OPINIÃO
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Mariazinha Leitão *

 

Arte, atividade e afetividade na terceira idade

Envelhecer é mudar e renovar as atitudes básicas que envolvem as diversas áreas vitais: físicas e mental, interpessoal, relacional, afetiva e emocional. O novo indicador ligado à esperança de vida com saúde se desdobraria num desejo de viver sem invalides, sem demência, sem isolamento, sem institucionalização, desânimo e depressão.

Não se trata de prolongar a vida em número de anos, mas orientar e ajudar as pessoas da terceira idade a viver de modo saudável, produtivo e prazeroso.Tal conceito nessa etapa evolutiva baseia-se no desenvolvimento de suas potencialidades, numa motivação para o conhecimento e atividade sociais, procurando manter estado de atenção e de vigilância constantes, exercitando a capacidade de decisão e controle mental.

A teoria que postula que a qualidade de vida será maior do que a quantidade é denominada teoria da compreensão de morbidez que levaria a uma redução de duração com invalidez devido à deficiência das medidas preventivas, tratamentos precoces e controle das doenças crônicas.

A tendência moderna é a de aproximar os aspectos culturais ao que se denomina subjective que representa o grau pelo qual as pessoas numa determinada sociedade estão realizando os valores que prezam e acreditam, vivendo bem e aproveitando suas vidas corretamente.

Nesses estudos são enfatizados os aspectos culturais, pois revelam padrões compartilhados de atitudes, crenças, categorizações, normas, regras e elementos subjetivos de valores organizados em determinadas culturas. Sempre estão envolvidos nessa noção os seguintes eixos: Complexidade, simplicidade, o individual e o coletivo.

Segundo o especialista desse campo, R. Keyes (1995), Seis aspectos estão envolvidos: Auto-aceitação; Relações positivas com os outros; Autonomia; Domínio do meio; Metas de vida; Crescimento pessoal.

Claro que há fatores que contribuem para se conseguir uma boa qualidade de vida, além das condições físicas e mentais, renda econômica, recursos de apoio, rede de socialização, estilos pessoais cognitivos, diferença de status e emocional, vivências e experiências anteriores, dentre outros.

Esse sentimento está muito relacionado à satisfação que as pessoas sentem com a vida que têm e as condições em que vivem, de acordo com as condições em que vivem, de acordo com as suas prioridades e sistemas de vida, não estando diretamente relacionados à idade propriamente dita ou sexo.

Depende mais do que decide fazer de suas metas, de suas crenças da compreensão das normais e do tempo em que vive, das oportunidades que conquista, da sua capacidade de escolha, avaliando a sua vida como em todo.

O nível de satisfação pessoal advém do equilíbrio entre o que quer, deseja, espera e alcança, pois faz, com que se sinta mais feliz, realizado e útil às outras pessoas.

Aspectos biológicos, psicológicos, sociais e existenciais devem ser respeitados, convocando a todos para uma responsabilidade de partilha, para uma interdependência no convívio, lembrando que “jovem é aquele que desafia os acontecimentos e encontra alegria no jogo da vida, tão jovem quanto a confiança em si e a sua esperança e tão velho quanto a sua descrença, o seu desânimo e cinismo”.

A subjetividade, a singularizarão e a identidade está presente nas três saídas acima apontadas e que desembocam na criatividade e partem dela.

Assim, a arte está ligada à expressão, à emoção, ao simbolismo, sendo um nutriente importante para a realização pessoal mediante qualquer registro: verbal, musical, pictórico, corporal, abstrato e demais, de acordo com os interesses e as capacidades de cada um.

A felicidade declarada não é uma boa indicadora da qualidade de vida da pessoa: o que importa é sentir-se satisfeito com as coisas e as atividades que ajudam a crescer e realizar seu potencial.

Sem o interesse desinteressado, a vida é desinteressante, pois não há espaço para a novidade, a surpresa e a transcendência dos limites impostos pelos nossos medos e preconceitos.

Desenvolver o hábito de fazer tudo com a atenção concentrada transferindo energia para as coisas que gostamos e que nunca fizemos antes é importante, assim como saber controlar a energia psíquica para transformar as situações.

O que se pode recomendar é autenticidade nas relações humanas, troca de experiência em nível intergeracional , diálogo interativo, abertura para o outro, compreensão e aceitação mútuas, continuidade e sistematização nos programas e projetos propostos, além do incentivo ao prazer, as atividades lúdicas e ao senso de humor, bem como a renovação do espaço de convivência, neutralizando preconceitos sociais.

* Especialista em gerontologia social

 

 
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Rio Branco-AC, 27 de junho de 2004
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