COTIDIANO

Neurocirurgia em debate

Profissionais da Universidade de São Paulo capacitam médicos, residentes e acadêmicos de medicina

Divulgação
Neurocirurgião José Pindaro
e a neurologista Lúcia Mendonça


Flaviano Schneider

Médicos residentes e acadêmicos de medicina tiveram ontem de manhã no auditório da Fundhacre ótima oportunidade para atualizar seus conhecimentos sobre as indicações de tomografia e eletro encefalograma em pacientes portadores de afecções neurológicas e neurocirúrgicas. Para tanto, a Fundhacre convidou o neurocirurgião José Pindaro Plese e a neurologista Lúcia Mendonça. Ambos são professores da Universidade de São Paulo (USP) e lotados no Hospital das Clínicas da instituição.

José Pindaro, que abordou a tomografia, conta que São Paulo é um dos locais mais avançados da América Latina no ramo da neurocirurgia, realizando cirurgias de ponta. Segundo ele o advento tanto da tomografia quanto da ressonância magnética do crânio facilitou o diagnóstico precoce das afecções neurológicas resultando em melhor tratamento.

Lúcia Mendonça, que abordou as indicações do eletro encefalograma, explica que houve, ao longo dos anos, mudanças nestas indicações, especialmente depois do advento da tomografia e sua palestra mostra como está o encefalograma hoje.

Ela explica a diferença entre a neurocirurgia e a neurologia: “Existem patologias que são da alçada do neurocirurgião mesmo que não seja necessária a intervenção cirúrgica. Uma hérnia de disco pode ter uma indicação cirúrgica ou pode ter um tratamento clínico, mas ela geralmente é tratada pelo neurocirume rgião por que ele tem mais experiência com esse tipo de patologia; por outro lado tem patologias que o clínico tem mais experiência tipo epilepsia, doença de Parkinson, esclerose múltipla, doenças vasculares, etc. O neurocirurgião atua do ponto de vista cirúrgico e existem algumas patologias que eles lidam melhor, já em outros casos é o neurologista”.

Os médicos deixaram um agradecimento à Fundhacre pelo convite. Eles consideram essencial este intercâmbio e manifestaram seu contentamento em estar contribuindo com a formação médica e o desenvolvimento da medicina no estado.

Capacitação através de intercâmbio

O diretor do Hospital Fundhacre, médico Thadeu Moura, contou que o objetivo da instituição é trazer pessoas de renome nacional e internacional para troca de experiências e informações com os médicos, residentes e acadêmicos de medicina.

A palestra de ontem, explicou, é um dos primeiro passos de formação na área de neurocirurgia e neurologia.

“A Fundhacre está se equipando do ponto de vista cirúrgico, estamos esperando em breve um novo tomógrafo para cá, também vai ser instalado o serviço de ressonância magnética, o que contribuirá para diminuir os pacientes de TFD na área, que apresenta números expressivos”- disse.

Segundo ele, no estado há cinco neurocirurgiões e uma neurologista; são feitas cirurgias, algumas complexas, tratamentos, procedimentos clínicos, ressonâncias, mas adverte que por ser um ramo complexo, melhores resultados virão no médio prazo. O objetivo é dar os primeiros passos para melhorar as condições de atendimento no estado. Especificamente com as palestras espera-se firmar um protocolo de atendimento para disciplinar os pedidos (que são muitos) de tomografia do crânio e encefalograma.

“Hoje – explana - temos tomógrafo, temos microscópios para fazer cirurgias, temos material cirúrgico e nossa proposta é melhorar a complexidade deste atendimento” – concluiu.

Boa parceria

Mário Olímpio Pereira Neto é acadêmico de medicina do 3º período e participou com boas expectativas das palestras de ontem. Segundo ele, as pessoas que estão à frente destes eventos são muito responsáveis e se esforçam para melhorar a faculdade de medicina da Ufac e para o desenvolvimento da medicina no estado. “A parceria entre a Fundhacre a faculdade de medicina está sendo muito útil, pois num curso de medicina sem um hospital de campo de trabalho e sem eventos científicos fica muito prejudicada a formação acadêmica”, disse.

Ele é baiano, mas quando se formar, dependendo das oportunidades de trabalho, pretende continuar aqui mesmo. Mário considera que há uma grande carência de médicos no estado, especialmente em relação à especialidade que pretende fazer que é cardiologia.

 

 
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