ESPECIAL
   ENTREVISTA

“Precisamos dar a abordagem certa ao turismo na Amazônia”


Andréa Zílio

Em cada lugar ele diz que seu maior desafio é vencer o preconceito com o que é diferente, e, mais que observar, é preciso perceber por que cada cultura é de determinado jeito e porque um povo vive daquela forma. Quebrado os tabus, aí sim, se está pronto para viajar e aprender. Aírton Ortiz, 52 anos, percorre o mundo profissionalmente há dez anos, produzindo um rico acervo de reportagens que depois ganham uma linguagem literária e são lançadas pela Editora Record, através da série “Viagens Radicais”.

Tanto tempo de estrada, somado aos anos que também viajava por lazer, o jornalista, escritor, fotógrafo e explorador tornou-se profissional conceituado em sua área, sendo considerado um dos maiores jornalistas de turismo e esporte radical do Brasil. O gaúcho foi o convidado de ontem do projeto Sempre um Papo, participando de palestra e lançamento de dois de seus oito livros.

Em uma conversa descontraída e cheia de histórias de aventura, Aírton fala da receptividade do brasileiro, da imagem do país lá fora e do turismo na Amazônia. Confira!

Quando começou as aventuras pelo mundo?

Eu sempre viajei muito. Antes do projeto já conhecia vários lugares do mundo, mas profissionalmente começou em 1997, com o projeto da Editora Record com a coleção “Viagens Radicais”, que tem como propósito trazer para o leitor informações sobre lugares do mundo que ainda preservam uma cultura típica, autêntica, que não foi engolida pela globalização.

Qual a primeira aventura desse projeto?

Foi na África e rendeu o livro “Aventuras no Topo da África”, em que escalei a montanha mais alta de lá, com 6 mil metros. O último livro foi “Na Trilha da Humanidade”, em que refaço a rota da imigração do homem pré-histórico até o Brasil. Tenho também “Na Rota da Amazônia”, em que viajo de barco pela Amazônia peruana, boliviana e brasileira.

As rotas são feitas a partir de um contexto. Como você o define?

Em cada viagem utilizam-se três tripés. O primeiro é de levar ao leitor essas informações de culturas autênticas. No segundo tripé, entra a busca pela informação, que é o trabalho do jornalista, mas ele se expõe à mesma realidade de quem vive no lugar que visita - não é só olhar, é perceber o seu modo de vida. E o terceiro é passar para uma linguagem acessível ao leitor do livro, o que eu vi e vivi, então entra o trabalho do escritor.

O que há em comum entre essas culturas ainda autênticas?

Elas sempre estão em lugares de difícil acesso geograficamente, por isso ainda não foram afetadas. Aí tenho de me propor ser um explorador, e para isso tive que me preparar, fazer cursos para enfrentar, e aprendo muito durante as viagens. O mais importante do projeto é incentivar o jovem brasileiro pelo mundo, porque vejo por aí que o brasileiro é o que menos se propõe a conhecer outros cantos do mundo. Os livros mostram que é possível viajar de forma alternativa, gastando pouco dinheiro. Se você chegar e procurar viver da mesma forma que o nativo, não vai gastar tanto.

Você já viajou pela Amazônia. A abordagem do turismo na região está sendo correta?

A abordagem que está sendo dada ainda é do turismo convencional, dirigido aos que têm muito dinheiro, mas esse cliente quando vem para a região muitas vezes não sai da área do hotel ou não está mais querendo esse turismo, ele vai procurar lugares mais luxuosos. Na Amazônia quem viaja de verdade é o ecoturista, que é movido ao intelectual e às belezas naturais. Precisamos dar a abordagem correta, porque temos muito que oferecer.

 
 
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Rio Branco-AC, 28 de março de 2007
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Da Redação
 
 
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