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POLÍTICA

Amplitude de alianças garante favoritismo de Binho Marques

 


Leonildo Rosas

Faltam cinco dias para ser realizada uma das eleições mais importantes da história do Acre. O que estará em jogo não é somente a vitória de candidato de partido A ou de partido B. É muito mais do isso. Na disputa deste ano, o acreano julgará os oito anos de mandato do petista Jorge Viana. O povo irá dizer nas urnas se concorda com o projeto de desenvolvimento implementado pelo Governo da Floresta a partir de 1999 ou se irá embarcar nas promessas de um outro grupo político.

As pesquisas que antecedem as eleições apontam para a vitória do candidato apoiado por Jorge Viana. O último levantamento feito pelo Ibope confere a Binho Marques 52% da preferência popular contra 23% de Marcio Bittar (PPS), o segundo candidato mais bem posicionado.

Está claro que Binho Marques pega carona dos mais de 80% de aprovação de Jorge Viana. Mas não é apenas isso. O petista tem história dentro dos movimentos populares. Foi ele quem conduziu a pasta da Educação durante todo o governo. É também vice-governador.

O percentual de intenção de voto para o petista surpreende porque ele nunca concorreu a qualquer cargo eletivo. Sempre trabalhou nos bastidores das campanhas como conselheiro. Foi chamado para disputar diante da impossibilidade legal do senador Tião Viana e da opção da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, de permanecer ajudando o presidente Lula em Brasília.

Mas desde que aceitou concorrer ao governo do Estado, o petista demonstrou que não estava entrando com um simples coadjuvante. Foi ele quem conduziu todo o processo de construção da sua candidatura, tendo a coragem de ampliar o leque de alianças da Frente Popular, atraindo partidos como o PP e o PL, que historicamente não faziam parte da coligação.

Nesse processo de construção, um dos pontos fundamentais para consolidar a sua candidatura foi o fechamento de aliança com o PP, que emprestou o ex-prefeito de Cruzeiro do Sul César Messias para concorrer a vice-governador.

A indicação de César Messias foi uma demonstração de amadurecimento e crescimento político de todos os atores da Frente Popular. Cotado para concorrer a vice há muito tempo, o deputado estadual Edvaldo Magalhães (PC do B) abriu mão da sua candidatura em favor do progressista.

“Abri mão de concorrer a vice para aproximar o povo do Juruá da Frente Popular e manter nossa característica de amplitude”, diz Edvaldo Magalhães.

Quando fala de amplitude, o deputado comunista não fala da boca pra fora. Desde que surgiu pela primeira vez, nas eleições de 1990, a principal características das Frente Popular foi exatamente essa. A compreensão era que somente juntando forças de vários segmentos das sociedade é possível criar alternativas para administrar com segurança e tranqüilidade.

Binho Marques manteve a tradição e, ao incorporar novos partidos à Frente Popular, passou a construir a base sólida para sua vitória no dia 1º de outubro em primeiro turno.

Para a disputa, o petista não tem como trunfo apenas a administração do correligionário Jorge Viana. Conta com apoios importantes da ministra Marina Silva e do senador Tião Viana, que pode ser o mais bem votado em termos proporcionais de todo o Brasil.

Pesa ao seu lado a iminente reeleição do presidente Lula, que deu várias demonstrações do carinho, respeito e apreço que tem pelos correligionários e o povo acreano.

O candidato do PT também tem ao seu lado uma ampla bancada de deputados federais e estaduais, bem como de setores produtivos da sociedade.

Outro trunfo que está sendo muito bem aproveitado são os apoios de 18 prefeitos. O Acre tem 22 municípios e somente um, Wanderley Viana (PMDB/Xapuri), apóia Marcio Bittar.

Mas, enquanto costurava alianças com dirigentes e lideranças partidárias, os candidatos da coligação que dá sustentação a Binho Marques não deixaram de trabalhar com o sentimento do povo.

Proibidos pela Justiça Eleitoral de fazer propaganda por meio de outdoor e camisetas, os coordenadores de campanha apostaram nas bandeiras. O resultado é que a maioria dos bairros em Rio Branco e no interior ficou vermelha.

“Vamos ganhar porque fizemos a melhor a aliança e construímos as bases para isso acontecesse”, diz o candidato a suplente de senador, jornalista Aníbal Diniz.

Adversários apostam no denuncismo

Vendo a derrota cada vez mais próxima, os adversários de Binho Marques apostam no tapetão para tentar modificar o resultado das eleições na Justiça Eleitoral. Nos últimos dias, é comum ver partidários de Marcio Bittar nas manifestações da Frente Popular, fotografando tudo para produzir denúncias.

Nesses dias que faltam, a impressão que os opositores da Frente Popular passam é de que a “toalha foi jogada” e que abandonaram a disputa eleitoral, tentando vender a falsa impressão de que a derrota não será por falta de proposta, mas por carência de dinheiro para tocar a campanha.

Marcio Bittar e seus coordenadores de campanha devem lembrar que a Justiça Eleitoral do Acre está madura suficiente para não entrar em catimbas de candidatos.

O pepessistas e demais candidatos ao governo não podem alegar que não conseguiram arrecadar dinheiro suficiente para tocar suas campanhas porque os mecanismos de arrecadação são iguais e permitidos para todos.

A verdade é que Marcio Bittar é vítima dele mesmo. O pepessista teve tempo suficiente, mas não conseguiu construir uma aliança sólida em torno da sua candidatura. Desde o início, potenciais aliados se afastaram dele, sempre alegando a mesma coisa: excesso de arrogância.

Bittar passou a cair no descrédito tão-logo foi eleito deputado federal pelo PMDB, em 1998. Antes de tomar posse, mudou de partido. Foi para o PPS, deixando os peemedebistas sem representação na Câmara dos Deputados. Chegou a ser tachado de traidor por isso.

Sempre querendo ascender politicamente, o pepessista veio atropelando novos e antigos aliados. Concorreu ao Senado em 2002 e perdeu. Dois anos depois cometeu outro erro grave: rompeu com o então prefeito de Cruzeiro do Sul César Messias.

Para garantir acordos em Rio Branco, Bittar, que concorria a prefeito de Rio Branco, impediu que Messias concorresse à reeleição com o vice da sua preferência. Queria interferir na principal cidade do Juruá para viabilizar sua eleição na capital. O preço era: César Messias indicava o vice, desde que José Bestene abrisse mão da sua candidatura em Rio Branco.

Pressionado, César Messias não concorreu, Bestene não renunciou e Bittar perdeu para Raimundo Angelim.

As seqüelas de 2004 permaneceram. César Messias deixou o PPS e voltou para o PP. Com ele, vieram todo o partido e seu grupo político, incluindo o ex-governador Orleir Cameli, que joga papel político fundamental junto à população do Juruá.

Sem alternativas para formar alianças, Bittar se juntou com os partidos que sobraram e com políticos que a população acreana reprovou nas urnas. O próprio PMDB, que emprestou Vagner Sales para concorrer a vice, relutou até o último minuto para se aliar a ele. Mesmo assim, o partido foi dividido. Muitos peemedebistas preferiram marchar com outras candidaturas, como Binho Marques e Tião Bocalom (PSDB).

Diante do cenário construídos, Marcio Bittar caminha para a terceira derrota consecutiva por absoluta incapacidade de conseguir agregar em sua volta pessoas em torno de um objetivo único: o verdadeiro desenvolvimento do Acre. Ele é visto pela maioria da população como um eterno aventureiro eleitoral.

 
 
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Rio Branco-AC, 27 de setembro de 2006
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Da Redação
 
 
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