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‘Combate ao racismo é inviável sem relação governo-sociedade’ Ministra fala durante participação de Fórum Social Mundial |
![]() Ministra Matilde Ribeiro participa de debate sobre a relação Brasil-África no 7º Fórum Social Mundial |
Nairóbi (Quênia) - Psicóloga social com mais de uma década de trabalho com organizações da sociedade civil, a paulista Matilde Ribeiro foi um dos dois únicos ministros de Estado brasileiro presentes ao 7º Fórum Social Mundial, realizado no Quênia. Fez companhia ao também brasileiro Luiz Dulci, da Secretaria Geral da Presidência. “Não sou uma pessoa tradicionalmente do poder público, tenho mais experiência em assessoria para o movimento social”, diz a atual ministra, que participou das primeiras edições como militante. Nos últimos três fóruns sociais mundiais (2005 a 2007), representou a Secretaria Especial de Promoção de Políticas de Igualdade Racial (Seppir). Para ela, a luta do governo pela igualdade racial “não se sustenta sem a relação com o movimento social”. Agência Brasil: Depois de três fóruns sociais como representante da sociedade civil, como é estar do outro lado? Matilde Ribeiro: Às vezes ainda passo por situações engraçadas. Por exemplo, agora os movimentos sociais estão tendo uma reunião com Danny Glover [ator norte-americano diretor da organização Transafrica Forum] Como eu tinha tido uma reunião com ele ontem [sexta-feira, fiz um informe no começo e saí. E as pessoas pediram para eu ficar, dizendo que não havia problema. Mas disse: Isso aqui é uma reunião com os movimentos sociais, se vocês depois quiserem falar comigo sobre a conversa com ele, estou disponível. É uma situação em que nós, que temos um histórico de participação nos movimentos sociais, muitas vezes não somos vistos como governo. Lógico que temos muitos conflitos e embates, mas a sociedade civil como um todo nos enxerga como alguém predisposto ao diálogo e ao trabalho conjunto. No meu caso específico é muito importante estar aqui [em Nairóbi] porque minha área de atuação no governo não se sustenta sem a relação com o movimento social. A Seppir foi criada a partir da demanda da sociedade. E toda minha agenda de trabalho tem por base as reivindicações dos movimentos sociais. ABr: E como é essa agenda aqui no Fórum Social, por exemplo? Matilde Ribeiro: Aqui eu estive presente em duas mesas. Uma foi sobre a troca de experiências das lutas afrodescendentes em vários países. Teve um depoimento da tribo Mau Mau, que impulsionou a luta pela independência do Quênia. Foi a parte mais inovadora para mim, já que não conhecia essa história. E havia representantes também de Cuba, Venezuela, França e Brasil. Depois participei do Diálogo Brasil-África. Estavam angolanos, moçambicanos, portugueses e brasileiros. E foi um momento de informação principalmente para nós, brasileiros, já que temos pouquíssima informação sobre a África lusófila. E há muito questionamento, aqui na África, sobre a aproximação do governo brasileiro do continente. Há muita suspeita de que essa possa ser uma ação imperialista do Brasil, pela entrada de empresas brasileiras. Questionaram muito a missão brasileira no Haiti também. Na nossa visão, a ação que estamos fazendo é uma troca no campo econômico e político. Mas, agregando a esses interesses, o governo brasileiro tem se mostrado totalmente solidário ao continente africano, colocando-o no debate internacional. Isso é uma mudança, já que antes a relação internacional só se dava com Estados Unidos e Europa. ABr: A senhora também participou de uma mesa sobre migração, não? Matilde Ribeiro: Sim, e houve uma manifestação muito crítica da forma como os africanos são tratados fora da fronteira, com violência, racismo e xenofobia. No Brasil, a Seppir tem uma política de inclusão dessa população imigrante, principalmente nigerianos e angolanos. É um projeto piloto, em sete cidades portuárias, em que recebem acompanhamento jurídico, ou para ficar ou para voltar a seu país. Esse é um trabalho importante já que, somando todos os países do continente, a África é o maior grupo de imigração ilegal para o Brasil. (Agência Brasil) |
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