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Reconhecimento mundial Nilson Mourão e Ufac pedem a Iphan que sítios arqueológicos do Acre sejam tombados e virem patrimônio da humanidade |
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Brasília - As centenas de sítios arqueológicos ou geoglifos de mais de mil anos descobertos no Acre podem vir a se transformar em bens patrimoniais considerados patrimônio da humanidade. É isso que pediram semana passada ao presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Luiz Fernando de Almeida, a Universidade Federal do Acre e o deputado federal Nilson Mourão (PT-AC). Anexando farto material ilustrativo de diversos tipos de geoglifos descobertos em toda a região do Vale do Acre, de Assis Brasil a Rio Branco, com extensão para dentro dos Estados de Rondônia e Amazonas, o deputado Nilson Mourão e os professores Alceu Ranzi e Jacó Piccoli, representando o reitor Jonas Filho, explicaram ao Iphan a importância de seu tombamento para o engrandecimento da história da ocupação humana na Amazônia. “Pelo conjunto e complexidades [dos sítios arqueológicos] sugerimos analisar e avaliar a possibilidade de abertura de processo objetivando sua inserção na classe dos bens patrimônios considerados patrimônio da mumanidade”, diz o documento assinado pelos quatro representantes acreanos e entregue a Dalmo Vieira Filho, diretor do Departamento do Patrimônio Material e Fiscalização, que representou o presidente do Iphan. O pedido de tombamento e de declaração de patrimônio da humanidade para os sítios arqueológicos do Acre, que podem chegar ao montante de mil nesta parte da Amazônia Ocidental, se deve às preocupações da Ufac com relação à gradativa destruição desse patrimônio histórico e cultural. Alguns sítios já foram até cortados por estradas e outras obras humanas. Os representantes acreanos ressaltam que, apesar da preservação prevista na legislação federal e estadual, esse grande patrimônio arqueológico do Acre sofreu e continua sofrendo impactos ambientais causados por diversas formas de atividades de iniciativas pública e privada. As interferências se dão por obras de infra-estrutura socioeconômica pública e privadas, tais como fazendas de pecuária, agricultura mecanizada para produção de etanol, rodovias federais, estaduais e municipais, estradas particulares, linhas de transmissão de energia elétrica para zona rural, projetos de colonização agrícola, implantação de moradias na zona rural, açudes, entre outras. Ainda com o apoio do deputado federal Nilson Mourão, a Ufac também solicitou ao Iphan apoio técnico e financeiro para as várias iniciativas que vem tomando para a preservação e produção de conhecimento sobre a realidade patrimonial do Acre. Nas áreas de competência da Universidade estão os cursos de pós-graduação lato e stricto sensu para formação de pessoal especializado; convênios de intercâmbio, estudos e pesquisas com instituições como o Museu Paraense Emílio Goeldi, a Universidade Federal do Pará, a Universidade de Turku e o Centro Latino Americano da Universidade de Helsinque, da Finlândia; além de cursos e ações de extensão no campo da educação patrimonial. Em sua explanação sobre o pedido ao Iphan de valorização do importante patrimônio arqueológico do Acre, o deputado e os professores da Ufac assinalam que a Amazônia Sul-Ocidental, configurada pela fronteira trinacional Brasil-Bolívia-Peru, partilha características ecológicas e de ocupação similares. “Esta área de Floresta Tropical Úmida, outrora densamente ocupada provavelmente por populações das famílias e troncos lingüísticos takana, aruaque e pano, foi, em tempos recentes, alvo de intensa ocupação extrativista da borracha natural, da exploração mineral e, principalmente, das frentes de expansão da agropecuária, da agricultura e da extração madeireira”, assinala o documento entregue ao Iphan. Segundo o deputado e os professores da Ufac, essa região brasileira concentra uma das maiores reservas de biodiversidade do planeta e dispõe de um conjunto significativo de sociodiversidade remanescente ao contato, que é formado pelos povos indígenas que sobreviveram a ocupação e colonização desordenada tanto da Amazônia brasileira como das selvas peruana e boliviana. “Apesar das investidas feitas ao longo da história, através de diferentes ciclos econômicos, ambientalmente predatórios, a região ainda conserva um baixo índice de intervenção antrópica”, sustenta o documento entregue ao Iphan. O deputado, o antropólogo Jacó Piccoli e o professor Alceu Ranzi, que fez as descobertas e produziu as primeiras imagens dos sítios, assinalam, ainda, que no contexto dos processos recentes de antropização revelou-se um patrimônio arqueológico, cuja relevância a Ufac se considera longe de avaliar. Os sítios arqueológicos, segundo a Ufac, estão concentrados ao longo do divisor de águas onde estão implantados os trechos regionais da BR-317 e da BR-364, formam estruturas de formatos geométricos diversos (quadrados, círculos, círculos concêntricos, retângulos, hexágonos) e outros de dimensões e desenhos diversos, construídos provavelmente por povos que habitaram a região há cerca de 1.000 anos. Segundo avalia a arqueóloga Denise Schaan com base nas descobertas e imagens realizadas pelo professor Alceu Ranzi em 2001, esses sítios compõem-se de vala de um a dois metros de profundidade, escavada no solo argiloso, e de uma mureta externa formada pela deposição do solo escavado. No conjunto, vala e mureta têm cerca de 12 metros de extensão. O desenho impresso no solo pela vala, de formato perfeitamente geométrico, possui, em média, entre 100 e 300 metros de diâmetro. Para o deputado e os professores da Ufac, somente no Acre, chegou-se em levantamento preliminar à existência de 150 sítios de características similares. Estima-se que este número oscila, podendo ser estimado entre um mínimo de 700 e um máximo de 1000 sítios, se forem considerados os protegidos pela floresta densa ainda não devastada, ao longo de uma extensa área que vai do noroeste da Bolívia, passando por partes dos territórios atuais dos estados do Acre e Rondônia até o sul do Amazonas. (R.A.) |
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