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Acre teve ponte extraviada há 90 anos Ponte vinda da Europa foi desembarcada em Rio Branco do Sul, no Paraná, mas seu destino era Rio Branco, no Acre |
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Como se não bastasse o acúmulo de tantas histórias a seu respeito, o Acre acaba de ganhar mais uma. Esta foi divulgada há três meses pela Gazeta do Povo, um jornal que circula no Paraná: “Ponte destinada a Rio Branco, no Acre, está há 90 anos em Rio Branco do Sul, no Paraná”. Assim, com essas palavras, o diário deu início à história de uma ponte que tinha pouco mais de 50 metros de comprimento. Vinha da Europa para ligar algum lugar em Rio Branco, mas ainda não se sabe qual. Entretanto, a ponte - que desembarcou em partes no Paraná - ficou por lá mesmo. A estrutura era inesperada pela população daquela cidade, mas ninguém reclamou. Até acharam conveniente o presentinho. Enquanto o governo acreano não desse conta do sumiço da ponte, Rio Branco do Sul iria usufruir dela. E não deu outra: a cidade sulista usufrui dela até hoje. A reportagem conta ainda que a ponte liga o nada a lugar nenhum. É sem utilidade e está sob um pequeno rio que ninguém atravessa. São exatamente 45 passos que o pedestre precisa dar para atravessa-la - se isto fosse realmente um interesse dos pedestres. E para caber sob o rio, a ponte teve que ser cortada 15 metros de cada lado. “Essa história da ponte chega a ser engraçada porque a estrutura dela sequer cabia no lugar onde foi colocada. É um absurdo terem cortado uma boa arte dos dois lados”, destacou o historiador Marcos Vinícius Neves. O Acre e suas pontes O Acre reserva muitas histórias de pontes, segundo o historiador. A que foi extraviada para Rio Branco do Sul é só mais uma, descoberta há menos tempo. Ele conta que a ponte metálica esconde uma verdadeira odisséia, que apesar de não ter dado tão errado quanto a que foi parar no Sul do país, passou por situações não menos desastrosas. “Em 1955, o governador do Acre era o João Kubitschek, um homem cheio de idéias e projetos para o Estado. Ele fez muito pelo desenvolvimento local. Até quando saiu do governo e assumiu a presidência da Companhia Siderúrgica Nacional ele nos deu um presente: a ponte metálica”, contou. Foi aí que começou a grande odisséia descrita pelo historiador. Assim como a que veio da Europa e foi parar no Paraná, a que veio da companhia passou por Manaus e, por um descuido, algumas peças foram deixadas lá. Somente em 1964 quando José Augusto assumiu o governo, foi que mandaram buscar as peças esquecidas. Elas chegaram, mas a ponte não foi montada. Entre 1966 e 1970, no governo de Jorge Kalume, a ponte foi enfim montada. Mas o seu projeto original teve de ser modificado. O esquema de elevação foi eliminado, pois já não passavam mais vapores pelo rio Acre. Então, a estrutura da ponte mudou para fixa. “Existem muitas outras histórias de pontes aqui no Acre, inclusive no interior. Algumas deixaram de ser inauguradas porque não existia um acesso bom para se chegar até elas, por exemplo”, complementou. Falta de reivindicação pode ser explicada Em 1916, época em que a ponte acreana foi extraviada para o Paraná, não existia um governo que brigasse pelo sumiço dela, segundo Neves. O Território Federal do Acre ainda não estava unificado e o Estado possuía, portanto, quatro prefeituras departamentais - Alto Juruá, Alto Tarauacá, Alto Purus e Alto Acre -, o que pode justificar a falta de reivindicação. Somente quatro anos depois o Acre receberia seu primeiro governador, Epaminondas Jácome. |
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