POLÍTICA

Zé Dirceu reafirma que é inocente

Em encontro com petistas do Acre, ex-ministro diz que PSDB e PFL estão sendo atingidos com a mesma arma que feriu o PT

Regiclay Saady
Ex-ministro José Dirceu entre
as lideranças petistas do Acre


Tião Maia

O ex-ministro José Dirceu disse ontem, em Rio Branco (AC), que os líderes do PFL e o PSDB, que vêm apontando erro de conduta da Polícia Federal na condução das investigações da chamada “Operação Navalha” e alegam inexistência de provas contra alguns de seus quadros envolvidos nas operações ilegais do empresário Zuleido Veras, estão sendo feridos com a mesma arma com a qual tentaram ferir o PT e o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, há dois anos.

“Quem falava de boca cheia contra nós há dois anos agora está aí, todo enrolado, inclusive sendo contra a instalação de CPI”, acrescentou o ex-minustro durante uma reunião, no auditório da Secretaria de Fazenda do governo do Acre, com militantes e parlamentares do PT, ao apontar diretamente o PSDB e o PFL como os principais partidos que conduziram a campanha de difamação contra os petistas. “Nunca houve uma campanha tão odiosa, um verdadeiro linchamento contra o PT. E hoje, quem promoveu aquilo fala em presunção da inocência. Só que, para nós do PT, não houve a presunção da inocência”, acrescentou. Dos parlamentares petistas do Acre, compareceram ao ato os senadores Sibá Machado e Tião Viana e o deputado federal Nilson Mourão.

Foi a primeira vez que José Dirceu veio ao Acre depois da cassação de seu mandato na Câmara Federal, em 30 de novembro de 2005, por 293 votos a 192, acusado de quebra de decoro parlamentar por ser o suposto operador do esquema “mensalão”, de compra de votos de parlamentares aliados para votar projetos de interesse do governo. Dirceu voltou a negar participação no episíodio e se apresentou como vítima ou o bode expiatório através da qual “a direita” tentou atingir o presidente Lula para impedir sua reeleição em 2006. “A CPI dos Bingos ou a dos Correios não encontraram nada contra mim nos 30 meses em que passei no Ministério da Casa Civil. Aquilo foi um pretexto para tentar derrotar o PT”, afirmou.

José Dirceu admitiu que, ao renunciar a Casa Civil do governo Lula, reassumiu o mandato de deputado federal, em junho de 2006, com a intenção de defender a si e o goverrno das acusações patrocinadas pelo então deputado federal Roberto Jefferson (PTB-RJ), que também seria cassado. “Só que, ao chegar à Câmara, logo percebi o quadro de que meu mandato seria cassado”, admitiu. “Tomei a decisão de renunciar o mandato para preservar meus direitos políticos e ser candidato em 2006.”

Decisão tomada, o problema se deu em casa, com a mulhr Maria Rita. “Quando eu a comuniquei da minha decisão, ela fez um discurso radical contra isso. Foi quando eu vi, pelo Brasil afora, cada um dos militantes do PT. Foi quando tomei a decisão de não renunciar para poder estar aqui hoje, olhando nos olhos de vocês”, disse um Zé Dirceu visivelmente emocionado. “Se renunciasse, estaria aceitando o que fizeram não contra mim, mas contra vocês. Ao me cassar, a Câmara cassou o que eu represento - a resistência à ditadura militar pela luta armada, a luta pela anistia, a construção do PT, a campanha pelas Diretas e a formação de um governo realmente popular”, afirmou.

Uma vez cassado, José Dirceu, segundo o próprio, passou a estabelecer estratégias para recomeçara vida, agora desempregado, sem renda, sem poder. “Primeiro, tive que reaprender a fazer algumas coisas, como advogar. Depois, a fazer consultoria - isso com a imprensa contra, me acusando, tentando me exilar dentro do próprio Brasil, fazendo campanha para que eu fosse destratado em restaurantes, nos cinemas, nos aeroportos”, disse. “Tenho duas filhas para sustentar e tive que reaprender essas coisas, suportando tudo, andando muito, andando o mundo, o que sempre fiz, o que aprendi como militante politico e revolucionário latino-americano.”

José Dirceu disse que essas viagens pelo Brasil são o reflexo disso. “Eu recomecei também a vida escrevendo um blog e para o Jornal do Brasil. Pensava escrever um livro, mas logo vi as implicações futuras e desisiti e concluí que só tomaria uma decisão em busca de anistisa depois de olhar os militantes petistas de todo o país”, disse. “O que eu quero hoje é ser julgado. Gostaria de que o Supremo me julgasse pelo menos dentro de cinco anos. Mas sei que meu caso não vai ter solução fácil”, acrescentou Dirceu, admitindo que o processo pode inclusive prescrever sem ir a julgamento.

 
 
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Rio Branco-AC, 26 de maio de 2007
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Da Redação
 
 
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