OPINIÃO
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Maria Regina Canhos Vicentin *

 

Cordão umbilical

Outro dia eu conversava com uma senhora que estava muito apreensiva com o casamento de seu filho. Há três anos o rapaz havia se casado e sua esposa estava à espera do primeiro bebê. O convívio, entretanto, não estava nada bom devido à dependência que a jovem tinha de sua mãe. A sogra avaliava com pesar as poucas chances do relacionamento prosperar caso a nora não conseguisse “cortar o cordão umbilical” que a mantinha ligada à sua família de origem. A consogra tencionava mudar de cidade e a nora fazia planos de seguir a mãe, deixando de levar em conta sua família atual, ou seja, esposo e filho. Obviamente as implicações seriam muitas, dentre as quais, a necessidade do marido encontrar um emprego tão bom quanto aquele que possuía. Instalou-se o conflito, e a sogra apelava para o bom senso da nora que não via a hora de arrumar as malas para acompanhar a mamãe.

Essa metáfora do cordão umbilical não cortado é coisa grave e, sem dúvida alguma, compromete centenas de relacionamentos. Nem todas as pessoas possuem maturidade suficiente para assumir um compromisso tão sério quanto é o relacionamento conjugal. Muitos brincam de casinha, fazem de conta que são papai e mamãe, mas quando a coisa aperta correm como coelhinhos assustados para a casa dos pais, esquecendo-se que já formaram uma nova família. Lógico que a busca por orientações é sempre saudável, mas a interferência da família de origem por vezes gera contendas entre o casal que, inicialmente, costuma enfrentar uma fase de adaptação. Vários anos são necessários para que exista um bom entrosamento entre os cônjuges, por isso é imprescindível que tenham igual interesse em permanecer juntos e vencer os desafios da convivência marital. Não é desanimando diante do primeiro obstáculo que irão conseguir perpetuar a relação. Bom convívio requer amadurecimento.

Os pais podem auxiliar o jovem casal estimulando o diálogo para a solução dos conflitos, e nunca propondo alternativas para facilitar a vida cada qual de seu rebento em separado, pouco se importando com o relacionamento dos cônjuges já constituído. Se não se pode ajudar é melhor ficar calado e aguardar o deslinde da questão pelos próprios envolvidos, pois o amor encontra formas incríveis de solucionar problemas aparentemente insolúveis. Às vezes, o apoio moral é a melhor forma de demonstrar que vocês pais estão de braços abertos sempre, mas que as atitudes têm de ser tomadas por quem está vivendo a situação, e não por “papai” ou “mamãe”. Certas decisões têm conseqüências para todo o restante da vida dos cônjuges e de seus filhos. Não dêem causa ao fracasso de uma convivência, pois curar feridas não é, não foi, e nunca será fácil.

Filhinhos, vocês querem se casar, não é mesmo? Ótimo. Formar uma família é algo realmente maravilhoso. Tenham consciência de que deixarão para trás pai e mãe a fim de constituir um novo lar. Procurem resolver seus problemas sozinhos, dialogando e trocando idéias. Se o respeito já não existe entre vocês, talvez precisem se esforçar um pouco mais para aprender a ouvir enquanto o outro fala. Não encham seus pais de preocupações, nem alimentem conversas onde se fala mal do cônjuge. Todos possuem defeitos, inclusive vocês. Evitem cultivar uma imagem negativa de seu par se quiserem permanecer juntos através do tempo. Expressem seu amor prodigamente, sem medo de parecerem ridículos. E pensem diversas vezes antes de proferirem palavras ofensivas ou se agredirem mutuamente, pois isso pode comprometer uma relação que tinha tudo para dar certo. “Quem casa quer casa”. Cortem o cordão umbilical e vivam felizes, assumindo sua nova família.

* Psicóloga e autora dos livros: Buscando a Felicidade – Editora Celebris; Sementes de Esperança, e do lançamento: Temas do Cotidiano, ambos da Editora Santuário.

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Rio Branco-AC, 28 de março de 2007
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