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Romerito Aquino  

Futuro do Acre I

A série de reportagem que estou publicando nestes sábado, domingo e terça-feira sobre o estudo científico da vacina do sapo Kampô ou Kambô, duas das denominações dadas pelos índios ao pequeno anfíbio verde dos igapós e igarapés acreanos, representa, em síntese, o futuro do Acre enquanto detentor de uma das maiores e mais significativas biodiversidades do planeta.

Futuro do Acre II

É o futuro porque a bioprospecção das milhares de riquezas vegetais e animais presentes na grande floresta acreana – o sapinho verde é apenas uma delas – pode e deve ser a grande resposta econômica capaz de transformar o Acre num dos estados mais ricos do país. Para concretizá-la, como está provando o Projeto Kampô, em andamento no Ministério do Meio Ambiente e em várias instituições públicas e privadas brasileiras, basta apenas levar ciência e tecnologia para a selva.

Futuro do Acre III

A bioprospecção de fármacos e cosméticos na selva acreana também é a grande resposta para todos aqueles que teimam em considerar a expansão da pecuária e o plantio de comoditties como a soja, a saída para fortalecer a economia acreana. Além de devastar a grande riqueza biológica que se encontra latente lá na selva, já está provado que a pecuária e a produção de comoditties apenas concentram riquezas nas mãos de poucos.

Futuro do Acre IV

Enquanto isso, iniciativas como o Projeto Kampô mostram que pode haver, sim, repartição justa e eqüitativa, entre os povos tradicionais que habitam e cuidam da floresta, das grandes fontes de renda que representam hoje os fármacos e os cosméticos em todo o mundo. É isso que vai provar o Kampô, o primeiro grande projeto brasileiro de bioprospecção, com repartição de benefícios para recompensar os conhecimentos das populações tradicionais sobre os princípios ativos que elas dominam em relação às riquezas animal e vegetal da floresta.

Futuro do Acre V

Aliás, o Projeto Kampô é um exemplo claro e cristalino de que já está passando da hora do poder público do Acre fazer essa opção pelo desenvolvimento sustentável maciço dos imensuráveis recursos naturais existentes na floresta do estado. Esse deve ser o principal norte do próximo governo acreano depois do governo Jorge Viana consolidar a infra-estrutura necessária à produção, como estará fazendo até o fim de 2006.

Futuro do Acre VI

O momento propício para o Acre partir para o uso múltiplo sustentável de suas incalculáveis riquezas florestais começa exatamente agora. Afinal, não se admite, por exemplo, que trabalhadores culturalmente extrativistas como os que habitam a Reserva Extrativista Chico Mendes, no Vale do Acre, estejam partindo para devastar eles mesmos a floresta para colocar gado em seu lugar.

Futuro do Acre VII

Já está mais do que provado que tanto o mercado internacional quanto, agora, o nacional, estão ávidos por consumir os produtos exóticos e muito apreciados originários da Amazônia. Prova disso, por exemplo, são os móveis feitos de madeira certificada, cuja oferta está bem menor que a demanda no mercado consumidor de São Paulo, o maior do país. Recentemente, a TV Globo mostrou empresários e consumidores paulistas reclamando da baixa oferta de madeira certificada para móveis no mercado nacional.

Futuro do Acre VIII

Isso acontece porque exotismo e a qualidade dos produtos originários da floresta amazônica vieram se somar ao aumento da consciência que consumidores do mundo inteiro, inclusive os do Brasil – embora estes estejam ainda em marcha lenta – passaram a ter de que consumindo tais produtos, mesmo a preços mais elevados, também estão contribuindo para salvar a maior floresta tropical do planeta. Uma floresta que pode muito bem ser usada para o turismo ecológico, o turismo científico e a bioprospecção de seus recursos naturais, que são hoje grandes fontes geradoras de renda em todo o mundo.

Futuro do Acre IX

Todos esses comentários acima podem ser mais bem entendidos caso o caro leitor me dê a honra de ler toda a série de reportagens que estou publicando sobre as pesquisas cientificas do sapo Kampô. Uma série de reportagens que também pode contribuir para os colegas jornalistas do Acre saírem dos gabinetes e das cidades para irem para a selva escrever sobre os incríveis povos tradicionais e as fantásticas riquezas naturais que se encontram latentes em seu meio ambiente.

Futuro do Acre X

A série de reportagens é uma demonstração de que precisamos, em definitivo, partir no Acre e nos demais estados da Amazônia para o jornalismo sustentável, com a nossa própria linguagem, nossos costumes, nossa cultura, enfim, para mostrar numa visão “de dentro para fora” o que significa de fato a grande floresta amazônica e o fantástico povo que nela habita. Espero que os colegas meditem sobre porque a sociedade merece que assim seja feito.

 

 
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Rio Branco-AC, 27 de novembro de 2005
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Com Leonildo Rosas
 
 
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