OPINIÃO
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Rivaldo Guimarães Batista *  

 

Guizo em pescoço de gato

Num dos livros de leitura do meu curso primário, no início dos anos cinqüenta, havia uma fábula em que se narrava a estória da assembléia geral onde os ratos colocavam como pauta de discussão a melhor estratégia de defesa contra a ação predatória do gato. De acordo com os principais oradores do certame, o bichano era muito ágil, silencioso e traiçoeiro, circunstâncias que tornavam quase nulas as chances de se escapar da fome insaciável do felino.

Apesar da gritaria, do histerismo e do disse-me-disse, muitas propostas foram votadas, vencendo, porém, aquela em que se propunha amarrar um guizo no pescoço do gato. Assim, qualquer movimento que o bichano fizesse, o chocalho denunciaria a localização do inimigo.
Pronto, estava resolvido o angustiante problema.

- Mas quem amarraria o badalo no pescoço do gato?

Esta fábula inesquecível me veio à mente ao ler a coluna do Luis Carlos em “A Gazeta”, na edição de sábado. O Crica, meu colega de turma na Faculdade de Direito, um dos jornalistas mais bem informados sobre a política acreana, abriu a sua matéria dando destaque a um acordo que teria havido entre os partidos de oposição.

Segundo o craque do jornalismo, o consenso tomou forma diante da possibilidade da eleição municipal em Rio Branco acontecer em um turno. Como estratégia, todos os pré-candidatos já declarados retirariam seus nomes das disputas homologatórias, inclusive o Petecão e buscariam um nome que possibilitasse a unidade. Num segundo passo, o ex-deputado federal Márcio Bittar – o melhor avaliado pelas pesquisas -, seria convidado como candidato único.

No curso da matéria, o jornalista informa que um caixa único (não discorreu sobre caixa 2) seria formado entre todos os partidos para sustentar a campanha e que Márcio, com certeza, aceitaria o encargo.

Isto quer dizer que esse filho de pecuarista que não mora no Acre (o que é que ele faz mesmo?), já derrotado por três vezes pela frente popular, aceitaria o risco de amarrar o guiso no pescoço do gato.

Não acredito que esse consenso possa acontecer, porque é notória a rejeição desse nome em muitos partidos políticos, todos com interesses paroquiais inconciliáveis. Entretanto, não descarto a possibilidade do Angelim passar por sérias dificuldades na sua reeleição. Seu principal adversário reside na superação da fatiga do poder (dez anos de administração petista), não obstante possuir individualmente excelente avaliação popular e contabilizar expressivo sucesso administrativo como alcaide riobranquino. Um segundo fator que deve pesar contra a sua campanha é a imbecilidade de alguns idiotas aboletados em cargos públicos – que pensam que têm Deus na barriga -, portanto grosseiros e incapazes de tratar com respeito as pessoas do povo.

* Juiz de Direito aposentado e colunista bissexto

 
 
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Rio Branco-AC, 12 de abril de 2008
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