| OPINIÃO | ||
| CRÔNICA | ||
José Cláudio Mota Porfiro * |
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Emoção à moda antiga Jorge Kalume é sempre um daqueles cidadãos mais autênticos a quem boa parte dos meus contemporâneos xapurienses, garotos e garotas dos anos 70, o tem por tio ou parente mais próximo, em vista do tênue carisma, em que pese alguma diferença ideológica, hoje já abrandada em vista do aplauso do ex-governador ao que vem sendo feito atualmente pela geração de líderes da floresta. Há pouco tempo, em Brasília, por três vezes, encontrei Jorge Kalume em passeio nostálgico pelos corredores e salões da Câmara dos Deputados e Senado Federal. O semblante septuagenário, porém não tão envelhecido, ainda transmite segurança e esperança no futuro dos acreanos. De antemão, cumpre-me enfatizar que não faço aqui nenhuma resenha da obra. Porém, afianço-vos: bem mais que meras emoções rolam dos meus olhos, hoje, quando leio, pela primeira vez, o livro Templo Inesquecível, de autoria do ex-senador da República, publicado em 1976. São lembranças muito antigas traduzidas por um estilo próximo ao simbolismo e ao parnasianismo peculiar aos discursos dos políticos de antanho. A obra trata do trabalho missionário e educacional levado a efeito pelas freiras da Ordem das Servas de Maria Reparadoras, em Xapuri, entre os anos de 1927 e 1971. Oportuno é dizer que, entre 1964 a 1975, fui aluno das freiras do Colégio Divina Providência, o que, de per si, já explica os porquês da emoção. É saudosismo puro. Da época, lembro de uma turminha da primeira série do ginásio, gente com onze ou doze anos, onde estavam eu, Andrias e Constantino Sarkis (in memoriam), Roberto Matias, Jessé Ad-Víncola, Tadeu Pereira, Tadeu Figueiredo, Antônio Castelinho, Eliana, Angelina, Leuda, Marta, Denise, Denilson, dentre outros que o tempo apagou da memória. Das freiras, de forma muito marcante, lembro de quase todas da minha época. Mas inesquecível mesmo foi a madre superiora de nome Irmã Maria Paula Grezelli, que, num certo dia, apanhou-me pela orelha, em parceria com Edmilson Mapinguari Figueiredo, por uma indisciplina qualquer, e nos enviou a catar lagartas em pés de couves, até as seis da tarde, na horta doméstica que ficava atrás do Colégio. Lembro ainda da beleza adriática da Irmã Olga, da acuidade da Irmã Lina Boff e do zelo quase maternal da Irmã Alfreda Patrinni. As mais velhas de todas, que figuram entre as pioneiras, com as quais mantive algum conhecimento, foram a Irmã Hildebranda da Prá e a Irmã Bernardina. Do Hospital Epaminondas Jácome, onde passei alguns dias em vista de uma ferrada de arraia, lembro-me da Irmã Rosa e da Irmã Celeste, sempre solícitas no atendimento aos que delas necessitavam. Vêm-me à lembrança fisionomias ainda difusas de antigos moradores de Xapuri, citados por Jorge Kalume, dentre os quais destaco uma tia-avó minha, de nome Regina do Espírito Santo, que assinou a ata de inauguração do primeiro colégio em 1928. Ainda tenho vaga lembrança do prédio do antigo Colégio, na Rua Dr. Batista de Morais, em madeira, sóbrio, mas com uma fachada com janelas emolduradas por vistas muito bem trabalhadas num estilo quase próximo ao rococó. Lembro ainda do antigo prédio do hospital, também em madeira, em tinta verde envelhecida pelo tempo, onde entravam e saíam pessoas pobres sempre acometidas por doenças próprias do trópico quente úmido. Tudo, enfim, é realmente muito nostálgico, principalmente, para os que, como eu, se beneficiaram e testemunharam a obra das freiras. E toda esta nostalgia faz transbordar muita emoção do Templo Inesquecível, de Jorge Kalume, a quem Xapuri deve de tudo um pouco. |
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