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O mundo contra a aflatoxina

Veneno que contamina a castanha mobiliza até a Organização das Nações Unidas (ONU) para garantir qualidade ao produto

Juracy Xangai
Técnicos da Embrapa desenvolveram projeto de combate à aflatoxína


Juracy Xangai

A castanha que sai do Acre e de outras regiões da Amazônia sempre teve a Europa como seu principal mercado consumidor, mas sua venda está proibida em vários países, por causa da contaminação das amêndoas pela aflatoxína, um veneno produzido pelo fungo aspergilus, que além de intoxicar causa câncer no sistema digestivo.

Somente a Inglaterra, Itália e França recusaram em 2001 e 2002 pelo menos 953 mil quilos de castanha brasileira, causando prejuízos da ordem de mais de US$ 1,5 milhão de dólares. Toda essa castanha foi destruída porque estava contaminada pela aflatoxína. O produto também vem sendo barrado na Holanda e Alemanha.

A recuperação do mercado europeu só será possível com a realização de boas práticas, desde a coleta na mata, armazenamento, transporte, beneficiamento até chegar aos consumidores, que estão cada vez mais exigentes com relação à qualidade e aàsegurança dos alimentos.

Essa garantia de qualidade é o objetivo principal do projeto que vem sendo executado por técnicos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e em parceria com o Centro de Cooperação em Recursos Agronômicos para o Desenvolvimento Internacional (Cirad), ligada ao governo da França.

Projeto é financiado com dinheiro do STF composto pela Organização Mundial da Saúde, Organização Mundial do Comércio, Banco Mundial (Bird), Fundo das Nações Unidas para Agricultura, NFA, Suécia, CSL, Reino Unido, Embrapa e Ministério da Agricultura do Brasil. Mais detalhes no site www.cirad.fr.

Acre & Pará

Iniciado em 2006 com duração até 2008, o projeto piloto de adequação da castanha em casca às exigências do mercado está sendo executado através da transferência de boa práticas determinada pelo sistema de gestão da qualidade que está sendo realizado junto às 80 famílias coletoras da Associação Sorriso, em Rio Branco, e 32 famílias da comunidade quilombola no município de Joari, no Estado do Pará.

Agrônoma mestranda em agronomia pela Universidade Federal do Acre, Felícia Leite é uma das pesquisadoras da Embrapa diretamente envolvidas com o projeto. Acompanhada pela pesquisadora francesa Catherine Babet, especialista na ciência de alimentos a serviço da Cirad, e pelo estudante Olivier Duvillers, que veio pelo intercâmbio Brasil-França, eles visitaram a fábrica de castanha de Brasiléia, que está sendo administrada pela Cooperativa de Comercialização de Produtos Extrativistas do Acre (Cooperacre).

Qualidade é fundamental

“Estamos planejando o trabalho de campo voltado à produção para a exportação da castanha em casca. E a visita à fábrica faz parte da coleta de informações sobre o controle de qualidade do produto aqui no Acre”, explicou Felícia.

Catherine lembrou que a Cirad também realiza pesquisas e orientações semelhantes na Ásia, África e demais países da América Latina sempre voltado ao reforço das cadeias produtivas por meio do apoio científico para garantir maior produtividade e qualidade da sua produção o que melhora o rendimento financeiro promovendo o desenvolvimento sustentável dos pontos de vista econômico e socialmente justo.

“Milhares de famílias sobrevivem da castanha no Acre e em outros estados do Brasil ou países vizinhos, ela gera emprego e renda para a população e ao serem exportadas, divisas para o país, mas para que isso aconteça é necessário que ela passe a ser produzida e vendida com mais qualidade oferecendo maior segurança aos consumidores”, argumentou Catherine.

Para garantir um relacionamento comercial mais justo nessa cadeia produtiva é que o projeto começa toda sua orientação através das comunidades tradicionais. Até porque, a maior probabilidade de contaminação das amêndoas pelo fungo que vai produzir a aflatoxína, acontece justamente no momento que está entre a coleta dos ouriços e a chegada da castanha nos armazéns.

“Este é um trabalho de duplo interesse, pois aos produtores de castanha interessa garantir venda e bom preço para seu produto, já nós queremos que ela chegue lá com qualidade, se conseguirmos, os dois lados saem ganhando bastante. A castanha é um ali9mento de excelente qualidade, tem alto valor energético e inúmeras qualidades nutricionais muito benéficas para a saúde. Hoje há um interesse cada vez maior das pessoas pelos alimentos naturais, mas é necessário que eles possam ser consumidos com segurança”.


 

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Rio Branco-AC, 27 de março de 2007
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Da Redação
 
 
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