amado pela maioria da população que foi o único dos presentes no palco da Concha a ser aplaudido de pé enquanto falava. Paolino, com seu jeito conhecido de todos na comunidade, afirmou que veio da Itália e que sempre pedia a seus familiares recursos para ajudar Sena Madureira. “Nunca pedi que eles viessem aqui. Dizia que se eles mandassem o dinheiro que tinham para passear eu usaria para ajudar as pessoas carentes da cidade. Sena é a cidade do futuro. É a cidade da vida”, disse arrancando aplausos do povo e até dos líderes de outras igrejas presentes. E é isso que Paolino faz esses anos todos com os recursos que recebe dos seus familiares italianos, que este ano não mandaram menos, mas vieram conhecer a cidade que o Padre escolheu para viver e para morrer, conforme confidenciou em seu discurso. “Quero morrer nos barrancos do Iaco, do Macauã, e do Purus”, afirmou, para mais uma vez a platéia e os políticos presentes se curvarem diante da maior estrela viva de Sena Madureira. Quando foi falar sobre a Concha que estava sendo entregue pela prefeitura da cidade, Paolino novamente mostrou sua capacidade herdada de homem bom e dedicado à causa dos pobres. Há uma lenda em Sena que diz que quando o Padre Paolino abençoa uma coisa ou alguém você pode dormir sossegado. “Aqui é um espaço cultural. Eu abençôo esta obra. Cultura é uma inspiração divina”, sentenciou, para a tranqüilidade de todos. Inspiração e cultura, que Sena começa a reviver em busca do tempo perdido. |
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| GIRO GERAL |
| Com Moisés Alencastro |
| NA TRIBO |
| Com Roberta Lima |
| PORONGA |
| Da Redação |
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