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Somos todos Universais

Semana de Museus propõe a reflexão sobre o patrimônio cultural imaterial

Val
Público será estimulado a refletir sobre o tema por meio das diversas linguagens e manifestações culturais


Rose Farias Assessoria FEM

Pela quarta vez o Acre participa da Semana Nacional de Museus, promovida pelo Departamento de Museus e Centros Culturais do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Demu/Iphan) e Associação Brasileira de Museologia (ABM). O tema a ser trabalhado este ano é “Museus e Patrimônio Universal - Somos Todos Universais”. A inspiração foi bebida na fonte do poeta Tom Zé: “... o futuro tem caminho na unimultiplicidade, pois cada homem é sozinho a casa da humanidade”.

No Acre, a Semana, de 14 a 20 de maio, é coordenada pelo governo do Estado, por meio da Fundação Elias Mansour e Departamento de Patrimônio Histórico.

A idéia é ocupar os espaços de memória com o Palácio Rio Branco, Casa dos Povos da Floresta, Museu da Borracha, Memorial dos Autonomistas, Memorial José Augusto, em Cruzeiro do Sul, Sala Memória de Porto Acre, Museu de Sena Madureira e Museu de Xapuri com atividades que possam criar uma interatividade entre o público, a memória e a própria temática do evento. O público será estimulado a refletir sobre o tema, por meio das diversas linguagens e manifestações culturais como teatro, contação de história, exibição de documentários, exposições, palestras, oficinas e workshops.

“A idéia este ano é interiorizar as ações para que possamos incluir o público dos municípios na programação. Iniciamos esse projeto de interiorizar ano passado em três municípios, hoje contamos com mais um. A Semana serve como instrumento mobilizador para que possamos trazer a comunidade para conhecer os espaços de memória. Um chamado para refletir sobre patrimônio material e imaterial”, explica Leudes Sousa, coordenadora do Patrimônio Histórico.

Desde a instituição da Política Nacional de Museus, em 2003, a Semana Nacional de Museus vem sendo promovida no mês de maio em todo o Brasil. Serão realizados 1.426 eventos em 464 instituições museológicas de todo os Estados e do Distrito Federal, a partir de 1º de maio, números que evidenciam a força e o poder de articulação entre os museus brasileiros.

Patrimônio cultural imaterial - Uma das discussões que a Semana irá lançar é sobre o patrimônio cultural imaterial. Existe um reconhecimento sobre a importância de promover e proteger a memória e as manifestações culturais representadas por monumentos, sítios históricos e paisagens culturais, mas a idéia é mais ampla e passa principalmente pelo patrimônio cultural imaterial.

“Acreditamos que a cultura de um povo está mais representada nas tradições culturais, nos saberes, manifestações e folclore, que são recriadas e modificadas coletivamente com o tempo. Essa é a porção intangível da herança cultural dos povos, chamada de patrimônio imaterial. A idéia é refletirmos sobre isso.”

Participação da comunidade escolar - O Patrimônio Histórico realizou uma preparatória da Semana este mês, com o objetivo de mobilizar a comunidade de dez escolas de Rio Branco. Elas foram selecionadas a partir do critério de localização. Estão situadas em bairros mais afastados do centro da capital, o que dificulta o acesso, na maioria das vezes, aos bens culturais - no caso, os espaços de memória. O transporte dos alunos e professores será feito em parceria com a Secretaria de Educação.

“A idéia é prepararmos os professores para que eles possam estar trazendo os alunos já com um objetivo. Trabalhamos com eles principalmente o tema ‘Museus e Patrimônio Universal - Somos Todos Universais’ e iremos desenvolvê-lo para que os alunos não fiquem perdidos ao participarem da Semana e tenham um aproveitamento melhor”, explica Leudes Souza. A mobilização envolveu palestras, contação de histórias e apresentações teatrais, além da discussão sobre os espaços de memória, a importância deles e da preservação do patrimônio material, principalmente o imaterial, que é mais forte nas comunidades onde se situam as escolas.

Teatralização no Palácio Rio Branco

A coordenadora do Palácio Rio Branco, Mirla Aranha explica que a proposta para este ano é trabalhar com a teatralização sobre a história do Palácio Rio Branco e com contação de história.

“Pegamos algumas características da nossa cultura e procuramos adaptar o tema a esse contexto. A programação envolve visitação pública e nossa expectativa de público é bem maior em relação ao ano passado. Fizemos um levantamento das escolas que não participaram anteriormente com a idéia de agregar mais público da comunidade escolar”.

Exposição de cartazes no Museu da Borracha

O Museu da Borracha foi o precursor da Semana de Museus. O espaço reuniu na primeira edição toda a programação. Depois disso, a idéia foi fazer o chamamento para que outros espaços fossem agregados ao evento.

Ana Carla, coordenadora do Museu explica que o tema será trabalhado principalmente com uma exposição de cartazes dos mais diversos temas como política, educação e movimento social. A coleção pertence ao professor e historiador Gerson Albuquerque.

“Não concebemos o conceito de patrimônio sem o conceito de história e memória. Os cartazes irão possibilitar uma visão e um diálogo diferenciado com o público visitante”.

Além da exposição o Museu irá trabalhar com contação de história voltada ao público infantil, exibição de documentários e a oficina sobre educação patrimonial, uma tentativa de mobilizar os participantes para uma sensibilização á respeito do patrimônio histórico acreano.

Cinema, exposição e palestras

No Memorial dos Autonomist Marcos Teixeira e Antônio Laranjeira, palestra: “Cinema Acreano” com Hélio Smoly e “Cinema Novo, Novo Cinema” com Maurice Capovilla, workshop sobre Cinema com Capovilla e apresentação do espetáculo “Revolução no galinheiro”, da CIA Garatuja, adaptação do texto de Sílvia Ortoff.

“Iremos passar ao público os diversos segmentos contextualizando a história do Acre, com a exposição “Fazeres e Saberes”, que mostra os oito segmentos da cultura acreana, como por exemplo música e teatro. Levando um pouco dessa rica história aos alunos que não tiveram a oportunidade de conhecer”, informa Luciano Freire. Segundo ele a Semana de Museu traz em sua essência a oportunidade de atrair a atenção dos acreanos e turistas para a história do Acre, numa integração com a comunidade e os espaços de memória.

Oficina de boneca de pano e outras manifestações culturais

A Casa dos Povos da Floresta, lugar que retrata os saberes e as manifestações da cultura acreana é um dos espaços que irá trabalhar numa maior visibilidade o patrimônio cultural imaterial.

“A Casa conta a nossa história. Ela fala um pouco do índio, do seringueiro, do ribeirinho. Fazemos esse trabalho durante todo o ano e a Semana de Museus irá intensificar essa relação do público com o patrimônio imaterial. Teremos representantes indígenas falando sobre sua cultura, oficina de boneco de pano, que é algo antigo, mas que sobrevive aos tempos, e precisamos resgatar”, explica Alcilene Queiroz Saady, coordenadora do espaço.

A idéia é atender a comunidade escolar, mas como o espaço é um ponto turístico, guias estão sendo instruídos a atender os viajantes e turistas com a proposta de passar toda a essência contida na Semana: somos todos universais. A idéia é interagir.

 

 

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Rio Branco-AC, 28 de abril de 2007
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Da Redação
 
 
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