COTIDIANO

Móveis do Acre com padrão internacional

Esforço conjunto do governo e instituições em parceria com os moveleiros faz setor dar salto de qualidade

 


Juracy Xangai

Bom gosto e tecnologia. Assim podem ser resumidos num mínimo de palavras os móveis, utensílios domésticos e até jóias em madeira que estão sendo expostos na Expoacre com peças desenvolvidas pelos designers do Pólo Moveleiro, Fundação de Tecnologia do Acre (Funtac) e Centro de Tecnologia em Madeira (Cetem) com o objetivo de valorizar a matéria prima extraída das florestas acreanas.

As peças chamam atenção pelo desenho arrojado e moderno, trabalhados em madeira maciça, que formam jogos de quarto, sala e cozinha e uma variedade de ambientes. São peças exclusivas do Acre produzidas pelos designrs Isaque, Mário e Laudnei do Pólo Moveleiro para que sejam produzidas em série pelas 12 empresas que estão se instalando no pólo.

Os visitantes têm logo à entrada o show room do Pólo Moveleiro decorado com móveis de desenho moderno construídos para o uso prático e decorativo, combinando as diferentes cores e texturas das madeiras do Acre. 17 protótipos desenvolvidos período de abril a julho, os quais agora estão sendo reproduzidos e vendidos em série pelas movelarias.

Parceria e sofisticação

A empresária Alice Iwara, proprietária da indústria de móveis Nacibel, fez parceria com a Casa Shopping e a Madeireira Madril para decorar seu estande focado no público da classe A. “Estamos expondo um de nossos jogos de quarto cujo desenho foi desenvolvido por uma equipe de cinco arquitetos da Funtac. É a primeira vez que trabalhamos juntos assim, mas o resultado vem sendo muito bom porque o público gostou demais”, esclareceu. “Nós estamos mudando nossa empresa da Conquista para o Pólo Moveleiro, mas quero dizer que isto só está sendo possível graças ao apoio que recebemos do governo do Estado e do Sebrae que trabalhou em parceria com o nosso sindicato. Foi graças a eles que tivemos condições de receber o financiamento de R$ 170 mil para montar a nova fábrica de móveis. A pessoa chave nisso tudo foi o secretário Gilberto Siqueira que se comprometeu em nos apoiar e tudo fez para que isso acontecesse”, concluiu Alice.

Cooperativismo é a chave

Agregando 30 pequenas marcenarias em torno de si, a Coopermóveis nasceu a partir da necessidade dessas empresas, a maioria delas informais, se organizarem para que pudessem ser atendidos pelo Sebrae e pelo governo do Estado. “Nestes dois anos em que estamos trabalhando juntos já recebemos muitos cursos, orientações e treinamentos que mudaram o modo de funcionamento das nossas empresas e, principalmente, a qualidade dos móveis que agora produzimos”, explicou Domingos Sávio Diógenes, presidente da cooperativa.

Além dos treinamentos gerenciais e de aprimoramento tecnológico dos seus produtos, 18 associados da Coopermóveis já receberam treinamentos de informática no telecentro do pólo que também atende a moradores da comunidade.

Através de um convênio coma prefeitura de Rio Branco a Agência de Desenvolvimento da Amazônia (ADA) liberou R$ 200 mil para beneficiar os associados da Coopermóveis. “Esse recurso é para fortalecer a produção com vistas na conquista do mercado da madeira e móveis. Com ele, além da orientação técnica, também ganhamos a consultoria de dois designers de São Paulo que estão aqui desenvolvendo desenhos de móveis exclusivos só para a gente. Estes que estão aqui já foram desenhados por eles”.

Pólo moveleiro

Nove das 12 empresas que estão se instalando no pólo marcam presença na Expoacre, sendo elas a Jota’s Móveis, Umaltimóveis, Iiba Produtos Florestais, Nacibel, Jairo Móveis, Nunes Móveis e Estofaria Rosyane, além da Cooperativa dos Moveleiros de Rio Branco (Coopermóveis).

“Nossa missão principal é conscientizar os empresários locais para o valor das madeiras do Acre e então realizar palestras, treinamentos que melhorem a tecnologia para tornar a produção mais eficiente. Já os designers trabalham os desenhos das peças de acordo com as tendências e necessidades das pessoas a fim de conquistarmos primeiro o mercado local, fortalecer as empresas e partir para a exportação”, explicou Elisângela Rocha, gerente-geral do Pólo Moveleiro de Rio Branco.

Trabalhando em parceria com o Sindicato dos Moveleiros de Rio Branco, o governo do Estado e o Sebrae os ajudaram financiar a construção de 12 galpões e a compra de máquinas utilizando recursos do Fundo de Aval das Micro e Pequenas Empresas (Fampe) com uma média de R$ 161 mil para cada um deles. Este foi o primeiro financiamento de valores tão altos liberados pelo Fampe em todo o Brasil.

Embora ainda esteja no início, a experiência vem produzindo tão bons resultados que o governo do Estado em Parceria com o Sebrae e o Banco da Amazônia já iniciaram o processo de instalação de outros pólos em Cruzeiro do Sul e Sena Madureira estimulando a interiorização das indústrias para gerar emprego e renda nos municípios.

 

 

 
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Rio Branco-AC, 26 de julho de 2006
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Da Redação
 
 
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