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Do Editor

 

Sapo kampô

Cupuaçu, ayahuasca, unha-de-gato, graviola, açaí, nó-de-cachorro são algumas das riquezas na floresta amazônica que vêm sendo pirateadas nos últimos anos. Nos Estados Unidos, na Europa e no Japão, as essências ou princípios ativos de substâncias existentes apenas nesta região são patenteados e transformados em remédios, cosméticos, produtos alimentícios e outros. Para a Amazônia, nada retorna, a não ser que sejam pagos os roialties às multinacionais desenvolvedoras dos produtos.

A biopirataria agora lança mão do Kampô. Dois produtos já foram patenteados nos Estados Unidos tendo como base substâncias extraídas da secreção encontrada nas costas do sapo phyllomedusa bicolor, que há muito vem sendo utilizada pelos índios na cura de diversas doenças.

A biopirataria se tornou comum na Amazônia e tem raízes bem antigas. Começou quando as primeiras sementes de seringueira foram levadas e plantadas na Malásia. Entretanto, desde então, pouco vem sendo feito para evitar que as riquezas e conhecimentos tradicionais sejam utilizados por outros. Falta investimento em pesquisa, apoio às universidades e incentivos às indústrias que desejem explorar as riquezas nacionais.

O Página 20 irá aprofunda essa discussão a partir de hoje e nas suas próximas duas edições. O jornalista Romerito Aquino assina uma série de reportagens sobre o Kampô e a biopirataria na Amazônia em três cadernos especiais que deverão servir de instrumento para uma reflexão sobre o tema.

 

 
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Rio Branco-AC, 26 de novembro de 2005
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