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Assis Brasil será o novo portal de entrada do país

Administração do prefeito Manoel Araújo moderniza e embeleza a cidade para receber os visitantes que virão pela Rodovia do Pacífico


Fábrica de taboca do município produz móveis de luxo tipo exportação


Texto e foto: Romerito Aquino
Especial para o Página 20

O município acreano de Assis Brasil, na fronteira com a Bolívia e a cidade peruana de Iñapari, está se preparando para se transformar no mais novo portal de entrada do Brasil. Esse fato deve acontecer até o fim do próximo ano, data prevista para a conclusão da primeira parte da Rodovia do Pacífico, que vai ligar por asfalto o Peru ao Brasil, passando pelo território acreano.

Pelo portal de Assis Brasil, passarão todo o comércio entre os dois países e muitos dos milhares de viajantes e turistas internacionais que visitam anualmente Cusco, capital do Império Inca, que poderão, pela rodovia pavimentada, descer a Cordilheira dos Andes, alcançar a selva peruana e entrar em território brasileiro para conhecer as riquezas naturais da floresta amazônica.

Para exercer tal condição e assumir tanta responsabilidade, Assis Brasil procurou, nos últimos anos, virar uma cidade moderna, aconchegante, hospitaleira, dispondo de infra-estrutura urbana capaz de agradar e satisfazer os novos visitantes. Hoje, a cidade já dispõe de aeroporto, ruas asfaltadas com calçadas, praças, bancos, loteria, posto de combustível, escolas, centros e postos de saúde, supermercados, padarias, bares, lanchonetes, hospedarias e pousadas, que se preocupam em receber e tratar bem muitos visitantes e turistas que já chegam ou passam por ela para desfrutar da paz e do aconchego dos lugares do interior da floresta.

O responsável direto por toda a modernização da última cidade do Vale do Acre é um ex-seringueiro e ex-líder sindical de 39 anos, nascido e criado às margens do rio Iaco, nas matas do antigo seringal Icuriã, dentro da Reserva Extrativista Chico Mendes, onde também foi professor. É com jeito simples, fala mansa e cumprimentando com sorriso largo todos que encontra nas ruas da cidade que o prefeito Manoel Batista de Araújo, o Manuelzinho, do PT, administra há sete anos Assis Brasil.

Eleito em 2000 e reeleito em 2004, com votações expressivas, Manuelzinho, casado, pai de dois filhos e estudante do curso de Letras da Ufac, fez questão de mostrar in loco à reportagem do Página 20 as principais obras e ações que promoveu em Assis Brasil desde 2001, tanto na cidade quanto no meio rural. Um meio, aliás, que o prefeito prefere chamar de florestal, uma vez que 95% da área de 4.900 quilômetros quadrados de seu município é formada de floresta, percentual superior até aos quase 90% da composição florestal do estado.

Com 5.400 habitantes e distante 340 km por asfalto de Rio Branco e de 110 km de Brasiléia, na fronteira com a Bolívia, a cidade de Assis Brasil está fincada num pequeno vale rodeado de florestas às margens do rio Acre, no local mais conhecido como a tríplice fronteira entre Brasil, Peru e Bolívia.

O prefeito Manoelzinho começou mostrando o centro da cidade, formada por uma longa avenida asfaltada, que desce da Rodovia do Pacífico e vai até a beira do rio Acre, onde no passado os carros tinham que atravessar de balsa ou em pontes de madeira para alcançar o pequeno lugarejo peruano de Iñapari, hoje já transformado em cidade, com vida e comércio próprios.

Em seguida, o prefeito andou pelos bairros periféricos, onde a sua administração construiu mais de 200 unidades sanitárias, com banheiro, caixa d’água e fossa para atender a maioria das casas mais pobres da cidade e promoveu o calçamento com tijolos de mais de três quilômetros de ruas, o que representa mais de 60% das vias públicas ali existentes. Ainda na periferia, Manoelzinho destacou o excelente desempenho do setor de abastecimento de água tratada, que hoje já atende a mais de 95% das casas da cidade, fato que atribui aos cuidados que sempre teve de preservar a saúde da população. “Água tratada e esgotamento sanitário sempre representam mais saúde para a nossa população e reduzem nossas despesas com atendimento médico e hospitalar”, assinalou o prefeito, ao mostrar também uma horta construída pela prefeitura para atender às populações pobres do município.

Fábrica de taboca vai gerar renda e emprego com matéria-prima da floresta

Na área da saúde, a prefeitura construiu um posto destinado a executar o Programa de Saúde da Família (PSF), que atua complementarmente ao atendimento público fornecido pelo centro de saúde do município, mantido em parceria com o governo do estado. Também em parceria com o governo, será construído um novo centro de saúde. Além disso, a prefeitura já dispõe de recursos em caixa para construir um novo posto na área florestal aos moldes do PSF.

No setor de educação, a prefeitura de Assis é a única do estado responsável totalmente pelo ensino até a quarta série do ensino fundamental. Nos últimos sete anos, foram construídas 20 novas escolas no meio rural e recuperadas outras 20 que haviam se deteriorado. Em Assis, também funcionam quatro escolas do ensino fundamental e médio, sendo três administradas pela prefeitura e uma pelo governo do estado.

Atualmente, 200 habitantes de Assis Brasil fazem faculdade. No município, são oferecidos pela Universidade Federal do Acre (Ufac) os cursos de matemática, biologia, pedagogia e letras. Cerca de 40 jovens do município também fazem cursos técnicos nas áreas de gestão, agroindústria, agrofloresta e agroturismo.

Mas é no meio florestal do município que o prefeito Manoelzinho destaca um dos maiores feitos de sua administração, que sempre pagou em dia o salário de seus funcionários. O feito destacado pelo prefeito está diretamente relacionado ao desenvolvimento sustentável da floresta, que é a maior riqueza da região. Trata-se da fábrica de móveis de bambu ou de taboca, como é mais conhecida.

Na sua própria sala de trabalho, instalada num galpão até que seja inaugurada a nova sede administrativa do município, Manoelzinho se orgulha em mostrar a beleza, a plasticidade e o porte das mesas, cadeiras e outros móveis que a fábrica já está produzindo na área de 18 hectares que a prefeitura adquiriu para montar o parque industrial do município. Ali, já funciona também uma moderna olaria que fabrica os tijolos para pavimentar a cidade.

A fábrica de taboca foi instalada para aproveitar o grande potencial da floresta de bambus existente no município, onde a prefeitura construiu mais 250 km de ramais agrícolas, além de conservar anualmente outros 200 já existentes. Nos últimos sete anos, em parceria com o governo federal e o governo estadual, a prefeitura levou eletricidade, através do programa Luz para Todos, para produtores residentes em 180 quilômetros de ramais. O prefeito espera elevar esse número para 300 km de ramais até o final deste ano. No parque industrial da prefeitura, estão sendo instaladas, ainda, uma peladeira e uma empacotadeira de arroz, uma fábrica de doces, uma câmara fria e um armazém. O município também dispõe de uma bela pousada ecológica, que está em vias de acabamento no lugar muito aprazível do alto da floresta que circunda a cidade.

Depois de mostrar seus principais feitos, o prefeito Manoelzinho lembra a situação difícil em que pegou o município, cuja área ele conseguiu passar dos 2.800 para 4.900 quilômetros quadrados. Assumindo o órgão com salários dos funcionários atrasados em até quatro meses e recursos para investimentos sumidos, o prefeito diz que passou mais de um ano para tornar o município adimplente para voltar a receber recursos estaduais e federais.

, disse o prefeito, ao destacar que ainda há muita coisa a fazer pela população pobre do município. Ele lembrou que Assis Brasil não tinha quase nenhuma infra-estrutura urbana e vivia isolada durante todo o inverno pelos grandes lamaçais em que se transformavam os 110 km que a separam de Brasiléia e que hoje são percorridos em pouco mais de uma hora pela bem pavimentada e bonita BR-317, obra do governo do estado. (R.A.)

 
 
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Rio Branco-AC, 27 de janeiro de 2008
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