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Igreja Católica inaugura no domingo a Fazenda da Esperança

Trabalho de recuperação de dependentes químicos já é reconhecido em vários países, além do Brasil

Regiclay Saady
Dom Joaquín (C) lembrou que a igreja já mantém um trabalho voltado para a recuperação dos dependentes químicos por meio da associação Caminho Aberto


Val Sales

A primeira Fazenda da Esperança no Acre está localizada em Sena Madureira, quilômetro 6 da BR-364, sentido Manuel Urbano. O novo centro de recuperação de dependentes químicos, apoiado pela Igreja Católica, será aberto no próximo domingo na presença do co-fundador da entidade no país, Nélson Giovanelli, e do bispo da Diocese de Rio Branco, dom Joaquín Fernandez.

O trabalho de ressocialização dos dependentes é mantido por religiosos e voluntários. Eles se dedicam integralmente ao resgate da auto-estima e da espiritualidade dos jovens e adultos que se envolveram com as drogas e o álcool. De acordo com Nélson, a casa é mantida com recursos próprios a partir da produção dos internos, seja na agricultura, indústria ou artesanato. Para ajudar na despesa, as famílias se comprometem a comprar mensalmente uma cesta do material produzido pelo seu interno na casa.

Nélson, que é leigo consagrado, disse que a Fazenda da Esperança está intimamente ligada à Igreja Católica e que só veio para o Acre a partir do convite dos frades da congregação dos Servos de Maria e da autorização e ajuda do bispo dom Joaquim. “A igreja doou os 183 hectares de terra onde está localizada a casa que abrigará dez internos. O controle no número desses internos é para criar o laço familiar, onde eles aprenderão a se relacionar uns com outros”, ressaltou.

Ele lembrou ainda que o nível de recuperação das pessoas que passam pela Fazenda é de 80% a 85%, sendo que ao terminar o período de internação, eles voltam nas fárias do trabalho para oferecer o serviço voluntário. “A implantação da comunidade terapêutica no Acre foi feita por voluntários de vários Estados do país”, acrescentou. O tempo de permanência dos dependentes na terapia é de doze meses, quando saem e passam ser acompanhamento em suas casas.

O bispo dom Joaquim lembrou que a igreja já mantém um trabalho voltado para a recuperação dos dependentes químicos por meio da associação Caminho Aberto, e que a Fazenda da Esperança vai fortalecer o poder de ação dos amigos que lutam para ajudar as pessoas a abandonarem os vícios. “A área de fronteira fortalece a ação das pessoas que lidam com as drogas, e muitas famílias sofrem com a dependência de parentes”, afirmou. O padre Anderson, que cuida da comunidade terapêutica de Manaus há 17 anos, também está no Acre para auxiliar nos primeiros trabalhos da entidade. A Fazenda da Esperança está presente em várias regiões do Brasil, além da Alemanha, México, Argentina, Paraguai, Filipinas e Moçambique, na África.

Governo do Acre assegura apoio à instituição que já tirou milhares de jovens da dependência química

Edmilson Ferreira

Há 26 anos, o frei Hans Stapel chegou ao interior de São Paulo, na região de Guaratinguetá, para trabalhar na Paróquia Nossa Senhora da Glória. Frei Hans tinha no coração um chamado para as obras sociais e colocou em prática várias iniciativas de amparo às pessoas mais necessitadas. O divino chamado baseava-se na afirmação de Jesus Cristo “tudo o que fizerdes ao menor dos meus irmãos, a mim o fareis”, nascendo daí a Fazenda da Esperança. Certo dia, um jovem pediu ajuda de frei Hans para sair do mundo das drogas. A bem-sucedida experiência levou a Fazenda da Esperança a especializar na recuperação de dependentes químicos.

Hoje, a Fazenda da Esperança está presente em vários Estados brasileiros e em muitos países, atuando de modo incisivo no enfrentamento ao vício em substâncias químicas. A unidade de número 30 da Fazenda da Esperança instalou-se recentemente a seis quilômetros do Centro de Sena Madureira pela BR 364, e sua inauguração está prevista para o próximo dia 30 de julho.

Ontem, representantes da organização reuniram-se com o governador Jorge Viana no Palácio Rio Branco, e dele receberam manifestação de apoio ao projeto. Viana entende que a atuação junto aos dependentes é melhor realizado pelas instituições da sociedade civil. “Esse trabalho quem mais tem competência para fazer é a sociedade”, disse o governador.

Apoio - Em 1983, um jovem da paróquia dirigida por frei Hans, Nélson Giovanelli, se envolveu com o trabalho e acabou sendo procurado por jovens que queriam afastar-se das drogas. E outros jovens seguiram o exemplo de Giovanelli. “Esse primeiro grupo de jovens sustentava aquela primeira casa com os resultados obtidos do suor do trabalho de cada um. Era uma casa alugada, dentro da cidade. O jovem voluntário Nelson trabalhava numa cooperativa e colocava em comum o seu salário e os outros jovens cortavam grama na casa das pessoas da paróquia”, informa a assessoria da Fazenda da Esperança.

Giovanelli esteve ontem com o governador e se mostrou especialmente feliz pela receptividade encontrada no Estado. “Temos agora, a partir desse encontro com o governador, a possibilidade de ampliar de dez para 24 o número de jovens atendidos”, disse Giovanelli, co-fundador da Fazenda da Esperança.

Segundo ele, o jovem que busca a recuperação tem que chegar disposto a deixar para trás o seu passado de dependente químico. O mundo novo terá como fortaleza o Evangelho. Os internos passam um ano na Fazenda, uma propriedade de 190 hectares às margens da principal rodovia do Acre, onde trabalham e encontram intenso relacionamento com o mundo espiritual e as bases de uma boa moral cristã.

Dos 23 centros masculinos, duas fazendas estão na Alemanha, uma no Paraguai, yuma nas Filipinas, além das fazendas do México, Guatemala, Rússia e Argentina, em construção. São 10 centros para mulheres. Há no Brasil, 20 centros masculinos e nove femininos estão no Brasil.

Melhores informações podem ser obtidas pelo telefone (68) 3612-2234 ou pela internet no endereço www.fazenda.org.br.

 
 
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Rio Branco-AC, 27 de julho de 2006
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