VARIEDADES

Épico leva estudantes ao cinema

Da literatura ocidental para as telonas, Tróia conquista público estudantil. No Acre, salas de exibição lotam diariamente


O lendário Cavalo de
Tróia chama a atenção


Andréa Zílio

Uma produção ousada do cineasta Wolfgang Petersen tem atraído multidões aos cinemas de vários países desde a sua estréia, a pouco mais de um mês. O filme Tróia, que é uma adaptação da obra mais importante da literatura ocidental, “Ilíada”, escrita por Homero há quase 3 mil anos, tem levado ao cinema de Rio Branco o público estudantil.

O filme é visto por professores como uma boa aula extra classe na disciplina de História. Desde a estréia local, que aconteceu no último dia 18, os 186 assentos da sala de exibição lotam nas quatro sessões diárias e as reservas escolares não param.

No Brasil “Tróia” está sendo rodado há sete semanas e alcançou um público de mais de 3,7 milhões de pessoas. Nos Estados Unidos são mais de 129 milhões que até agora foram ao encontro da telona.

Apesar de alguns críticos acreditarem que mais uma vez os americanos caíram na tendência natural, em tirar alguns detalhes da obra original para acrescentar artifícios mais vendáveis ou até mesmo darem sua própria ‘moral da história’, reconhecem também que Tróia é uma super produção ousada, do aclamado diretor de Mar em Fúria. Principalmente se tratando de um filme que surpreende mesmo relembrando os tempos de guerra da Grécia antiga, ou seja, uma história previsível.

O filme

O filme conta como a paixão de um dos casais mais lendários da história, Páris, príncipe de Tróia e Helena, rainha de Esparta, desencadeia uma guerra que irá devastar uma civilização. Páris rouba Helena de seu marido, o rei Menelau, e este é um insulto que não pode ser tolerado. A honra da família determina que uma afronta a Menelau seja considerada também a seu irmão Agamenon, o poderoso rei de Micenas. Agamenon une todas as tribos da Grécia para trazer Helena de volta em defesa da honra do irmão, mas o que está em questão é a sua ganância, por ele querer controlar Tróia para garantir a supremacia de seu império.

Tróia é cercada de muralhas, comandada pelo rei Príamo e defendida pelo poderoso príncipe Heitor, uma fortaleza que nenhum exército jamais conseguiu invadir. A chave da derrota ou da vitória sobre a cidade é um único homem: Aquiles, tido como o maior guerreiro vivo. Arrogante, rebelde e aparentemente invencível, Aquiles não tem lealdade a nada nem a ninguém, a não ser à sua própria glória. Sua sede insaciável pelo eterno reconhecimento o leva a atacar os portões de Tróia sob a bandeira de Agamenon. Mas o amor que acabará por decidir seu destino. Um filme que mantém a história original e surpreende a cada cena.

Tróia na escola

Meta III e Newtel Maia são algumas das escolas que aderiram o filme como uma aula extra classe. Professores de História, Português, Geografia, Artes e Ciências tem levado os estudantes para assistir a produção hollywoodiana.

A professora de Português, Raquele Nasserala, 29, leciona em ambos os colégios, e até agora levou 475 alunos ao cinema. “Estou utilizando o filme na minha disciplina como incentivo à leitura, porque a partir dele os alunos ficam entusiasmado em ler mais a respeito da mitologia grega. E escreverão sobre o filme, fazendo uma crítica, ou até criarão um outro final em uma redação”.

As professoras Newtel Maia, as professoras Maria Inês, Narlei Souza e Kethleen Maklaine também aderiram a proposta. Ketheleen é professora de História. Ela diz que o filme seguiu a história épica, por isso levou os alunos para ver o assunto que estudaram em sala de aula e também pedirá relatórios aos estudantes.

Vale a pena enfrentar a fila

“Tróia se mostra uma película de grande sensibilidade e cativante – apesar da ênfase americana ao personagem de Brad Pitt, Aquiles. Mas até isso está de acordo com a lenda. O ponto alto da história é, sem dúvida, o confronto entre o semideus Aquiles e o mortal Heitor. Mesmo o público sabendo o que irá acontecer, é impossível não prender a respiração e se emocionar. Um filme imperdível”. (Marcela Barrozo, 23 anos – jornalista)

 

 
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Rio Branco-AC, 27 de junho de 2004
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