OPINIÃO
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Beneilton Damasceno *

 

Imposto salgado

Fevereiro é mês de pierrô, colombina, fantasia e samba no pé. Mas também é o mês em que o cidadão, tenha ou não aproveitado a folia do carnaval, amarga talvez a mais impiedosa das ressacas, capaz de deixá-lo com o estômago embrulhado por muitas semanas: o bendito carnê do IPTU, tributo que ele é intimado a pagar pela culpa de ter vindo ao mundo e escolhido um ponto qualquer do mapa para lhe servir de domicílio.

Por esses dias, eu e meus vizinhos da Travessa do Desprezo, no bairro Capoeira, recebemos das mãos do carteiro o boleto do imposto com vencimento para cinco de março, à vista, ou “financiado” em oito prestações com quitação total do débito em outubro, já beliscando 2008, às vésperas de outra visita dos correios.

Dei uma espiada rápida no material (em papel A4, sem aquela capinha retangular colorida das edições anteriores. É a velha contenção de despesas), sim, dei uma espiada de leve no documento e, como estava sem os óculos, devolvi-o ao envelope com a promessa de depois rever com mais calma. Deixei em cima da penteadeira e a vida continuou seu curso normal.

Pois o dia da calma chegou neste domingo, quase na hora do Fantástico. Pus os óculos e mirei direto no valor “de à vista”: dei um pinote e soltei um palavrão “desse tamanho” que os bons costumes e o temor a Deus não me permitem grafar neste respeitoso espaço.

Gente! A prefeitura desta augusta capital teve o desplante de reajustar em 69,12% o valor da contribuição que havia me cobrado no carnaval de 2006. Outra vez, gente! Meu ordenado nesse período ficou entalado em modestos 4,59%, sem falar que não construí sequer um galinheiro no fundo do quintal. Minha reação? Foram três: não pago, não pago, não pago!

Repito, dessa vez mais enfezado: não pago! Nem o banco do qual sou correntista, famoso por inventar encargos absurdos quando bem entende para manter sua natural ganância, chega a ser tão acintoso. Não sou ladrão do próprio bolso para pactuar com tamanha “severgonhice” e me submeter a uma criminosa taxa de juros de 6% ao mês!

Se o órgão municipal cometeu lá seus equívocos - o que acho improvável -, prefiro que tenha sido apenas comigo. Menos mal! Mas se essa estranha equação for extensiva a todos os contribuintes, configura superfaturamento, para não dizer extorsão. Nesse caso, é lícito a quem interessar possa recorrer às instâncias competentes ou tomar a atitude que bem lhe aprouver.

Negar que Rio Branco tornou-se bem mais decente é, no mínimo, insensatez. Competência e seriedade se uniram para fazer da cidade um lugar asseado e aprazível, merecedora de elogios de quem chega, de quem fica e de quem sai. Méritos do atual gestor e de uma equipe de auxiliares afinada e comprometida com a melhoria do bem-estar da população.

Por isso a minha teimosia em insistir que esse acréscimo imoral de quase 70% no talão do meu IPTU seja um caso isolado, fortuito, fruto da tese universal de que errar é humano. Assim, corrige-se o problema, joga-se a culpa no programa do computador e não se toca mais no assunto.

Agora, se o presumível deslize apontar como conseqüência o prejuízo do coletivo, alguém tem o dever de esclarecer com rapidez quem - e com que permissão - manipulou de tal maneira os algarismos e que o resultado desse comportamento seja clamado em alta voz, sem eufemismos, até ferir os tímpanos: isso é um roubo!

* Jornalista

 

 
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Rio Branco-AC, 27 de fevereiro de 2007
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Da Redação
 
 
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