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POLÍTICA

Câmara homenageia líderes comunitários

Depois de uma confraternização em sua sede, lideranças lotaram a galeria do parlamento municipal

Regiclay Saady
Lideranças da Umarb compareceram
à Câmara para receber a homenagem


Val Sales

A Câmara de Rio Branco prestou ontem uma homenagem aos líderes comunitários pela passagem do dia 18 de fevereiro. A data foi instituída há dois anos por meio de um Projeto de Lei proposto na Assembléia Legislativa do Acre (Aleac) pelo deputado estadual Moisés Diniz (PC do B).

A homenagem foi feita com atraso em virtude de no dia 18 deste mês estar acontecendo o carnaval, o que levou o vereador Márcio Oliveira (PTN) a propor uma sessão solene na Câmara (ocupando o grande expediente) para lembrar a data. Depois de um café da manhã, realizado na sede da União Municipal das Associações de Moradores do Rio Branco (Umarb), localizada no Parque da Maternidade, as lideranças se dirigiram para a Câmara Municipal, onde receberam as homenagens dos parlamentares.

Na ocasião, o presidente da Umarb, Gilson Albuquerque, lembrou da importância do lidar nas comunidades. “A liderança de bairro é a pessoa que está na luta do dia-a-dia e ouve as cobranças. Ela é a primeira que o morador procura para resolver o problema da sua comunidade e de dentro da sua casa”, ressaltou. Segundo ele, muitas vezes os líderes não são compreendidos, sendo criticados e chamados inclusive de ladrões. “Roubar o quê, se às vezes a gente tem que tirar do próprio bolso para poder investir na comunidade?”, perguntou.

Gilson afirmou que a única gratuidade que o presidente de bairro tem é uma “carteira” que o permite entrar pela porta da frente do ônibus.

“No dia de hoje só temos que parabenizar todas as lideranças do Estado, especialmente as de Rio Branco, e agradecer a Assembléia Legislativa e a Câmara, assim como a imprensa e todas as pessoas que apóiam e que ajudam as lideranças dentro das suas comunidades”, completou.

Força e reforço na hora da fraqueza

Apesar de as pessoas muitas vezes desanimarem diante das dificuldades e da falta de investimento de alguns setores, o movimento contabiliza muitos avanços. Gilson explicou que em Rio Branco, principalmente, a avaliação é positiva. O líder fez um agradecimento especial ao ex-governador Jorge Viana, que concedeu espaço para a sede do movimento comunitário.

“A gente vivia jogada, em sedes alugadas, dentro de porões, dividindo espaço com ratos e baratas, sendo que hoje estamos em um dos melhores locais da cidade, que é o Parque da Maternidade. Isso é avanço, incluindo a dívida que as associações estão conseguindo quitar junto à Receita Federal e ficando adimplentes para apresentar projetos para suas áreas”.

O autor do requerimento que levou as lideranças à câmara, Márcio Oliveira, disse que nada é mais importante no município que o líder comunitário, sendo ele quem está direto com a comunidade e não recebe remuneração para isso, pelo contrário, faz o trabalho de coração. “Nada mais justo que reconhecer o trabalho que eles fazem, e instituir o dia de hoje (ontem) para eles tenham espaço e voz dentro da câmara”.

João Eduardo: trabalho reconhecido

O filho do líder comunitário João Eduardo, Manoel Souza do Nascimento, 40, tinha 13 anos quando o pai foi barbaramente assassinado por um vizinho em função da divisão de terras no dia 18 de fevereiro de 1981. Manoel hoje é presidente da Fundação João Eduardo, entidade voltada para oferecer a inclusão social para os moradores da área em forma de curso de capacitação, que lhes serve de reforço para o futuro.

“É uma homenagem justa, já que meu pai foi uma pessoa que realmente deu sua vida pela igualdade social. O desejo dele era que todas as pessoas tivessem condições de moradia e saúde. João Eduardo foi um dos primeiros líderes, na época em que começaram a surgir às comunidades eclesiais de base, vindo depois os formatos de associações de moradores”, explicou.

A Fundação João Eduardo tem quatro anos de existência e conta com o apoio do governo estadual e municipal. “A gente tem obtido sucesso e elevado a luta de João Eduardo. Além de trazer o reconhecimento da sua memória, estamos trabalhando para as comunidades carentes, aquelas que mais precisam e que hoje têm seu próprio sustento por meio da entidade.”

 
 
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Rio Branco-AC, 28 de fevereiro de 2007
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Da Redação
 
 
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