OPINIÃO
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Maria Regina Canhos Vicentin *

 

Que dizer dos inimigos?

“É triste não ter amigos? Ainda mais triste é não ter inimigos. Porque quando não se tem inimigos, significa que não se tem: nem talento que faça sombra, nem caráter que impressione, nem coragem para que o temam, nem honra contra a qual murmurem, nem bens que lhe cobicem, nem coisa alguma que lhe invejem...” (Voltaire).

É, meu caro Voltaire, você arrumou um jeito bonito pra justificar as inimizades que, muitas vezes sem querer, acumulamos pela vida. Houve um tempo em que eu pensava que para se ter inimigos era necessário fazer mal a alguém, caso contrário, só se teria amigos. Como eu estava enganada... Hoje sei que para ter inimigos basta estar vivo, respirando. Se você faz algo significativo, então, vixe... Sai de baixo; o olho gordo pode esmagar você!

As coisas poderiam ser diferentes se as pessoas em geral procurassem gastar suas energias em algo produtivo ao invés de ficarem agourando a sorte alheia. Sem dúvida alguma, todos somos dotados de talentos especiais, entretanto, muitos enterram os seus ao invés de colocá-los à disposição da humanidade. Depois, morrem de inveja daqueles que brilham com suas habilidades inatas ou adquiridas, mas enfim, trabalhadas para dar frutos.

Capacidade é algo que a maioria das pessoas têm; o que falta é vontade. A preguiça aborta muitos planos, condenando-os à morte antes mesmo de serem implementados. Adia-se a providência a tomar por dias, meses, anos, até que já não se fala mais nela. Se alguém faz, pronto, sabotou seus sonhos. É difícil aceitar que houve quem não se intimidou diante do trabalho e arregaçou as mangas, alcançando o resultado.

Precisamos deixar de ser mesquinhos e aprender a parabenizar quem merece. Aquele que imaginou, planejou, buscou, plantou, adubou, regou e finalmente, colheu. Por que é que fazemos cara feia quando alguém alcança o sucesso? Talvez, porque gostaríamos de igualmente tê-lo alcançado. As perguntas são: Você teve uma grande idéia? Imaginou como poderia implementá-la? Fez planos para que ela viesse a se concretizar? Buscou meios para que seu sonho se transformasse em realidade? Providenciou tudo que era necessário para a realização do seu objetivo? Esforçou-se, trabalhou, cuidou dele?

Muitos querem colher os frutos, mas recusam-se a plantar as sementes, pois sabem que para isso terão de sujar as mãos. Se você é assim precisa mudar, caso contrário passará a vida lamentando a sorte do vizinho e o azar próprio. A maioria de nós colhe o que planta. Aliás, isso é bíblico. Não se pode plantar laranjas para colher maças, nem uvas para colher bananas. Tem gente que planta um monte de porcaria e quer colher coisa que se aproveite.

Se você quer ter uma boa colheita, precisa plantar uma boa semente e cuidar dela até que floresça e dê frutos. Se a semente for boa e você não cuidar, um aventureiro provavelmente a tomará de você. Bons frutos sempre dão um enorme trabalho. O que entristece é saber que depois de tanta dedicação, na hora da colheita, ainda se tem de administrar o bando de invejosos ao redor. Com todo o respeito, vá trabalhar, meu irmão! Arregace as mangas e faça seu talento dar frutos. Lembre-se que “de boa intenção o inferno está cheio”.

Psicóloga e autora dos livros: Sementes de Esperança e do lançamento: Temas do Cotidiano, ambos da Editora Santuário. Nas melhores livrarias do país ou ligue grátis: 0800-160004.

* Home Page: www.meguia.net/buscandoafelicidade

 

 
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Rio Branco-AC, 27 de julho de 2006
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