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Desenvolvimento sustentável com empreendedorismo e justiça social

Instituto Dom Moacir e Sebrae atuam em parceria para qualificar jovens a aproveitar as oportunidades que estão surgindo no Acre

Juracy Xangai
Cerimônia de formatura
dos novos empreendedores


Juracy Xangai

Cerimônia de gala aberta com um concerto de piano e muito charme marcou a formatura de 110 alunos dos cursos técnicos de gestão de negócios, turismo e organizações do terceiro setor, realizada às 19 horas da última quinta-feira, no Teatrão.

Prestigiada pela secretária da Educação, Maria Correia, e a professora e deputada Naluh Gouveia, a festa foi marcada pela formatura de 63 jovens do cursos técnico em gestão de negócios, 22 em organizações do terceiro setor e 25 em turismo regional.

Maria Correia fez questão de destacar que os cursos técnicos têm hoje um papel fundamental para garantir a aceleração do desenvolvimento do Acre e do Brasil como um todo. “Isso porque ele qualifica profissionais de nível médio em grande número para atender as mais diversas áreas num tempo bem menor que o conseguido por meio das universidades”, disse.

Já o diretor do Instituto Dom Moacir, que coordena a realização de cursos técnicos em todo o Estado do Acre, Irailton Lima, afirmou: “Com esse curso estamos lançando mais de 100 novos técnicos qualificados para atender as necessidades do mercado acreano. Fazemos isso porque o governo da Frente Popular entende que, para garantirmos o desenvolvimento sustentável do Estado, é necessário preparar as pessoas para a boa gestão dos negócios, turismo e no apoio ao terceiro setor”.

Ele aproveitou para anunciar que na semana que vem estará no Acre o professor Eliezer Pacheco, secretário de Formação e Tecnologia do Ministério da Educação. Ele vem participar da abertura do novo curso da escola técnica em saúde, que contará com 842 agentes comunitários de saúde e mais de 200 técnicos em cinco turmas de enfermagem, sendo duas na capital e uma em Plácido de Castro, Porto Acre e Manuel Urbano. O ministro vai anunciar ainda a construção da primeira Escola Técnica Federal do Estado, investimento da ordem de R$ 5 milhões.

A gestora do setor de educação do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-AC), Socorro Figueiredo, que trabalhou em parceria com o Instituto Dom Moacir na preparação dos técnicos em gestão de negócios e empreendedorismo, esclareceu: “Um dos maiores problemas do mundo de hoje é o fim do emprego, por isso precisamos preparar nossos jovens para que ajam de forma empreendedora e assim garantam sua sobrevivência criando seus próprios negócios e serviços a fim de garantir sua autonomia. Esse é o papel fundamental desempenhado pelo Sebrae quando apóia financeira e tecnicamente cursos como esse, em que pelo menos 30% dos participantes já criaram seus próprios negócios e outros estão se estruturando para isso”.

Segundo Socorro, os jovens estarão sendo acompanhados e apoiados pelos técnicos do Sebrae por um período de dois anos, a fim de que seus negócios se consolidem de fato.

Paraninfo da turma, o secretário estadual de Planejamento, Gilberto Siqueira, declarou-se “entusiasmado” com o momento que começa a ser vivido pelo Acre e pelo Brasil na retomada do caminho do desenvolvimento. “De 1999 para cá, o Acre avançou muito no campo dos negócios e no desenvolvimento, mas notamos que, enquanto havia uma equipe que gerenciava o Estado com um nível de qualificação muito elevado, a distância com a base da estrutura de ação era muito grande, por isso os cursos técnicos vêm preencher esse vazio que havia na cadeia produtiva, que vai desde a produção e colheita da matéria-prima até a indústria e o consumidor dos produtos e serviços nas áreas do turismo, saúde e empreendedorismo”, destacou.

Ele fez questão de frisar: “O Acre é hoje uma terra de oportunidades, mas precisamos preparas as pessoas para que estejam prontas para ocupar os espaços que estão surgindo, ou outros terão que vir de fora para fazer isso”.

Alunos criam seus próprios negócios

Estimulados pelos instrutores dos cursos técnicos de gestão de negócios e turismo, boa parte dos alunos começou a enxergar oportunidades existentes no mercado e em vez de sair em busca de um emprego decidiram abrir seus negócios e estão animados com os primeiros resultados. Para isso, eles formaram 19 grupos, que construíram seus planos de negócios simulando situações ou estruturando empresas reais.

Empurrando seu carrinho, José Valdeci da Costa, 42, morador do bairro Geraldo Fleming, sai cedo de casa e vai batendo de porta em porta oferecendo calcinhas, cuecas e outras roupas íntimas a preços variados para todos os gostos e bolsos. Trabalha com um objetivo claro em sua vida: reconstruir sua loja perdida com a falência do primeiro negócio.

“Agora entendo que fali porque montei meu negócio no lugar errado e na hora errada, por causa da falta de experiência e orientação que precisaria ter para fazer uma coisa dessas. Aprendi apanhando e o curso de gestão veio me mostrar mais do que meus pontos de erro, mas, principalmente, o que devo fazer para garantir a sobrevivência de meu próprio negócio”, garante ele, que é um dos alunos do curso de gestão de negócios da escola Campos Pereira.

Ele recorda que, há alguns anos, participou de uma palestra no Sebrae e, mais recentemente, da Oficina Sebrae de Empreendedorismo, ocasião em que soube do curso que estaria sendo iniciado na escola Campos Pereira. “Eu montei minha lojinha de roupas dentro do Mercado Velho justamente no momento em que ele estava em decadência. A Associação Comercial e o Sebrae até deram algumas orientações para a gente, mas, como de costume, a gente não deu a atenção que isso merecia, o comércio não reagiu e todo mundo foi quebrando”, afirma.

Ele reconhece: “Quando resolvi procurar ajuda,já estava no fundo do poço! Fechei a loja e recomecei a vender de porta em porta. A vantagem desse sistema é que a gente passa a ter uma relação mais pessoal com os clientes, sabe onde eles moram, tem mais tempo para prestar atenção na conversa deles e isso rende negócios. Se tivesse uma loja precisaria pagar aluguel, tinha despesa com luz, água, IPTU e muitas outras coisas que vão aparecendo. Aqui na rua, a despesa que tenho é com transporte e impostos, o resto é conversa e sola de sapato”.

Um dos artifícios para trabalhar na rua, segundo Valdeci, é respeitar o ritmo de vida das pessoas. Assim, nunca sai muito cedo porque as mulheres estão vestindo os filhos e arrumando a casa e não vão atendê-lo. À tarde só bate na porta depois das duas horas para não incomodar o descanso de quem tira um cochilo depois do almoço. Mesmo trabalhando uma média de cinco a seis horas por dia, ele percorre boa parte da capital e está satisfeito com os lucros que vem acumulando.

Pioneiro no Segundo Distrito

Morador da rua da Sanacre, bairro Areal Santa Inês, no Segundo Distrito da capital, Israel de Souza Borges que hoje tem 26 anos teve seu primeiro contato com o mundo da informática foi aos 16 fazendo um curso básico de operador. Daí por diante, nunca mais parou de correr atrás de mais conhecimentos - tanto que no segundo curso já se tornava instrutor da escola em que aprendia e assim ganhava dinheiro para fazer novos cursos. Isso o levou para Brasília, onde aprendeu a montagem, instalação e configuração do Windows. Destacando-se entre os demais, ficou trabalhando lá por dois anos antes de voltar para Rio Branco.

“Queria ficar mais perto da minha mãe, trabalhei seis meses na Assistécnica e parti para Cruzeiro do Sul, terminei o serviço, voltei e fui trabalhar em outra empresa, sempre como empregado. Mas foi durante o curso de gestão que os instrutores começaram a nos incentivar a buscar oportunidades de negócio”, explica ele. “Eu nunca tinha pensado nisso, então prestei atenção e percebi que todos os jovens saíam daqui para fazer cursos de computação e tirar fotografias 3 por 4 gastando dinheiro e perdendo tempo para chegar lá no Primeiro Distrito. Então arranjei seis computadores e iniciei uma sala de aula. Na primeira fechei cinco turmas de 60 alunos”.

Assim nasceu a NG Informática (Nova Geração), que hoje tem quatro salas de aula nas quais os alunos começam pelo curso de operador de micro, digitação, gráficos, montagem, instalação e configuração de micros, e nesta semana foi iniciada a primeira turma de webdesign.

“Estamos com uma média de 180 alunos por dia, nosso curso básico custa R$ 30 e é dado em cinco meses, menos tempo que nos concorrentes. Tiramos fotos 3 por 4 e temos uma lan-house onde o pessoal se diverte enquanto espera ou depois que saem da aula. Além disso, criamos salas especiais com três horas de aula por dia para atender nos finais de semana os alunos que vêm de Capixaba, Extrema e outras localidades do interior.” A continuidade e ampliação desse sistema já está sendo providenciado por Israel, que coloca turmas sob o comando de instrutores como Rayanderson Lima Oliveira, de apenas 15 anos, que fez seu primeiro curso ali no ano passado, destacou-se pelo interesse e agora entrou para o programa Primeiro Emprego da NG Informática como instrutor dando aulas em três cursos. Aos domingos, Israel descansa e as aulas são dadas por novos instrutores que mais se destacaram nos cursos anteriores e assim pagam os novos que estão fazendo, a exemplo do jeito que ele mesmo começou.

Vivendo no bairro Areal, Israel notou a oportunidade para o negócio que hoje atende moradores dos bairros Mauri Sérgio, Belo Jardim I e II, Taquari, Vila Acre, loteamentos El Shadai e Santo Afonso, Triângulo e Taquari.

Turismo em rede

Doze entre os 25 formados no curso técnico em turismo do Centro de Educação Profissional Campos Pereira uniram-se para formar a Aruakre Tur. É a primeira cooperativa de turismo que, a princípio, estará atuando em rede de forma a integrar o turismo no Alto e Baixo Acre, mas nem bem surgiu e já faz planos de ampliar seus serviços para os vales do Iaco, Purus e Juruá.

Silas Klein, um dos coordenadores da cooperativa fundada em novembro passado, esclareceu: “Através desse curso nós estamos habilitados para guiar turistas, como também preparar inventários de rotas e fazer o levantamento dos potenciais turísticos do Acre. Uma de nossas primeiras missões será orientar as pessoas sobre a importância de receber e tratar bem os turistas para que gostem, saiam falando bem do Acre e voltem sempre”.

Para ele, a minissérie sobre Amazônia está criando excelente oportunidade para divulgar o nome do Acre e aguçar a curiosidades das pessoas. “Nossa infra-estrutura turística ainda não está pronta para receber uma grande leva de turistas, mas o mais importante nesse momento é acomodar e atender bem os que vierem, guiá-los mostrando o que temos de melhor. Além disso, a presença deles vai estimular nossos empreendedores a investir nesse que é um dos setores que mais cresce no mundo.”

Segundo Silas, a maioria dos sócios da cooperativa Aruakre Tur vive em Rio Branco, mas outros estão em Plácido de Castro, Assis Brasil, Epitaciolândia e Brasiléia. Eles se organizaram de forma a realizar levantamento dos potenciais de cada localidade e a partir disso formar rotas e passeios a serem propostos aos turistas em parceria com as empresas que já atuam no setor.

“Na capital também estaremos fazendo um trabalho de esclarecimento e orientação junto à rede de escolas pública e privadas sobre a importância de tratar bem o turista porque ele estará trazendo dinheiro e ajudando a desenvolver nosso Estado.”

Vem aí a nova geração empreendedora

Estimular a visão empreendedora em jovens acreanos para que possam abrir seu próprio negócio ou atuar de maneira mais eficiente no ambiente interno das empresas e até mesmo no serviço público é o objetivo principal do curso de Empreendedorismo concluído no Centro Estadual de Educação Profissional em Serviços Campos Pereira. Três novas turmas começam suas aulas no mês que vem.

Iniciado em agosto de 2006, o curso contou com a participação de 75 alunos em três turnos. O requisito básico para participar dele é ter o ensino médio completo e vir de famílias com baixa renda.

Ao fim do curso de um ao e meio e 1.400 horas de aula, eles deverão estar prontos para desenvolver com competência ações nas áreas de gestão, comunicação e informática.

O curso aconteceu graças a uma parceria entre o Sebrae do Acre e de Minas Gerais, junto com a Secretaria estadual de Educação, através do Instituto Dom Moacir Grechi.

Sua metodologia é aplicada em 40 países, apenas no Brasil e Argentina na América Latina. No Brasil destaca-se Minas Gerais como o único Estado, no qual é aplicado em quatro universidades e na Escola Técnica de Formação e Gestão do Sebrae-Minas, que dará continuidade aos treinamentos que estão acontecendo no Acre.

“Ao longo dos últimos 30 anos temos praticamente as mesmas pessoas comandando negócios no Brasil e cursos como este são fundamentais para a formação de uma nova geração de jovens empreendedores com uma visão mais clara das transformações que mundo vem sofrendo, especialmente na área dos negócios”, explica o administrador de empresas Djalma Moreira Corsinho especializado em micro e pequenos negócios. Ele atua como professor de gestão empresarial e negócios da Escola Técnica de Formação Gerencial do Sebrae Minas.

Ele e o também professor de gestão da escola técnica e coordenador do Centro Brasileiro de Empresas Simuladas (Cesbrasil) Tiago Costa Carvalho ministraram, em julho passado, um treinamento sobre empresas simuladas aos 13 monitores que orientaram os 75 alunos do curso da escola profissionalizante Campos Pereira.

Aprendendo com quem sabe

Desde agosto do ano passado os jovens viveram a fase do acolhimento. Assim começaram pela realização de um diagnóstico de sua condição e de seus potenciais para reforçar pontos fracos da educação recebida antes e reforçar pontos de interesse como forma de promover seu desenvolvimento pessoal nas relações humanas para o trabalho focado em objetivos e metas, ou seja, com uma visão empreendedora.

Nos últimos quatro meses, passaram pela fase da tutoria, ou seja, o momento de fazer visita às empresas e até conviver com situações reais, dentro delas. Nesse período em que foram orientados pelos empresários conhecendo sua história pessoal, ou seja, como surgiu o negócio, as dificuldades passadas, as soluções encontradas e seus planos para o futuro.

“É também nesta fase da tutoria que aconteceu o treinamento sobre as empresas simuladas. Recém concluído. Nesse sistema os jovens formam empresas que administram individualmente ou em grupos, onde eles fazem contatos reais com outras empresas para operações de compra e venda, além de administrar estoques e departamentos como numa empresa real, só não havendo movimentação financeira ou de produtos”. Explicou Maria José de Lima Bezerra a coordenadora do Centro de Educação Campos Pereira.

Cultura empreendedora

Essa metodologia vem sendo aplicada em quatro universidades e na escola técnica de gestão empresarial do Sebrae de Minas Gerais. “Só em Belo Horizonte temos 25 empresas simuladas e em cada uma delas há uma média de 12 alunos. São mais de 100 empresas em todo o Estado. Realizamos treinamentos semelhantes ao do Acre, em São João da Boa Vista no Estado de São Paulo e em Vitória no Espírito Santo, sempre voltado às peculiaridades de cada local. Em 2006 este ano este foi o único curso em andamento fora de Minas”, esclareceu Tiago da Costa Carvalho o coordenador do Cesbrasil.

Após concluir esta fase de conhecimento e simulação de empresas estes jovens foram orientados a construir seu plano de negócio numa área de comércio ou serviço de sua preferência. Formaram grupos e assim puderam ver a possibilidade de investir no próprio negócio ou atuar como gestores mais eficientes em empresas ou no serviço público.

 

 

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Rio Branco-AC, 27 de janeiro de 2007
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Da Redação
 
 
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