COTIDIANO

Chuva ameniza situação crítica do Estado

Depois de um dia chovendo em nove municípios acreanos, incêndios são considerados sob controle

Marcos Vicentti
Chuva começou na madrugada de
ontem e se estendeu por toda a tarde


Renata Brasileiro

Nada comparado ao grande índice pluviométrico típico desta região, mas a chuva que começou na madrugada de ontem - com precipitações ao longo do dia - foi o suficiente para que o clima seco enfrentado pelo Estado sofresse uma grande transformação.

Segundo o superintendente do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Anselmo Forneck, a chuva veio em boa hora. Isso porque somente neste fim de semana 672 focos de calor foram registrados em todo o Estado e a umidade surgiu para amenizar incêndios, que em alguns pontos, como na Reserva Extrativista Chico Mendes, por exemplo, estavam fora do controle das autoridades públicas.

“Podemos dizer que hoje as queimadas estão sob controle”, declarou o superintendente.

Grandes áreas incendiadas com facilidade é o maior problema que o Estado vem enfrentando nos últimos meses em função da falta de chuva. Aliada a isso, a estiagem fez com que a umidade relativa do ar permanecesse sempre abaixo de 30%, a temperatura acima dos 35 graus e os mananciais com os níveis mais baixos de toda a história do Acre. O resultado é um clima quente e seco, estranhado pela população acreana.

Com a pequena precipitação - que em Rio Branco registrou 5,3 milímetros de água -, a umidade relativa do ar disparou para 100% e a temperatura caiu para 19 graus. No interior do Estado o volume de água foi maior, porém, não registrado pela Defesa Civil Estadual.

De acordo com dados do órgão, desde o dia 18 de julho não havia registro de chuvas no Acre. A característica é atípica, sendo que o mês considerado mais seco foi agosto, quando nenhum milímetro de chuva foi registrado.

Segundo o meteorologista Foster Brown, não há previsão de novas chuvas para os próximos três dias, apenas trovoadas isoladas e fortes ventos. Caso a realidade seja essa, Forneck disse que há grandes motivos para as autoridades mais uma vez se preocuparem, já que o vento faz a vegetação ressecar novamente e, consequentemente, ficar propícia ao fogo.

“Com essa trégua que tivemos após a chuva é que temos que definir o que deverá ser feito para que a situação crítica do Estado não volte ou até mesmo que ela se mostre ainda pior que antes”, completou.

Onde choveu - Assis Brasil, Brasiléia, Epitaciolândia, Capixaba, Plácido de Castro, Bujari, Sena Madureira, Senador Guiomard, Xapuri e Rio Branco. Essas foram as cidades onde choveu ontem. Em algumas, precipitações não eram registradas há mais de 120 dias. Em outras, apenas serenos mantiveram a umidade variando entre 40% e 50% nestes últimos meses, sendo que o normal na região é algo em torno de 70% a 80%.

 

 
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Rio Branco-AC, 27 de setembro de 2005
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