OPINIÃO
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Carlos Zarattini *

 

 

A vitória de Arlindo e a consolidação do governo de coalizão

O primeiro mandato do Presidente Lula, apesar de uma oposição sem limites, estabeleceu um governo democrático-popular. O Presidente, de forma quase intuitiva, compreendeu desde logo a necessidade de uma política de alianças para governar. O PT reviu, de forma majoritária, uma visão estreita e sectária que dificultava a aplicação dessa política e, deixou de ser “aquela esquerda que a direita gosta”.

Com isso, foi possível um substancial avanço no campo democrático. Pela primeira vez em nossa história juízes do STF, indicados pela Presidência, votaram em várias questões contrariamente ao que preconizava o Poder Executivo. O Ministério Público, através de dois titulares, também indicados por Lula, pautaram suas decisões de forma absolutamente independente, não “engavetando” nada que tivesse a ver com o Presidente ou com membros do nosso Partido. O mesmo se diga da Polícia Federal, da Secretaria da Receita e de inúmeros outros órgãos que se tornaram instrumentos de uma Política de Estado e não de uma Política de Governo. A liberdade de imprensa foi total e a distribuição de verbas publicitárias do governo seguiu critérios puramente técnicos.

Do ponto de vista das inúmeras conquistas dos setores populares, o aumento do poder aquisitivo dos salários, o crescimento do emprego, a abertura do crédito consignado em folha, a Bolsa Família, as oportunidades na educação universitária e a liberdade de manifestação dos movimentos populares (não tivemos nenhum “massacre de Carajás”), foram reconhecidas de forma clara e inquestionável nas urnas.

No auge da “crise ética”, quando a oposição vociferava pelo impeachment do Presidente e até mesmo a cassação do registro do PT, o Partido realizou o Processo de Eleição Direta (PED). Nesse momento, a mobilização de centenas de milhares de filiados num único dia trouxe à tona para a opinião pública o respaldo popular ao governo e ao Partido, dando início a uma “volta por cima” que culminaria com a reeleição de Lula, a conquista de cinco estados e o apoio vitorioso a outros tantos governadores.

As conquistas do governo democrático-popular e a nossa militância possibilitaram que uma crise desencadeada sob a alegação de ruptura de valores éticos, tão caros à classe média e ao próprio PT, não tivesse como resultado o retrocesso para o projeto de Nação que perseguimos desde a nossa fundação.

O Presidente não se suicidou. A oposição não conseguiu, com Alckimin ou com Heloisa Helena, fabricar um novo “candidato da vassoura” para vencer as eleições. Nem muito menos mobilizar a classe média para apoiar outro golpe, a pretexto da luta contra a corrupção. Não teve forças para ressuscitar Carlos Lacerda, como lamentou FHC, para dar a Lula o mesmo destino que foi dado a Getúlio, Juscelino e Jango.

Foi necessária essa recapitulação para que se tenha em conta a importância da vitória do companheiro Arlindo Chinaglia na Presidência da Câmara para a consolidação da coalizão que dará sustentação ao segundo mandato do Presidente Lula.

O que está em jogo não são apenas questões como o aumento e outros privilégios para Deputados, ou voto secreto, ou a anistia de Zé Dirceu – como gostam de destacar certos comentaristas políticos. O que está realmente em jogo é a possibilidade ou não do Governo Lula ter o apoio do Congresso para medidas importantes capazes de gerar desenvolvimento econômico, distribuição de renda e ampliação da democracia em nosso país, fazendo com que direitos que hoje existem no papel e só beneficiam a elite, possam atingir a totalidade do povo brasileiro.

Arlindo Chinaglia é o candidato apoiado pela maioria da base aliada e por membros de diversos partidos, inclusive da oposição ao Governo Lula. A vitória da candidatura de Arlindo é fundamental para selarmos o governo de coalizão que vem sendo organizado pelo Presidente Lula. O eixo PT-PMDB é a garantia que teremos um governo capaz de enfrentar as grandes questões nacionais a partir de um ponto de vista progressista, com uma ampla maioria no Congresso.

É evidente que não podemos tratar a candidatura de Aldo Rebelo como nossa inimiga. Ela nasceu da vontade de dois partidos historicamente aliados do PT – o PC do B e o PSB – mas vem sendo utilizada, até certo ponto, como elemento capaz de iniciar uma desestabilização do Governo Lula. Não é por menos que o PFL apóia Aldo e que FHC operou para impedir o apoio do PSDB para Arlindo - apoio que respeita o critério da proporcionalidade (pelo qual o maior partido é quem indica o Presidente). A candidatura de Gustavo Fruet (PSDB), longe da “parolagem” ética, tem o objetivo de unificar os votos tucanos, tentar levar a eleição para um segundo turno e derrotar os partidos da base aliada do Governo Lula, servindo aos planos do PFL e de setores revanchistas do PSDB.

Muitos políticos da oposição tentam ligar a candidatura de Arlindo a um projeto exclusivista do PT, que já estaria trabalhando para impor um nome petista como sucessor de Lula. Nada mais absurdo! O objetivo do PT, agora, é que os compromissos de campanha de Lula sejam concretizados. Que o governo de coalizão com o PMDB e os demais partidos da base aliada prospere e que se constitua uma ampla frente progressista pela democracia e pela justiça social em nosso país. A partir dessa ampla frente, com certeza, teremos um candidato em 2010 do PT ou de um partido aliado, para dar continuidade à nova era que se iniciou em 2002 com a eleição de Lula Presidente e com a sua espetacular reeleição em 2006.

* Deputado federal eleito pelo PT-SP, foi secretário dos Transportes e das Subprefeituras no Governo de Marta Suplicy

 
 
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Rio Branco-AC, 28 de janeiro de 2007
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