COTIDIANO

De volta para casa

Fora de suas terras, índios Jaminawa sofrem com pobreza e discriminação. Secretaria do Índio trabalha o realdeamento desse povo

 


Andréa Zílio

Na cidade de Rio Branco eles foram rotulados de pidões e comparados com mendigos, mas por trás da cena costumeira na capital acreana há uma história, tradição e cultura. E para mudar isso, mostrando quem é o povo indígena Jaminawa, um trabalho de realdeamento dessas pessoas que saíram de suas aldeias está sendo feito pela Secretária do Índio.

Recentemente, o gerente de Desenvolvimento Comunitário Francisco Apurinã levou o índio Chico Macaxeira e sua família de volta a uma das aldeias da etnia, no rio Caeté. Até agora, são cinco famílias que retornaram ao seu povo.

São cerca de 800 índios que integram a etnia dos Jaminawa. Ao contrário do que a maioria comenta, de que a cena vista nas ruas de Rio Branco faz parte de sua cultura, Francisco desmente e conta que a impressão que traz de todas as aldeias que visitou desse povo é de gente guerreira, trabalhadora e forte, preocupada com a permanência de sua tradição.

O que o faz crer que essas exceções sejam problema de liderança. “Com característica de nômade, eles iriam para outro lugar da floresta e não para a cidade. Falta liderança forte na aldeia. Eles têm isso apenas na cidade de Sena Madureira, pessoas que articulam ações para as tribos.”

Lideranças políticas

Moradores das margens dos rios Iaco, Caeté e nas cabeceiras do Rio Acre, os Jaminawa, em três anos de atuação da Secretária Indígena querem restabelecer seu povo.

Na problemática da evasão, Francisco conta que há famílias que há mais de 20 anos saíram das aldeias, e com apoio, decidiram voltar para o lugar onde nasceram, na cidade, estavam vivendo nas piores condições de vida possível. Como exemplo, diz que uma dessas famílias morou em diversos lugares e até no Peru, sem estrutura nenhuma.

Os Jaminawa que permanecem em suas tribos, conseguem viver com fartura graças à característica de trabalhador. Eles, junto aos Machineri, ocupam a maior terra indígena do Estado, com 3 mil hectares, chamada de Mamoadate. Ali vivem mais 10 aldeias.

E acreditando no retorno dessas famílias, que Francisco tem liderado junto a outros funcionários da secretaria, o trabalho de realdeamento. Nessas ações, eles junto a Secretária de Agricultura e Tecnologia (Seater) e Fundação Nacional do Índio (Funai) conseguiram remanejar cinco famílias. Durante seis meses, dão a elas a estrutura necessária para alimentarem-se. Tempo necessário para a agricultura lhes render resultado e subsistência.

Muitos dos Jaminawa que vem para a cidade, Francisco diz que fazem à viagem junto a índios que vem receber seu benefício financeiro mensal. O que para ele é complicado, porque só de combustível, é gasto grande parte desse dinheiro.

A Secretaria do Índio que abraçou a causa desde que foi criada, fez um levantamento das benfeitorias e necessidades dessas aldeias e sua gente, visando buscar junto a parceiros a melhoria e solução para os problemas, principalmente de evasão deles. “É um povo guerreiro, defensor de sua cultura, onde 90% de sua gente fala o idioma dos Jaminawa e que merece ter sua tradição preservada”, diz Francisco.

 

 
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Rio Branco-AC, 28 de abril de 2005
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