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Raimundo Angelim Bate-papo com a Redação
Marcado pela mesma informalidade foi o bate-papo com o ex-secretário das Cidades do governo do Estado, Raimundo Angelim, que na manhã de ontem visitou a redação do Página 20 com o intuito de fazer o chamamento para a convenção desta segunda-feira, quando seu nome deve ser confirmado para concorrer à prefeitura de Rio Branco em outubro próximo. Angelim foi recebido pelo diretor-geral do Página 20, Élson Dantas, pelo editor-chefe Jorge Gallina e pelo jornalista Tião Vitor. Descontraidamente e de forma empolgante, Angelim falou dos seus planos, caso eleito seja, para administrar a capital dos acreanos. Inicialmente, instigado por Jorge Gallina, Angelim falou do trabalho que já vem sendo feito pela atual administração, que é o levantamento aerofotométrico da cidade. Tal levantamento, como o próprio nome já sugere, é feito através de fotografias aéreas de alta resolução e que devem servir de base para a confecção do plano diretor da cidade. “Esse levantamento é superimportante para a cidade porque ele contém uma riqueza de detalhes impressionante. Eu, se for eleito, pretendo trabalhar bastante com esse tipo de tecnologia, porque não dá mais para trabalhar como antigamente, com informações pouco confiáveis”, respondeu Angelim. Angelim, e o dinheiro? A prefeitura tem o dinheiro suficiente para começar a planejar? Porque você terá vários problemas na prefeitura que estão emperrados pela falta de dinheiro. O orçamento da prefeitura, em 2004, foi de 199 milhões, destes aí, em 2003, o Estado repassou 23 milhões. A prefeitura depende mais de 80% do repasse do Fundo de Participação dos Municípios. Eu estou juntando toda a documentação a respeito da prefeitura porque quero fazer um levantamento, e eu já estou com uma equipe trabalhando em cima disso, para saber tudo o que a prefeitura deve e, pagando tudo isso, o que é que sobra Eu tenho uma equipe de cinco economistas trabalhando em cima disso. Eles estão analisando as documentações orçamentárias dos anos de 2001, 2002, 2003 e 2004. Os primeiros três anos estão executados e 2004 está em execução. Eu estou tentando pegar as despesas que tiveram nesses anos todos. Aí eu quero fazer uma relação historicamente desses últimos quatro anos, mas não é para criticar ninguém, é para eu me basear e fazer meu planejamento, o que é que cada ano o prefeito tem imobilidade, ou seja, o que é que ele pode fazer ou não. Pra ele saber qual é o comprometimento com pessoal, comprometimento com débitos, ou seja, empréstimo com a Caixa Econômica Federal, com outros bancos, qual é o comprometimento com transferências para a educação, para a saúde, com funcionários. E depois disso, o que é que sobra. É isso que eu quero ver para poder planejar. A prefeitura teve um orçamento para 2004 de 199 milhões, mas, para 2005, está em torno de 198 milhões, está baixando. Eu peguei uma cópia da LDO [Lei de Diretrizes Orçamentárias] na Câmara e estou fazendo um estudo também. Isso porque você tem que se antecipar agora para o orçamento do ano que vem, porque depois de aprovada você tem que seguir apenas. Esse estudo vai servir para ver como é que podemos fazer, através de nossos vereadores, para aprovar alguma emenda que nos possibilite ter uma folga maior no orçamento do ano que vem. E essa questão da água aqui em Rio Branco? Eu vejo assim: esse problema da água em Rio Branco você não pode tratar como uma bandeira política, você tem que tratar com responsabilidade técnica. Nós temos um problema de perda muito grande. Essa perda aparece na ponta, porque as pessoas deixam as caixas d’água derramando por horas, ficam lavando calçadas e outras coisas mais. Isso é uma perda grave. Mas você pode fazer uma campanha educativa, de conscientização, nas escolas, na mídia, que pode reverter esse quadro. O mais grave é a perda ao longo da rede, que é aquela perda que você só percebe quando chega no asfalto que ele estoura e começa a derramar água para todo lado. Mas até chegar a isso, o que se perde na água através da rede? A nossa rede adutora é muito antiga e está subdimensionada, com canos feitos de qualquer forma e hoje está com muitas fugas de água, então, essa rede, é um verdadeiro ralo, e, por isso, pouco se detecta porque é rede subterrânea. E o que acontece com isso é que se perde pressão ao longo da rede aí, a pessoa em casa, tem torneira, mas não chega água. Para resolver esse problema teremos que fazer uma vistoria completa na rede. Aí, encontramos outro problema, mas grave ainda. Eu tomei conhecimento, através de alguns técnicos do Estado que trabalham com isso, não tem, nem Estado nem município, a planta com toda a distribuição da rede da Rio Branco. Dizem que tem um senhor que sabe a localização da rede. Então, nós temos apenas a memória desse senhor pra nos orientar. Nós temos que buscar urgentemente a parceria dessa pessoa para nos ajudar a formatar essa planta e essa vistoria porque sem saber onde passam os canos não é possível fazer nada, porque não se pode cavar na calçada ou no meio da rua esperando encontrar ali algum cano. Tem-se que ir certo ao local para evitar gastos desnecessários e complicações para as pessoas que transitam ou moram nessas vias. Outra questão importante é o Estado fazendo essa estação de tratamento de água que está em curso, tem-se que paralisar a atual, porque ela foi construída em 1970, ou seja, há 34 anos. Gallina: esse paralisar tu quer dizer desativar? Angelim: desativar para manutenção, porque o que vem sendo feito nesses anos é trocar o pneu do carro andando. Você tem que parar a atual para fazer uma manutenção total para pode colocar depois as duas em funcionamento. Aí você tem água suficiente para abastecer a cidade. Um outro problema que tem que ser resolvido é a questão das peças de manutenção para as bombas. Não é possível ter peças de reposição em grande quantidade porque é caro, mas é necessário que se tenha pelo menos duas ou três peças, as que mais dão problema, para evitar que a cidade fique sem água por longos períodos de tempo até que se encomende uma peça na fábrica para substituir aquela que quebrou nas bombas. Além disso, é necessário fazer uma administração parceira, entre Estado, município e funcionários. Nós precisamos buscar recursos federais, porque hoje quem tem dinheiro para fazer saneamento básico é o governo federal. Então, precisamos da parceria do Estado para captar esses recursos, porque o município não pode, com o seu orçamento, bancar obras como essa. Outra coisa: a empresa municipal emite boletos no valor, digamos, em torno de 800 mil reais, mas ela só arrecada menos de 50%, ou seja, há uma inadimplência muito alta. Há como fazer do Saerb uma empresa lucrativa? Eu acho que o lucro de uma empresa como o Saerb é social. É a população está atendida. É importante que ela pelo menos empate, que ela seja uma empresa saudável do ponto de vista financeiro. Não entendo por que isso acontece, porque o Saerb é uma empresa que tem um quadro técnico muito bom. Obviamente falta alguma coisa para que ela funcione como deveria. Essa questão da relação com o público é que eu acho que não está legal e eu acho que isso tem muito a ver com a inadimplência. É que falta água na torneira e as pessoas não querem pagar. Se eleito, você pretende fazer a reversão, ou seja, devolver o Saerb para o governo do Estado como se falou por muito tempo? Não. Eu prefiro, como já falei, uma gestão compartilhada, em parceria com o governo do Estado, com os funcionários. Realmente, não se resolve o problema passando o pepino para outro... A gente tem é que descascar esse pepino juntos. Essa questão da água deverá ser tratada com muita seriedade. |
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