| COTIDIANO | |
Sexta-feira tem festival do peixe no município do Bujari Produtos agroflorestais serão negociados a preços imperdíveis |
|
Mais de 50 produtores estarão participando da primeira Feira do Peixe que acontecerá no Bujari desde as seis da manhã até o meio dia de 30 de março a sete de abril. Além do tambaqui vendido a R$ 5 o quilo, da curimatã e piau-açu a R$ 5,50, bem abaixo do que vem sendo praticado pelo mercado nesta Quaresma, os visitantes ainda vão comprar verduras, frutas, galinha caipira viva ou abatida, mel de abelha, mel de cana e demais produtos agroflorestais a preço de ocasião. Haverá também a venda de ovos de codornas e codornas abatidas dentre as novidades. Dez piscicultores do pólo agro-florestal Dom Moacir e dois do ramal Espinhara estarão garantindo o abastecimento com os peixes que serão vendidos frescos, interiores ou já limpos, conforme queira o freguês. O evento acontece graças a uma parceria entre a prefeitura do Bujari e o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas empresas (Sebrae-Ac) junto com a Secretaria de Assistência Técnica e Extensão Agroflorestal (Seater). Transformar o Bujari num pólo de piscicultura que venha abastecer o mercado de Rio Branco com sobra para a exportação, é o objetivo principal deste trabalho que tem ainda como parceiros a Fundação Banco do Brasil, Serviço Nacional de Aprendizado Rural (Senar) a Secretaria Estadual de Planejamento (Seplands), mas associações de produtores do Santa Luzia, Mato Grosso, Dom Moacir e Espinhara e pólo hortifrutigranjeiro. Açudes da esperança - Edmilson Silva de Souza, 44 anos, pai de cinco filhos vive há quatro anos no pólo Dom Moacir onde ganhou um lote de pouco mais de seis hectares. Lembra, sem saudades, os tempos que passou trabalhando em colônias alheias e mesmo suas, mas que de tão pequenas e também por falta de assistência não eram capazes de garantir-lhe uma vida digna. “Este lote era o que eu mais queria na vida, mas comprar não podia e sabe como é; quem não tem saber pra ter emprego precisa trabalhar com a terra mesmo!” Declara antes de falar sobre sua nova situação de vida com dois açudes que estão conseguindo transformar positivamente sua vida. Sem cerimônias, lembrou que: “Quando a prefeitura veio me convidar para o treinamento que a Seater e o Sebrae iam dar pra gente aprender a criar peixe, eu fui mas não estava acreditando muito nessa história porque nunca tinha visto ninguém ganhar dinheiro criando peixe”. Durante o treinamento, Edmilson ou “Nego” como é mais conhecido na comunidade, foi um dos agraciados com 40 horas de trator de esteira doadas pela Fundação Banco do Brasil para construir seu açude. Tirou mais um empréstimo pessoal de R$ 5.820 para comprar ração e outros insumos para a criação. “Nunca ganhei tanto dinheiro em tão pouco tempo com uma produção. Os tambaquis, piaus-açu e curimatãs que pagaram o empréstimo no primeiro ano (2006) e ainda sobrou muito peixe no açude, nesta semana mesmo tirei 40 quilos. Vou levar os três tipos para vender na Feira do Peixe”, garante. Animado com os resultados, ele acaba de colocar mais 1.300 alevinos em seus açudes e através do Programa Nacional de Incentivo à Agricultura Familiar, pela linha do Pronaf-A conseguiu financiar mais 45 horas de trator ale da compra de 2.500 e os insumos necessários para alimentar a criação. Verde vida - Maria Salete de Souza, 32 anos, mãe de quatro filhos poderia ser uma dessas tantas “Marias” que passam a vida trabalhando como empregada doméstica no Bujari, mas ela, que nunca havia trabalhado na roça alimentava o sonho de um dia ter uma colônia. Conheceu e casou com o ex-diarista Antônio Santos da Silva, 37 anos, pais de cinco filhos, quatro deles com Salete que lembra: Tanto sonhei que um dia apareceu a oportunidade da gente ter nossa própria colônia”. Antônio, mais conhecido como “Vassoura”, recorda que passou anos mudando de uma colônia para outra como trabalhador diarista. “Hoje o que a gente planta e colhe é nosso. Isso dá mais ânimo pra gente. Vendemos toda nossa produção para o programa Fome Zero e para o Supermercado Gonçalves. Com isso a gente consegue pelo menos R$ 1.500 bruto por mês, resta uns 700 reais pra gente e a produção está aumentando cada vez mais”. Produção solidária - Michel Abrahão, prefeito do Bujari, explicou que a atração principal dessa feira são os peixes, “mas começaremos cada dia com um café regional, venda de frutas, verduras e galinhas caipiras a preços de ocasião. O objetivo é estimular nossos produtores a produzirem ainda mais e, de acordo com o interesse dos compradores, podemos repeti-la uma vez por mês”. Animado com os resultados do projeto da piscicultura iniciados pelo Sebrae e Fundação Banco do Brasil em parceria com a Seater que garantiram a construção e melhoria de 20 açudes no pólo Dom Moacir, a prefeitura do Bujari assumiu o projeto e conclui este ano mais 30 açudes para os produtores do ramal Espinhara. Domingos Amaral, coordenador do projeto de piscicultura pelo Sebrae-AC, esclareceu: “Graças à parceria das várias instituições envolvidas nesse projeto que tem como objetivo principal melhorar a renda dos pequenos produtores familiares,m os resultados são muito animadores. Tanto que as estimativas eram de que aqui fossem produzidas cerca de 60 toneladas de pescado, mas a produção já passa de 80 toneladas e ainda tem muito peixe nos açudes”. Diante desse resultado, o Ministério da Pesca liberou recursos para que seja construído ainda neste ano, no Bujari, a indústria de filetagem de peixe. Ou seja, uma empresa especializada no preparo do peixe em filés e outros cortes de acordo com a preferência do mercado a que estiver destinado. |
|
|
|
| COTIDIANO |
| COLUNAS |
| CHARGE |
| EDITORIAL |
| ENTREVISTA |
| ESPECIAL |
| POLÍTICA |
| OPINIÃO |
| VARIEDADES |
| EDIÇÕES |
| EXPEDIENTE |
| GIRO GERAL |
| Com Moisés Alencastro |
| NA TRIBO |
| Com Roberta Lima |
| PORONGA |
| Da Redação |
| |