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Afronta ao meio ambiente Governadores mais denunciados do país por exploração ilegal da floresta fazem campanha de filiação do PPS no Acre |
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A vinda dos governadores Ivo Cassol, de Rondônia, e Blairo Maggi, do Mato Grosso, ao Acre foi considerada pelas autoridades e ambientalistas uma afronta. Eles estiveram em Rio Branco ontem para o lançamento da campanha de filiação do Partido Popular Socialista (PPS), que reuniu as lideranças da agremiação no auditório da Secretaria da Fazenda. A dupla veio acompanhada do presidente nacional do partido, Roberto Freire, que fortalece as campanhas dos pepessistas rumo às eleições do ano que vem. No Acre eles esperam filiar vereadores dos municípios e pré-candidatos para a disputa de vagas na Assembléia Legislativa e Câmara Federal. A presença dos governadores desagradou os ambientalistas do Estado por causa de currículos carregados de denúncias de irregularidades no que diz respeito à administração e desmatamentos na Amazônia. Narciso Ivo Cassol (PPS) foi acusado de invasão e grilagem de terras em Rondônia, Amazonas e Mato Grosso. Ele também é considerado o governador mais denunciado do país, sendo o único com processo penal em andamento no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Esteve envolvido em escândalo nacional com a participação de parlamentares de seu Estado e quase foi afastado do cargo por improbidade administrativa quando era prefeito do município de Rolin de Moura (RO). Depois do escândalo e temendo uma resposta negativa da executiva nacional tucana, ele se desligou do PSDB em julho deste ano e se filiou ao PPS no início de setembro. Rivalidade política Há uma rivalidade política entre os governadores Ivo Cassol e Jorge Viana. O primeiro prega a falta de dinheiro para investimentos, e o segundo aconselha a defesa dos próprios Estados na corrida pela execução de obras, enquanto aguardam os recursos federais. Ivo Cassol prega o desenvolvimento baseado na exploração direta da terra, através do desmatamento e do plantio de soja e de outras culturas consideradas devastadoras do meio ambiente. Jorge Viana, por outro lado, defende o desenvolvimento sustentado com bases na exploração racional dos recursos naturais, no manejo florestal e no incentivo às comunidades regionais. Nessa rivalidade, Jorge Viana leva vantagem no quesito popularidade, tanto no Acre quanto em Rondônia. A simpatia dos rondonienses por Jorge Viana pôde ser vista no ano passado, durante um encontro de meio ambiente na Universidade Luterana do Brasil (ULBRA), em Porto Velho. Na ocasião, Viana foi aplaudido de pé pelos presentes ao entrar no auditório acompanhado do senador Tião Viana e da ministra de Meio Ambiente Marina Silva. Cassol entrou em seguida e foi vaiado pelo público. O massacre da motosserra de ouro. Mato Grosso é considerado o campeão absoluto de desmatamento Mato Grosso e Rondônia respondem por 52% das queimadas na Amazônia. Foram 385 mil focos de calor nos dois Estados nos últimos sete anos dos 746 mil de toda a Amazônia. Nos últimos dez dias, Mato Grosso apresentou 17 mil focos de queimadas, o dobro do que o Acre queimou em sete anos. O Estado é governado pelo maior produtor individual de soja do mundo, Blairo Maggi. Ele comercializa cerca de 22% da produção do grão do Mato Grosso, que é campeão nacional de produtividade. A empresa de Maggi viu crescer seu faturamento de US$ 415 milhões em 2002, para US$ 532 milhões em 2003 e de 21% da área plantada (141 mil hectares em 2002 para 171 mil hectares em 2003). Ele foi criticado pela revista britânica The Economist numa reportagem sobre o desmatamento da floresta Amazônica. A reportagem de capa fala sobre o projeto de melhorias na rodovia BR-163 (que liga Cuiabá a Santarém, no Pará) e as eventuais ameaças ambientais do projeto. De acordo com dados do Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe), Mato Grosso detém quase a metade (48,1%) do total desmatado na Amazônia Legal. Também consta que dos 12.576 quilômetros quadrados desmatados no Estado, apenas 8.400 foram feitos de forma legal. A devastação chamou a atenção dos ambientalistas do Greenpeace, que criaram o Troféu Motosserra de Ouro para premiar a personalidade brasileira que mais contribuiu para a destruição da Amazônia. Com 37,21% da preferência popular, Maggi foi o vencedor da campanha virtual. A culpa da devastação é do Ibama, dizem governadores Em entrevista coletiva cedida ontem, antes da solenidade de filiação, os visitantes pepessistas culparam o governo federal e o Ibama pelo descontrole dos desmatamentos e queimadas na Amazônia. Segundo o presidente da executiva nacional, Roberto Freire, a falta de pulso do órgão se dá por não haver aparelhamento na maioria dos Estados. “Os trabalhadores não têm o mínimo de condições para fiscalizar e fazer valer as leis”, explicou. Já o governador Blairo Maggi negou que Mato Grosso seja o líder das queimadas na Amazônia e um dos responsáveis pela quantidade de fumaça que cobriu o Acre nos últimos meses. Nesse sentido, o governador Ivo Cassol disse que Jorge Viana, do Acre, está equivocado quando ameaça processar os dois Estados em questão pela fumaça que causou prejuízos ambientais e pessoais no Estado. “Ele deve entrar na Justiça, sim, mas contra o Ibama e o governo federal”, acrescentou. Manifestação de ambientalistas Um grupo de representantes de sindicatos, associações de moradores, movimentos estudantis e sindicatos rurais faz hoje um ato público com a assinatura de um documento pedindo que o governo do Estado acione na Justiça os governos do Mato Grosso e Rondônia pela destruição das suas florestas e pela poluição no Acre. O movimento é liderado pelo deputado Moisés Diniz (PC do B), que se mostrou indignado com a presença dos governadores dos dois Estados em Rio Branco. Para ele, o fato é uma afronta aos acreanos que sofreram perdas familiares por causa da poluição e ainda sofrem com a fumaça das queimadas. “Somos acusados de estar destruindo nossas florestas quando eles é que queimam indiscriminadamente. O Acre foi o único Estado na Amazônia que proibiu as queimadas”, ressaltou. O parlamentar fez questão de lembrar que nos últimos sete anos o Acre apresentou oito mil focos de incêndio, quando Rondônia registrou quatro mil em dez dias e o Mato Grosso, também em dez dias, contabilizou 17 mil. Loucura do Marcio - Ao tomar conhecimento da visita que considera indesejável ao Estado, Moisés Diniz, reagiu: “Esse Marcio Bittar está ficando louco de se juntar com essa gente. Ele está ressuscitando as idéias do Dantinha [ex-governador Wanderley Dantas], o responsável pelo início da destruição da floresta no Acre”, disse, acrescentando que o PMDB, hoje aliado de Marcio, deveria convencê-lo a afastar-se de ambos, pois o próprio PMDB na época do Nabor estancou o desmatamento desenfreado. Na opinião do deputado comunista, é preciso que os sindicatos se mobilizem contra essa “rondonização” que estão querendo implantar no Acre. Por isso, garante ele, nesta terça-feira comandará protestos contra a visita dos dois governadores em solo acreano. Diniz acha preocupante a obsessão de Cassol e Maggi pelo desmatamento e diz estar disposto a denunciá-los na ONU pelos grandes prejuízos que têm causado às florestas brasileiras. “Não se trata de ser contra aliados do candidato Marcio Bittar. Trata-se de ser a favor da vida”, diz o deputado, revelando que os Estados do Mato Grosso e Rondônia são responsáveis por 52% do desmatamento e destruição dos recursos naturais da Amazônia. “Ivo Cassol e Maggi são os grandes incentivadores desses crimes ambientais”, conclui. |
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