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| Romerito Aquino | ||
Passivo social I Sete mil famílias ou cerca de 30 mil pessoas. Esse é o tamanho do passivo social causado nos últimos 15 anos pelo Ibama ao criar, em 1989, o Parque Nacional da Serra do Divisor, que abrange áreas dos municípios de Cruzeiro do Sul, Mâncio Lima, Rodrigues Alves, Porto Walter e Marechal Thaumaturgo. Passivo social II Todas essas pessoas foram praticamente obrigadas a deixar a área do parque porque não podiam mais expandir suas atividades produtivas, com sérias limitações para plantar, pescar ou caçar. O passivo social se deve ao fato da maioria delas ter migrado para as periferias das cinco cidades do Vale do Juruá, uma vez que não lhe foram oferecidas novas áreas de terra para produzir. Passivo social III Mesmo levando-se em conta os nobres objetivos do governo federal, de criar o parque para proteger uma região considerada detentora de uma das maiores biodiversidade do planeta, o prejuízo social desta ação foi gravíssimo. Afinal, milhares de crianças, jovens, adultos e velhos foram forçados a deixar seus locais de origem para sofrerem todo o tipo de injustiças sociais possíveis nas periferias das cidades. Passivo social IV Essa dívida social terá de ser paga um
dia pelo governo federal, que já acumula no Acre outra ainda
mais trágica, que foram as expulsões de dezenas seringueiros
para a periferia de Rio Branco, provocadas pela queda do preço
da borracha e pelo fomento federal em favor da expansão da pecuária
para a Amazônia nas décadas de 70 e 80. Isso é fato,
é história, que terá de ser reparada mais cedo
ou mais tarde em benefício do povo da floresta. Uma boa chance do governo federal começar a pagar essa dívida é dar cada vez mais condições para o governo do Acre investir no desenvolvimento sustentável do estado, fomentando políticas públicas que incentivem a exploração manejada de seus preciosos recursos florestais, que é a melhor saída para gerar renda e empregos não só para os que se encontram hoje na floresta, mas para os que foram expulsos dela. Essa dívida só será paga depois que todos que foram expulsos da floresta – e que formam hoje a grande maioria da população das periferias das cidades do estado – tenham chance de voltar a trabalhar e a produzir. Centro de bioenergia O senador Sibá Machado saiu eufórico de Brasília para participar da inauguração, na próxima terça-feira, em Rio Branco, de uma série de tecnologias de produção de combustíveis a partir de fontes locais, como a biomassa. Neste dia, o estado deve inaugurar um centro de referência em bioenergia para desenvolver tecnologias mais simples utilizando, inclusive, a produção familiar rural. O ponto destes eventos será a entrada em circulação na capital de dois ônibus que serão movidos a óleo de buriti, árvore muito comum na floresta. Ponto de partida O centro de referência de bioenergia do Acre vai ser o ponto de partido para o estado entrar na era do biodiesel, combustível produzido a partir de biomassa que começa a se transformar na coqueluche dos países do mundo que, como a Alemanha, querem contribuir, com ações concretas, para a redução do gás carbônico produzido pelos veículos movidos a combustíveis derivados do petróleo. Biodiesel no Acre Dispondo de florestas com alta incidência de palmeiras oleaginosas, o Acre certamente tem tudo para sair na frente na produção de biodiesel, que pode atender principalmente a demanda por combustíveis de suas comunidades mais isoladas na floresta, uma vez que dificilmente elas terão acesso aos primeiros investimentos do programa Luz para Todos, idealizado pelo governo Lula para levar eletricidade a todos os brasileiros até 2008. Convocação A bancada federal do Acre terá mais uma semana para atuar no Congresso antes de entrar no burburinho das eleições municipais de outubro. Até sexta-feira, estava decidido que os parlamentares trabalharão até o dia oito de julho, com grande possibilidade do governo completar o mês através de convocação extraordinária. Se e o Congresso foi convocado pelo presidente, cada parlamentar vai receber três salários no valor de R$ 38.160 e as despesas de todo o Congresso vão custar ao país R$ 50 milhões. Blocos econômicos O deputado federal Zico Bronzeado viajou ontem em mais uma missão internacional do Congresso. Bronzeado foi para Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia, participar de hoje até terça-feira do encontro entre a Comissão Parlamentar Conjunta do Mercosul e o Parlamento Andino, que vai discutir a integração entre os dois grandes blocos econômicos da América do Sul. |
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