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| Passagem da tocha do Pan em Rio Branco emociona acreanos
Euforia marca a solenidade de acendimento da pira olímpica |
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Whilley Araújo Fotos: Marcos Vicentti Depois de percorrer 24 cidades brasileiras, a chama olímpica que acenderá a tocha do Pan 2007 chegou no último domingo a Rio Branco. A passagem do símbolo máximo dos jogos foi marcada por uma grande festa da população acreana, que vibrava ao ver o revezamento da tocha pelas ruas da capital. A chama chegou a Rio Branco por volta das 12h30. Ela foi trazida pelo acreano Carlão Gouveia, ex-jogador e capitão da Seleção Brasileira de Vôlei, que foi recebido pelo governador Binho Marques e pelo prefeito Raimundo Angelim no aeroporto. Ao desembarcar na capital, o embaixador do revezamento em Rio Branco se emocionou. “Estou muito feliz por estar na terra onde nasci participando dessa grande festa”, disse Carlão, com lágrimas nos olhos. De lá, a chama olímpica seguiu para a Usina de Artes João Donato, onde, no início da tarde, o prefeito Angelim acendeu a pira Pan-Americana e passou-a às mãos de Elenira Mendes, filha do líder ecologista Chico Mendes. O ato marcou o início do revezamento de 60 personalidades que levaram o fogo do esporte durante toda a tarde pelas ruas de Rio Branco. Antes de iniciar a corrida, Elenira comentou que estava muito realizada com a honra de poder fazer a abertura do revezamento olímpico no Acre. “É uma emoção muito grande só de poder estar participando; ser a primeira é um sonho maior”, frisou.
Angelim também se sentiu honrado por ser um dos participantes do evento. Ele destacou que ser prefeito naquele momento era extremamente gratificante. “É realmente um momento histórico para o Acre e para Rio Branco. O esporte integra os povos, é a visão da paz e de um futuro mais solidário e unificado entre todas as raças. Sinto-me um privilegiado por ter acendido a pira olímpica, dando início ao revezamento de 24 quilômetros”, acrescentou. De mão em mão, a tocha foi conduzida por desportistas em atividade, ex-atletas, seringueiros, garis, portadores de necessidades especiais, modelos, atores, líderes religiosos e outras personalidades da sociedade acreana. Entre todos os condutores da chama olímpica, a pessoa de mais idade foi Maria de Nazaré Moraes, 74 anos. Ex-costureira, lavadeira e empregada doméstica, Nazaré foi escolhida entre os membros do grupo da terceira idade para conduzir a tocha. “Bastavam dois passos com a tocha e eu já estaria completamente realizada”, comentou a aposentada, com um grande sorriso no rosto. O campeão brasileiro de Kung Fu, Janilton Alves, que tem apenas um braço, também conduziu a tocha. Ele declarou que aquele era o momento mais importante de sua vida como atleta. “Jamais pensei que seria escolhido para correr com a tocha. Sinto-me um privilegiado por poder participar dessa grande festa”, completou. A atriz Brendha Hadad foi uma das condutoras da tocha que mais emocionou o público. Ao entregar a chama olímpica para a ex-miss Acre, Maria Claudia Barretto, Brendha beijou o solo acreano, demonstrando todo o amor que sente pela terra natal.
Homenagem à Bolívia na Praça da Revolução Um dos momentos mais marcantes durante a passagem da chama olímpica por Rio Branco foi quando a tocha chegou à Praça da Revolução. Na oportunidade, a professora Lucília Parra, sobrinha-bisneta de Plácido de Castro, repassou o símbolo dos jogos Pan-Americanos ao ex-jogador de futebol da Bolívia, Moisés Lima, o Totoyo, considerado um dos maiores ícones do esporte de Pando. Durante a homenagem à Bolívia, o governador do Departamento de Pando, Leopoldo Fernandez, disse estar honrado por seu país ser representado pelo Acre. “Principalmente nós, que nascemos em Pando, um lugar que sempre foi dividido entre brasileiros e bolivianos. Estamos extremamente contentes”, enfatizou, acrescentando que sempre se sentia muito feliz em visitar Rio Branco, lugar, que segundo ele, há novidades constantemente, está crescendo e é bem cuidado pelos seus administradores. A sobrinha-bisneta de Plácido lembrou que a praça onde aconteceu a solenidade antes era um palco de mortes e de sangue derramado nos conflitos entre Brasil e Bolívia, porém, com a chegada da tocha, passou a representar a amizade, fraternidade e amor entre os povos. “Estou muito feliz por participar desse momento histórico, acredito que todos os bolivianos - representados pelo atleta Totoyo - tenham o mesmo sentimento. Vamos continuar sendo países solidários, bons irmãos e amigos lutando pelos mesmos ideais: liberdade, fraternidade e amor entre os povos”, pontuou Lucília. Ainda na praça, a banda da Polícia Militar tocou o hino nacional da Bolívia, enquanto o pavilhão era hasteado por Leopoldo Fernandez. Ao final da solenidade, a corrida do revezamento teve seqüência, com a tocha sendo levada para o segundo distrito da capital.
Emoção foi o ponto alto da cerimônia no Mercado Velho O ápice da passagem da chama olímpica por Rio Branco aconteceu às 18 horas, no Mercado Velho. O local foi completamente tomado por populares pelo menos uma hora antes de a tocha ser conduzida até o ponto turístico pelo ex-jogador da Seleção de Vôlei Carlão. Atravessando a passarela Joaquim Falcão Macedo, Carlão recebeu um longo aplauso do público presente ao local. Na chegada, o atleta se emocionou quando começou a ser executado o Hino Acreano. Após o encerramento do hino, Carlão, chorando, acendeu a pira Pan-Americana. “A emoção é grande, porque através do esporte estamos demonstrando a união entre os povos. E muito mais importante que o Pan-Americano, é a mensagem que está sendo passada para o povo brasileiro do quanto o esporte é essencial para a inclusão social”, declarou. Carlão foi assistido de perto pelos governadores Binho Marques e Leopoldo Fernandez (Pando), pelo prefeito Raimundo Angelim, pelo senador Tião Viana e outras lideranças brasileiras e bolivianas. Os 60 condutores da tocha também estavam no local. Atrás do palco montado para a festa de encerramento, um balão de 42 metros do mascote dos jogos Pan-Americanos, Cauê. A festa foi encerrada com queima de fogos de artifícios e músicas de São João e forró. Para Binho Marques, um dos momentos mais significativos da passagem da chama olímpica pela capital foi quando a sobrinha-bisneta de Plácido de Castro repassou a tocha a um atleta boliviano. “Isso reforça ainda mais esse caráter de amizade entre os povos. É isso que desejamos: a união de todos por uma vida mais justa. O símbolo da tocha olímpica se efetiva no Acre”, comemorou. A passagem da tocha do Pan foi um dos momentos esportivos mais importantes e históricos já realizados no Acre. Depois de Rio Branco, a chama Pan-Americana seguiu para a capital de Rondônia, Porto Velho. |
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