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Edgard de Deus * |
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A contradição da fumaça Quando adotou o slogan Governo da Floresta, o Governo do Estado do Acre teve uma postura corajosa, colocando a responsabilidade ambiental como uma premissa dos seus projetos e das suas ações. A sustentabilidade deixou de ser uma palavra difícil de ser pronunciada até nos discursos eleitoreiros, e virou condição praticada pelo governo e exigida dos seus parceiros em toda e qualquer discussão sobre políticas públicas para o Acre e sobre o futuro dos acreanos. O Governo da Floresta não se afirmou com facilidade. Ao contrário, precisou enfrentar muita demagogia, muitos interesses e velhos preconceitos. Velhos políticos não cansavam de repetir suas velhas cantilenas, repetindo sempre que a preocupação do Governo da Floresta com o meio ambiente impedia o desenvolvimento do Estado, que desenvolvimento sustentável é conversa pra boi dormir e que a solução para o Acre seria copiar o modelo pecuarista de Rondônia ou de agricultura extensivista do Mato Grosso. Ou mesclar os dois, não importa, contanto que para viabilizar o progresso se suspendesse os marcos ambientais e se botasse as florestas abaixo, trocando-as por vastos pastos ou campos de soja. Ou seja: qualquer coisa, menos a floresta – eis a receita progressista defendida e repetida por políticos que se uniram no combate ao Governo da Floresta, desde os mais renitentes, como o empresário Narciso Mendes, até os mais bossa-nova, como o fazendeiro Márcio Bittar. Faz quase sete anos que o Estado do Acre trabalha duro para criar condições de crescimento econômico-social com baixo impacto ambiental, tendo como base o uso sustentável dos recursos florestais. Este esforço inclui a preparação para enfrentar e controlar agressões como queimadas e desmate. Para tanto, por mais que o Governo tenha priorizado o setor, um Estado na condição do nosso está longe de dispor dos recursos ideais para tamanha tarefa. O jeito é compensar com muito trabalho, dedicação e fé na causa. E quando uma catástrofe natural como a seca aumenta os riscos causados pelas queimadas, é revoltante ver políticos sem nenhum compromisso ambiental tentando se aproveitar da situação. Mas o povo ensina que esperteza demais engole o dono. Este é o caso do senhor Márcio Bittar, fazendeiro convertido no maior defensor da aplicação do modelo de progresso praticado em Rondônia e Mato Grosso aqui no nosso Acre. Justo agora, quando a fumaça das queimadas criminosas de Rondônia e Mato Grosso, trazidas pelo vento, estacionam sobre o Acre e infligem à nossa população o sofrimento real de uma tragédia ecológica, Márcio Bittar e o seu PPS aparecem em Rio Branco trazendo os governadores Ivo Narciso Cassol e Blairo Maggi, os campeões em destruição de florestas e promoção de queimadas, como avalistas do seu projeto político. Ao mesmo tempo em que reforça o coro da oposição ao Governo da Floresta, se opondo ao que existe de mais sustentável que é a experiência de manejo florestal sem queimadas, partem para o ataque ao que o povo tem de mais sagrado, que é a sua vocação histórica e seu respeito ao meio ambiente. Trazer Ivo Cassol e Blairo Maggi ao Acre neste momento, além de revelar a contradição política de Márcio Bittar, é um verdadeiro acinte aos acreanos sufocados pela fumaça vinda de Rondônia e do Mato Grosso. * Carlos Edgard de Deus, Secretário de Estado de Meio Ambiente, é mestre em Meio Ambiente pela UFRJ e professor da UFAC. |
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