COTIDIANO

Processo de implantação da Ceasa começa em janeiro

Projeto é uma parceria entre a prefeitura de Rio Branco e a Caixa

Cedida
Senador Tião Viana assinou, como testemunha, os contratos de
implantação da Ceasa


Flaviano Schneider

Dois contratos assinados ontem entre a Prefeitura Municipal de Rio Branco e a Caixa Econômica Federal (CEF), no valor de quase R$ 7 milhões, deram andamento ao processo que vai resultar na construção da Central de Abastecimento (Ceasa) de Rio Branco. Em janeiro serão feitas as licitações para a construção das instalações que terão 6.600 m² de área construída e já começa o cadastro de produtores rurais, atacadistas, freteiros, pesquisas de preços dos produtos hortigranjeiros e a capacitação dos técnicos da prefeitura que vão gerir a Ceasa.

Para o prefeito Raimundo Angelim, a Ceasa é tão importante para Rio Branco que pode ser comparada a um ‘monumento’. E explicou por que falando da importância do produtor rural. “É ele quem abastece nossas casas”. Segundo ele, o produtor rural tem dificuldade para obter crédito, falta armazenamento, quando quer trazer seu produto para a cidade falta ramal e quando chega à cidade e expõe seu produto o fiscal põe para fora.. Na reorganização do espaço do mercado novo, segundo ele, isto aconteceu, mas foi com o “coração apertado”.

A Ceasa vai significar o fim desse problema. Conforme explicou o secretário municipal, professor Rego, aos presentes, a Ceasa terá um setor de atacadistas, com lojas permanentes e outro setor de mercado livre, não permanente, onde o pequeno produtor pode expor seu produto. Com uma vantagem: se não vender, poderá repassar o produto para os grandes atacadistas. O professor Rego recebeu os elogios do prefeito, por sua luta de quatro décadas pelo homem do campo acreano.

O prefeito também homenageou o senador Tião Viana - que assinou os contratos como testemunha - pelo apoio em todos os pleitos do município, em especial, por ter viabilizado os recursos para a construção da Ceasa. Segundo Angelim, mais uma vez o senador dá provas de que não é um senador temático e sim um senador de todas as áreas. Sempre que precisa ir a Brasília, como prefeito ou como presidente da Associação dos Prefeitos do Acre, contou Angelim, “o Tião abre as portas”. E citou algumas ações do senador em Brasília que resultaram em recursos para o Saerb, para construção de calçadas, para o Bairro Mocinha Magalhães, etc.

Para o senador Tião Viana, a Ceasa vai escrever um novo capítulo na história da produção rural no Estado e previu como resultado mais desenvolvimento na produção. Ele lembrou que partiu do ministro da Agricultura, Luís Carlos Guedes, um especialista em ceasas, o conselho de que a ceasa do Acre já previsse o crescimento da região. Segundo Tião Viana, a Ceasa de Rio Branco, está projetada para servir até daqui a 30 anos, mesmo que a população esteja dobrada até lá. O senador disse ainda que, em seu segundo mandato, vai concentrar esforços para trazer investimentos em saneamento básico para todo o Estado.

A força dos hortifrutigranjeiros

O sistema hortifrutigranjeiro movimenta algo em torno de R$ 10 bi ao ano, mais que grãos e oleaginosas. Não há nada melhor para segurar o homem no campo devido a uma alta produtividade por hectare, o que também viabiliza projetos de irrigação. Segundo estimativas de 2003, o volume de comercialização nos entrepostos atacadistas das Ceasas atingiu 14,6 milhões de toneladas, o que representou R$ 11,6 bilhões. Dentre estes destacam-se a Ceagesp de São Paulo que comercializa 2,2 milhões de toneladas de hortifrutigranjeiros por ano e a Ceasa-Minas com 1,3 milhão. O s levantamentos ainda estão sendo feitos mas estima-se que a Ceasa-Acre deverá comercializar inicialmente cerca de 50 mil toneladas anuais, o que trará um impacto na vida econômica regional. Hoje só existem duas ceasas na região Norte: a de Belém-PA e a de Ji-Paraná- RO.

Entre 1972 e 1988 o governo federal criou e operacionalizou um sistema Nacional de Centrais de Abastecimento com 21 empresas ceasas, que era coordenado pela Cobal, mas saiu do processo em 1988 e o sistema foi desmontado. E só voltou em 2005, já no Governo Lula, com a criação do Programa Brasileiro de Modernização do Mercado Hortigranjeiro (Prohort), coordenado pela Conab. Com o Prohort, as 55 unidades atacadistas das 21 Ceasas do País estão agora interligadas, por meio de um banco de dados com informações variadas sobre o mercado hortícola nacional. A Ceasa Acre, a primeira a ser construída depois da criação do Prohort, também ficará interligada ao sistema, o que vai contribuir para a modernização da produção e distribuição no Estado.

 

 
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Rio Branco-AC, 27 de dezembro de 2006
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