| OPINIÃO | ||
| OPINIÃO | ||
Romerito Aquino * |
||
Prospecção: preconceito que só atrapalha Desde que foram anunciados os estudos de prospecção de petróleo e gás em território acreano, numa iniciativa do senador Tião Viana (PT-AC) para dotar o Estado nas próximas décadas de uma fonte segura de renda e empregos para sua população, alguns ambientalistas e entidades sociais, como o Cimi, procuram disseminar um clima absolutamente hostil e preconceituoso contra a idéia. Para isso, não param de engendrar pela imprensa notícias e comentários ruins sobre o assunto. E pegam as terras indígenas e o Parque Nacional da Serra do Divisor quase como foco único das ameaças ambientais que uma possível exploração petrolífera poderia provocar no Estado. Agindo assim, pretendem disseminar o preconceito de que a idéia é péssima em qualquer parte dos 15,4 milhões de hectares de terra existentes no Estado. Esses focos de resistência, que, felizmente, são poucos e insignificantes diante das muitas posições favoráveis aos estudos de prospecção, já manifestadas por setores importantes da sociedade acreana, como empresários, comerciantes, pesquisadores, estudantes e outros, se empenham em mostrar que estão preocupados verdadeiramente com o futuro do meio ambiente do Estado. Querem porque querem atrapalhar até mesmo os passos iniciais da idéia central dos estudos geológicos encomendados à Agência Nacional do Petróleo (ANP): saber se existe, de fato, petróleo e gás no Estado, e em que escala de produção eles podem ocorrer no subsolo acreano. Para isso, os ambientalistas pousam de estudiosos, conhecedores e especialistas em impactos ambientais que a atividade petrolífera – insistem sempre – causaria aos índios, principalmente os isolados, e outros povos da floresta. Nesta hora, se esmeram em propagar o pandemônio dos males que uma plataforma de gás, que não ocupa mais de cinco hectares, causaria ao meio ambiente florestal. E o esmero ocorre justamente numa época em que o Brasil fez de tudo para conseguir sua auto-suficiência em petróleo e o país investe muito para começar a explorar o gás natural na gigantesca bacia sedimentar de Urucu, no vizinho Estado do Amazonas, onde a maioria dos ambientalistas regionais e nacionais já amenizou as criticas ferozes que fazia inicialmente à construção do gasoduto em direção a Manaus. O que os resistentes ao gás e ao petróleo no Acre não explicam, no entanto, são o silêncio sepulcro que mantiveram até agora em relação a muitas outras atividades que provocam muito mais impacto ambiental no meio da selva do que, por exemplo, uma plataforma de gás natural. Eles possivelmente saibam, mas preferem silenciar, que a implantação de apenas três novas fazendas de gado no Estado impactam ambientalmente muito mais do que uma plataforma de produção de gás. E quantas fazendas continuam sendo instaladas no Estado por ano, provocando o maior dos impactos, que é a total extinção de uma floresta que a natureza levou séculos para formar? Também silenciam diante do covarde e grave massacre ambiental de que tem sido vítima o rio Acre nas últimas décadas. O longo e histórico trecho do rio entre Xapuri e Rio Branco, por exemplo, já não dispõe de vegetação em suas margens, está totalmente assoriado e sem vida, pois sumiram peixes, tartarugas e todos os outros animais da outrora rica fauna desta região acreana. Outro triste silêncio ocorre em relação aos sérios riscos que causam aos ecossistemas amazônicos o trânsito de centenas de barcaças contendo diesel e óleo combustíveis que saem de Manaus para abastecerem as cidades e localidades ribeirinhas existentes entre a capital amazonense e o Acre. Só em Cruzeiro do Sul, por exemplo, chegam anualmente 60 milhões de litros dos dois derivados. Os ambientalistas revoltados com o gás e o petróleo silenciam, ainda, diante dos efeitos danosos que as 172 toneladas de lixo produzidas diariamente em Rio Branco ainda provocam no rio Acre e no meio ambiente florestal que cerca a capital do Estado. A mesma coisa ocorre em Cruzeiro do Sul, onde os lixões estão invadindo importantes igarapés que abastecem o outrora caudaloso rio Juruá, que também sente em seu leito milenar o peso implacável dos danos ambientais das queimadas e derrubadas provocados por novas fazendas de gado que se instalam na região. O mesmo silêncio dos ambientalistas “arrojados” está presente nos 120 mil hectares de floresta que são queimadas anualmente pelos 40 mil pequenos agricultores e extrativistas existentes no Acre, que na falta de uma política global no Estado que incentive a execução de projetos de uso múltiplo florestal sustentável, são obrigados a queimar a floresta para darem de comer a seus filhos. E por aí vão os exemplos das ameaças constantes em que vive a floresta, que em nível amazônico, com as derrubadas e queimadas, é responsável por dois terços de toda a emissão de gás carbônico produzido no Brasil, com a queima dos combustíveis fósseis encarregada do terço restante. Se deixarem o preconceito de lado, os ambientalistas poderiam discutir, por exemplo, a perspectiva das políticas compensatórias que podem vir com a produção dos dois combustíveis no Estado. Uma dessas políticas, aliás, o senador Tião Viana já deixou clara desde o primeiro dia em que anunciou a disposição da ANP de promover os estudos para atestar a existência dos combustíveis no Acre. Que os royalties advindos da exploração de petróleo e gás seriam aplicados em projetos de uso múltiplo florestal em todas as regiões do Estado, gerando renda para os povos da floresta e fazendo o Acre ser o primeiro Estado da Amazônia a deixar de derrubar e queimar sua floresta, que por si só poderá representar milhões de dólares com o avanço do mercado internacional de crédito de carbono. Um mercado onde quem tem floresta pode receber muito dinheiro de quem não tem, ajudando a reduzir a emissão de gases de efeito estufa que podem superaquecer o planeta. * Jornalista |
||
|
||
| GIRO GERAL |
| Com Moisés Alencastro |
| NA TRIBO |
| Com Roberta Lima |
| PORONGA |
| Da Redação |
| |