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Câmara discute meio ambiente Sessão solene pôs em pauta debate sobre a Campanha da Fraternidade, que este ano enfoca a preservação da Amazônia |
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A Câmara de Rio Branco realizou ontem uma sessão especial para debater a Campanha da Fraternidade lançada pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que este ano traz como tema “Fraternidade e Amazônia” e lema “Vida e Missão Nesse Chão”. Participaram do evento o bispo da Diocese de Rio Branco, Dom Joaquín Pertíñez, o secretário municipal de Meio Ambiente, Arthur César Leite, o superintendente do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Anselmo Forneck, e a líder do movimento das mulheres indígenas, Letícia Luiza Yawanawá. A sessão foi proposta pelo vereador e pastor evangélico Jonas Costa (PSB), que defende a divisão de responsabilidade entre os órgãos ambientais e a sociedade em geral, como forma de fortalecer os projetos de preservação da natureza e dos recursos hídricos. Segundo ele, apesar de a Igreja Católica liderar a campanha, a questão diz respeito a todas as igrejas e segmentos sociais. “Este ano é muito importante que os evangélicos e o povo, de modo geral, possam se envolver por se tratar também de uma causa nobre”, explicou. Jonas lembrou que, anos atrás, parecia uma utopia quando a ministra Marina Silva falava em seus discursos sobre a Amazônia, sendo que hoje os efeitos da devastação são vistos não só no Brasil, mas em todo o mundo. “Como o bispo mesmo declarou, os resultados não são imediatos, são para o futuro. Então, como cidadão, cristão e político, abraço a causa e farei o que estiver ao meu alcance para que a gente possa ter um mundo melhor para os nossos filhos e netos.” Campanha fortalece ações das secretarias O secretário municipal de meio ambiente, Arthur César Leite, lembrou que o papel da secretaria nesse processo fica, de certa forma, confortável, já que a Campanha da Fraternidade sugere que as pessoas repensem a questão ambiental e comecem a olhar a situação do meio ambiente como algo espiritual e não técnico. “O ambiente é onde vivemos, é algo criado por Deus”, enfatizou. Segundo o secretário, a dimensão da campanha em favor da preservação da Amazônia é algo que foi sugerido em um período excepcional. Ele se refere à época de estiagem, quando a Amazônia é mais agredida em função dos desmates e queimadas. “Trabalhar esse tema com o amparo dessa vertente ecumênica é fundamental para a secretaria e sensibilização da sociedade como um todo”, ressaltou. Rio Acre ameaçado - Muitos problemas ocorrem no Estado resultantes das agressões do homem contra a natureza. Um deles está relacionado à bacia do rio Acre, principal fonte de abastecimento de água da capital. Ele sofre com o desmatamento, ocupação irregular de suas margens, a construção de açudes sobre os igarapés que o alimentam. “A gente hoje sofre o resultado de um modelo econômico que não respeitou os limites do meio ambiente”, lembrou Arthur Leite. Para ele, ainda é possível reverter a situação, porém o processo exige o envolvimento de toda a sociedade e os setores produtivos. De acordo com o secretário, a defesa da Amazônia não é só de responsabilidade dos órgãos de meio ambiente, mas das instituições de produção e dos próprios produtores rurais. “Todos devem cobrar, conscientizar e levar a questão adiante, de forma que ela se torne uma prioridade do coletivo”, complementou. Arthur também defende que os serviços ambientais sejam reconhecidos pelo poder público para que o ônus não fique somente com o produtor, e a cobrança não recaia apenas sobre os órgãos de proteção. “Que a gente tenha isso como uma questão a ser abordada por toda a sociedade e não apenas por alguns grupos”. Cada um pode fazer a sua parte “Se cada um fizesse a sua parte já seria muita coisa”, afirmou o bispo Dom Joaquim Pertiñez, em relação à contribuição que cada cidadão pode dar para a conservação dos recursos naturais. Segundo ele, em primeiro lugar as pessoas devem tomar consciência da situação e da realidade amazônica, para então criar iniciativas conjuntas com as autoridades e o governo. Com isso, elas poderão evitar que os desastres continuem e trabalhem para reverter a situação em favor da vida animal, vegetal e, sobretudo da vida do povo que mora na Amazônia. “Podemos dizer que é a casa rica [Amazônia] e o povo que a habita é pobre, o que é uma contradição e uma incoerência. No meio de tanta beleza e riqueza, o nosso povo vive praticamente na miséria”. Luta pela preservação é antiga O superintendente do Ibama, Anselmo Forneck, explicou que a preocupação do Ministério do Meio Ambiente com a preservação da Amazônia é histórica. De acordo com ele, o Brasil já havia se antecipado em relação à pesquisa divulgada recentemente pela Organização das Nações Unidas (ONU) sobre as conseqüências desastrosas da destruição da Amazônia. É que há três anos, sem saber que o órgão tratava o mesmo assunto, a ministra Marina Silva havia encomendado um estudo semelhante para saber da dimensão do problema e dos riscos para o Brasil, fosse ele no bioma do cerrado, na Mata Atlântica, na caatinga ou na própria Amazônia. Forneck disse ainda que o fato de a CNBB ter escolhido o tema para a campanha foi muito acertado, assim como historicamente ela tem promovido grandes debates no país enfocando temas de relevância e interesse social e ambiental. “O que temos a fazer é nos juntar. Esse é um ótimo momento para que todos os órgãos, a sociedade civil organizada e as igrejas se unam no cumprimento do seu espaço”, lembrou. No entanto, ele alertou que não adianta só os institutos e os órgãos ambientais fazerem a sua parte, é preciso que os demais organismos se envolvam e participem. |
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| GIRO GERAL |
| Com Moisés Alencastro |
| NA TRIBO |
| Com Roberta Lima |
| PORONGA |
| Da Redação |
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