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Segundo Meirelles, taxa de juros continuará a cair, mas “com cautela” |
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Brasília - A taxa básica de juros (Selic) continuará a cair, nos próximos meses, mas a intensidade com que isso ocorrerá vai depender “tão-somente das condições de mercado”, como disse ontem o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, durante audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. Meirelles defendeu a postura do Conselho Monetário Nacional (CMN) que manteve a meta de inflação em 4,5% para 2007 e 2008 e lembrou que, no ano passado, a política de juros ajudou a manter o aumento de preços em 3,14%. O presidente do BC também fez considerações sobre a evolução da atividade econômica, com elogios à recuperação do poder de compra dos salários e à oferta de mais empregos em quase todas as atividades econômicas. Mas o que os senadores insistiram em saber era sobre o ritmo de redução da taxa que remunera os títulos de curto prazo do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic). O senador Aloízio Mercadante (PT-SP) criticou o que chamou de “conservadorismo exagerado” do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC, que na reunião do mês passado cortou pela metade o ritmo das reduções da taxa de juros. A tendência era de sucessivos cortes de 0,50 ponto percentual e, da última vez, foi de 0,25, em atendimento a uma posição de “maior parcimônia”, como revelou a ata do Copom. Mercadante quis saber “por que a alegada parcimônia, se todos os indicadores relevantes da economia abrem espaço para uma redução mais forte”, e citou, além da inflação controlada, os fortes saldos positivos da balança comercial (exportações menos importações), taxa de risco mais baixa da história e a queda continuada da relação entre dívida líquida do setor público e Produto Interno Bruto (PIB), soma das riquezas produzidas no país. O senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) defendeu a postura do Banco Central e do presidente Henrique Meirelles. Segundo ele, “todo Banco Central, aqui ou em qualquer parte, é por natureza conservador”. E elogiou a equipe do BC que, no seu entendimento, “está tendo comportamento extremamente consistente com relação ao regime de metas”. “É muito fácil jogar nas costas do BC a inércia e falta de capacidade operacional. É muito fácil se imaginar que basta baixar a taxa de juros para o Brasil crescer”, disse o tucano. Mas, além de tudo isso, como enfatizou o senador Eduardo Suplicy (PT-SP), é necessário diminuir o spread bancário (diferença que os agentes financeiros cobram entre captação e aplicação), aliviar o compulsório dos depósitos à vista e estimular a concorrência entre os bancos. Henrique Meirelles respondeu que “o sucesso da política monetária está permitindo uma queda pronunciada da taxa de juros”, que já caiu 4,75 pontos percentuais de setembro de 2005 para cá. Ele reconhece, contudo, que a taxa de 13% ao ano “continua alta”, comparada a outros países, mas advertiu para a necessidade de a economia caminhar sem sobressaltos, de modo a “garantir a credibilidade que o país vem gozando aqui e lá fora”. Segundo Meirelles, estabilidade e previsibilidade são essenciais para políticas sustentadas de longo prazo, e uma queda forte dos juros, além das expectativas do mercado, teriam efeito contrário para os investidores, que olhariam a medida com desconfiança. Para reforçar sua teoria, ele disse que o atual quadro de queda nas bolsas de valores, provocado por turbulência nos países asiáticos, “dá sinalização forte de que não podemos basear a política de juros sem crescimento sustentado”. (Agência Brasil) |
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